31 de março de 2021

Hemel The Airfoil

 


Marvin Menke, o fundador da Hemel, tinha-me enviado informação sobre este novo cronógrafo em Janeiro mas, na altura, tinha já criado artigos e agendamentos até Março, pelo que só agora tive oportunidade de vos vir falar do The Airfoil.

Trata-se de um relógio que utiliza o movimento mecânico de carga manual Seagul ST19, o mesmo de que já falei a propósito do cronógrafo Seagull 1963, aqui completo com regulador tipo "pescoço de cisne" e visível através da tampa da caixa em vidro.

A estética deste cronógrafo é muito interessante, algures entre o look desportivo tipo rally e o relógio de piloto. A Hemel esteve aqui limitada às complicações do movimento usado (crono sem data) mas resolveu acrescentar valor através de um bisel rotativo (120 cliques) graduado de 1 a 12 e que oferece, na prática, a leitura de um segundo fuso horário.

A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro – claramente o sweet spot para relógios deste género, pelo menos para mim – e resistência à água até 100 metros. Ponteiros e índices têm tratamento luminescente com Superluminova e o mesmo acontece para os numerais e marcações do bisel. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo. .

Existem três variantes deste modelo, com mostrador preto (na foto), azul e marfim, todas com bracelete em pele castanha. Este último oferece a particularidade de ser um mostrador "full lume", ou seja, todo ele é luminescente e a leitura no escuro faz-se pelo contraste com os ponteiros e índices. No entanto, à data deste post, esta variante estava esgotada, com a Hemel a aceitar encomendas para entrega em Agosto próximo.

Resta falar do preço: 500 dólares (qualquer das variantes) por um cronógrafo mecânico com este nível de desenho, execução e funcionalidades parece-me um excelente negócio. Note-se contudo que o site da marca venda para Portugal, mas está localizado nos EUA, pelo que deveremos contar com custos de alfândega – tipicamente da ordem dos 20% do valor total do relógio, pelo menos.

26 de março de 2021

Casio Edifice EFR-S108D-1AVUEF

 

Já aqui temos falado de contrafações e de hommages e da diferença entre ambas. Se as primeiras são (para mim) inaceitáveis, também há quem torça o nariz às segundas, embora reconhecendo a distância entre ambas.

Coisa muito diferente é o campo inesgotável das influências – afinal, a maioria dos relógios tem um mostrador redondo e 12 índices ou numerais, pelo que é virtualmente impossível fugirmos ao facto de que toda a gente anda a copiar toda a gente, de uma maneira ou de outra.

Este Casio da gama Edifice que hoje vos trago tem a referência EFR-S108D-1AVUEF e é um desenho original que, no entanto, claramente pisca e olho a um verdadeiro ícone da alta relojoaria, o Audemars Piguet Royal Oak que, em 1972, trouxe consigo uma lufada de ar fresco ao mercado.

A originalidade do Royal Oak consiste na caixa – com exterior octogonal e interior circular – bem como na decoração com parafusos visíveis. E são precisamente estes dois aspetos que a Casio aqui retomou de forma que eu considero particularmente feliz neste modelo. 

Claro que as semelhanças entre ambos os modelos começam e terminam aqui, até porque o AP Royal Oak com o qual este Caso é mais parecido, a referência 15500ST.OO.1220ST.03, custa a módica quantia de... 21.000 francos suíços, ou seja, algo como 19.000€!

Escusado será dizer que não acho que este Casio, que tem um PVP de referência de 119€ mas pode ser comprado por cerca de 100€, seja 190 vezes pior do que o Royal Oak que o inspirou. Pelo contrário, além de ser um excelente negócio é muito bonito, com as suas linhas elegantes, caixa com 40mm de diâmetro de reduzida espessura (apenas 7,8mm) e resistência à água até 100 metros.

