04 outubro, 2022

À conversa com Igor Zubovskij (Vostok Europe)

 

Igor Zubovskij

O fundador e CEO da Vostok Europe, Igor Zubovskij, esteve em Portugal no passado dia 24 de setembro para acompanhar em Sesimbra a tentativa de bater um record mundial do maior número de mergulhadores presentes num só local num período de 12 horas. A Vostok Europe foi um dos patrocinadores do evento, tendo criado uma edição especial para o assinalar e, além disso, esteve também presente o seu embaixador João Rainho.

RelógiosB3 foi convidado para estar presente no evento e, durante um almoço que juntou também os responsáveis pelo distribuidor local, a SRI, tive oportunidade de colocar a Igor algumas questões. Foi uma conversa informal, mas ele autorizou-me a citá-lo, pelo que este texto é o resultado dessa troca de impressões.

Uma das coisas que aprecio na marca Lituana é o facto de criar desenhos originais para os seus divers, que não seguem, nem de longe, as ideias lançadas desde há décadas (e copiadas pelo resto da indústria) pela Rolex (Submariner), a Blancpain (Fifty Fathoms) e até a Seiko ou a Panerai. Um Vostok Europe é... um Vostok Europe!, e é algo cujo design pode ser identificado à distância – o que também não é difícil, com a tendência que a marca tem para criar peças de grandes dimensões! 

Igor trouxe a Portugal algumas novidades, entre elas, e pela primeira vez, a menção oficial "Made in Lituania" que acaba de uma vez por todas com qualquer dúvida face a uma eventual ligação da marca à (russa) Vostok. "Já na altura não usávamos muitos, mas deixámos completamente de utilizar movimentos de origem russa em 2014, precisamente na sequência da anexação da Crimeia. À época explicámos a razão desta nossa decisão e fomos bastante criticados por alguns dos nossos clientes, mas foi algo que senti que não poderíamos deixar de fazer".

Desde então, a Vostok Europe utiliza exclusivamente movimentos de origem japonesa (tendo já usado também movimentos suíços em algumas coleções entretanto descontinuadas), nomeadamente da SII (Seiko) e Miyota (Citizen), sendo os primeiros responsáveis por praticamente todos os modelos mecânicos.

Igor explica a razão da opção: "Os movimentos Miyota [da série 8000] não têm torque suficiente para o tipo de ponteiros que usamos, que tendem a ser grandes e relativamente pesados; isso faz com que o ponteiro dos segundos não se mova de forma suave". Quando lhe perguntei o que achava do novo movimento GMT automático acessível da Seiko (que na versão OEM tem a referência NH34) começou por me dizer que "não é assim tão barato: custa o dobro de um NH35!" – que a marca utiliza nos seus  relógios automáticos.

No entanto, confirmou que, em 2023, a marca terá um modelo GMT equipado com este movimento.

Aproveitei também para lhe perguntar a razão de outras opções que fazem parte do DNA da Vostok Europe. Uma delas é o porquê da razão de não usar vidro de safira, mesmo quando os seus relógios estão num patamar de preços em que praticamente todos as marcas optam pelo vidro mais premium. Para Igor, não é uma questão de ser ou não premium, mas de funcionalidade: "Há uma diferença fundamental na estrutura dos diferentes tipos de vidro a um nível molecular. O vidro de safira é de facto muito resistente aos riscos, mas não é assim tão resistente aos impactos – uma pancada seca pode simplesmente pulverizar o vidro, uma vez que é assim que o vidro de safira se comporta. Ou seja, não se risca, não racha, mas quando se parte, desfaz-se em mil pedaços."

"O vidro que usamos, que se chama K1, tem uma resistência aos riscos mais elevada do que o vidro mineral normal, mas é mais resistente à quebra do que a safira, pelo que o consideramos ideal para o tipo de relógios que produzimos, que se destinam a ser usados em situações extremas", explicou.

O CEO da Vostok defendeu também outras opções típicas dos relógios da marca: "nas nossas braceletes não usamos borracha natural; uma vez mais, não por questões de custo, mas sim porque o material que usamos – a borracha de silicone – é totalmente neutra, não é alérgica e possui uma maior resistência aos elementos".

Finalmente, e sobre as grandes dimensões dos seus relógios (que, nalguns modelos, chegam aos 49mm de diâmetro) Igor admitiu que assim é, mas também lembrou que a marca já tem coleções com dimensões mais modestas (43mm no caso dos Limousine e dos novos Expedition "compactos") bem como uma linha (Undiné) de relógios destinada a um público feminino com 39mm de diâmetro. De resto, confessou que o mercado dos EUA é um dos "responsáveis" por esta opção: "eles não gostam de relógios pequenos".

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