Como seria de esperar por este preço, o movimento é de quartzo, mas a execução inclui vidro de safira. Ah, e já vos disse que custa cerca de 100 euros, certo? ;-)

17 de março de 2021

Laco Aachen 39

 

Falei pela primeira vez da Laco em 2013, a propósito do modelo Aachen na sua versão de 42mm. A Laco é uma das cinco empresas que foram contratadas pelo governo alemão para produzirem relógios para os pilotos e navegadores da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Destas cinco, hoje apenas a Stowa e a Laco produzem relógios de piloto com mostradores Tipo B, em que os algarismos principais são os dos minutos e não o das horas.

Isto significa que a Laco está para este tipo de relógios um pouco como a Hamilton está para os relógios tipo field. Daí que acho que valha a pena revisitar a gama Aachen da marca. A Laco tem também fliegers com mostrador convencional (que eram mais usados pelos pilotos, com os navegadores a preferirem os mostradores Tipo B) bem como uma gama mais cara, que usa movimentos suíços e com preços acima dos 1000 euros. Pelo contrário, a gama Aachen é muito mais acessível e utiliza movimentos japoneses Miyota.

A novidade é que, agora, a Laco passou a usar movimentos mais recentes, como é o caso do que chama movimento Laco 31, que corresponde na realidade ao Miyota 8315, o qual oferece uma reserva de marcha de 60 horas, ou seja, dois dias e meio.

Esta é uma opção (selecionável no site da empresa) que custa mais 55 euros, o que eleva o preço total do relógio para 395€ -- mesmo assim um valor que me parece perfeitamente razoável para o que aqui é oferecido. Uma opção que é também possível escolher através do website da Laco é a de que o vidro de safira seja tratado com revestimento antirreflexo, o que encarece a peça em mais 50 euros.

Resta-me dizer que o modelo de que falo hoje é o Aachen 39, a versão de 39mm (duh...) do relógio de que falei anteriormente. O resto da execução mantém-se semelhante ao modelo Aachen 42, nomeadamente no que diz respeito aos materiais usados, como é o caso do aço da caixa, do vidro de safira e até da resistência à água. Neste caso, a caixa de 39mm de diâmetro e uma espessura de 11,55mm. Existem também uma variante com o mostrador azul e bracelete NATO.

10 de março de 2021

Certina DS-1 Big Date

 

Não é a primeira vez que falo de relógios com complicação de Big Date, que é muito do meu agrado. Mas é efetivamente a primeira vez que vos trago uma máquina destas que conjuga Big Date com um movimento mecânico. Não é barata (o preço de referência é de 795 Francos Suíços, ou seja, 725 euros) mas como está abaixo dos 1000 euros, ainda a podemos, no contexto deste blog, considerá-la B3.

Trata-se do Certina DS-1 Big Date Automatic com a referência C029.426.16.041.00, que pertence à coleção Urban da marca suíça. O movimento usado é uma variante do nosso conhecido Powermatic 80, com 80 horas de reserva de marcha. É um bonito dress watch cuja característica mais saliente é a tal complicação de Big Date, implementada às 6h00 através de uma janela dupla e dois algarismos.

Normalmente, gosto mais de ver esta implementação às 12h00, mas o desenho deste Certina agrada-me bastante tal como está. A caixa, em aço, tem um diâmetro de 41mm, que está no sweet spot para relógios deste género, e resistência à água de 100 metros. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo.

No total existem cinco variantes deste modelo, mas apenas duas cores de mostrador; além deste em azul, está disponível também em preto. O resto das variantes usa braceletes em aço.  

3 de março de 2021

A única coisa que interessa numa coleção de relógios

 


Gostava de falar hoje convosco do conceito de "coleção de relógios". Há quem defenda ser possível ter uma "coleção de um só relógio" (uma contradição em si mesmo, na minha opinião); e quem diga que, para que possamos chamar "coleção", temos de ter, pelo menos, três relógios. E, depois, há imensas teorias sobre quais devem ser os relógios ideais para uma coleção.

O que mais por aí há são "conselhos" que nos dizem que temos de ter este ou aquele relógio na nossa coleção. Ou que uma coleção sem o modelo (ou tipo de relógio, ou marca) "x" nunca será uma coleção completa. 

Na verdade, nunca liguei muito a isso até que, nos últimos meses, comecei a ver bastantes vídeos no Youtube, sobretudo dos youtubers dedicados à relojoaria mais acessível, e que tenho linkados na barra lateral da home page deste blog. Todos eles, ou quase todos, têm as suas próprias ideias sobre o que deve ser a "coleção" ideal, especialmente na gama de preços mais baixa, à qual este blog se dedica.

A minha opinião é que... não devemos seguir a opinião dos outros (não, nem a minha!). Existem, literalmente milhões de modelos diferentes: caros, baratos, bons, péssimos, bonitos, horríveis... Contudo, à exceção da qualidade (e, mesmo assim, também podemos discutir isso), praticamente tudo o resto é subjetivo. Preço? O que é caro para mim, pode não ser para si, e vice-versa. Bonito? Todos temos gostos muito particulares e, uma vez mais, o que é bonito para mim, pode não ser para si. Ou podemos estar de acordo, mas haver um qualquer deal breaker que nos impede de comprar determinada peça. 

Claro que, precisamente porque existem milhões de modelos por onde onde escolher, muitos deles com variantes na cor do mostrador, tipo de bracelete, tamanho da caixa, tipo de movimento, etc., etc., convém termos um critério. E é precisamente nos critério que as opiniões se dividem. No entanto, acho que faz mais sentido definirmos um critério (mesmo que seja apenas, e tão só, o nosso critério) do que nos levarmos por declarações perentórias do tipo "toda a coleção de relógios tem de inclui um Casio G-Shock" – um bom exemplo para mim, que até gosto de Casios (tenho um) mas não acho piada nenhuma aos G-Shock.

Penso que é também porque muitos colecionadores seguirem determinados critérios arbitrários que depois vemos, todos os anos, um vídeo sobre o chamado "estado da coleção", onde mostram os relógios que venderam e compraram no último ano. Compreendo que uma coleção seja dinâmica e que determinadas peças possam ser entretanto vendidas (ainda há pouco tempo fiz precisamente isso), mas a quantidade de relógios vendidos e comprados anualmente por estes colecionadores deixam-me na dúvida (sobretudo no que diz respeito às vendas) se não haverá aí, precisamente, um problema de critério. 

Qual o critério, então, que devemos seguir? Quanto a mim, é este: comprarmos os relógios que gostamos e, igualmente importante, que tencionamos usar. Parece-vos óbvio? Mas não é assim tão óbvio quando ouvimos/lemos coisas como "você tem de ter este [introduzir marca/modelo/tipo] relógio na sua coleção!"

No final do ano passado, pensei seriamente comprar um relógio com mostrador (e movimento) de 24 horas. Isto é, um relógio cujo ponteiro das horas demora um dia inteiro a dar uma volta completa e cujo mostrador está graduado com 12 e não 24 índices. Achei que faria sentido para "completar" a coleção, o que quer que isso signifique. Mas fiquei a pensar: será que eu usaria este relógio...? Afinal, não é propriamente um relógio prático e requer alguma habituação até conseguirmos ler as horas num relance fugaz. E acabei por não comprar (embora admita que o possa vir a fazer no futuro).

O mesmo se pode dizer de relógios com um só ponteiro (o das horas). Farão parte obrigatória de uma coleção? A minha resposta é: se gostarmos e se o formos usar, claramente que sim! Pelo menos para mim, se a resposta for não a ambas as perguntas, então é algo que considero não fazer sentido.

Outro aspeto a considerar: o nosso gosto evolui à medida a que a nossa coleção também evolui. Por exemplo, no início deste blog referi por diversas vezes que não tinha grande interesse em relógios "de mergulho". Mas, entretanto, é exatamente esse o tipo de relógio que tenho "na calha" para adquirir brevemente.

Resumindo e concluindo: a vossa coleção deve ser constituída pelos relógios de que mais gostam e que pretendem usar regularmente (ainda que de forma esporádica). Comprar algo "só porque é suposto" para compor a coleção, não me parece uma boa estratégia.

Mas, lá está: isto é o que eu acho! Fico curioso: qual é a estratégia que seguem para a vossa coleção, se é que seguem alguma? Respostas nos comentários!

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P.S.: A imagem que ilustra este post não é a da minha coleção; é apenas uma foto que encontrei online.