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03 março, 2021

A única coisa que interessa numa coleção de relógios

 


Gostava de falar hoje convosco do conceito de "coleção de relógios". Há quem defenda ser possível ter uma "coleção de um só relógio" (uma contradição em si mesmo, na minha opinião); e quem diga que, para que possamos chamar "coleção", temos de ter, pelo menos, três relógios. E, depois, há imensas teorias sobre quais devem ser os relógios ideais para uma coleção.

O que mais por aí há são "conselhos" que nos dizem que temos de ter este ou aquele relógio na nossa coleção. Ou que uma coleção sem o modelo (ou tipo de relógio, ou marca) "x" nunca será uma coleção completa. 

Na verdade, nunca liguei muito a isso até que, nos últimos meses, comecei a ver bastantes vídeos no Youtube, sobretudo dos youtubers dedicados à relojoaria mais acessível, e que tenho linkados na barra lateral da home page deste blog. Todos eles, ou quase todos, têm as suas próprias ideias sobre o que deve ser a "coleção" ideal, especialmente na gama de preços mais baixa, à qual este blog se dedica.

A minha opinião é que... não devemos seguir a opinião dos outros (não, nem a minha!). Existem, literalmente milhões de modelos diferentes: caros, baratos, bons, péssimos, bonitos, horríveis... Contudo, à exceção da qualidade (e, mesmo assim, também podemos discutir isso), praticamente tudo o resto é subjetivo. Preço? O que é caro para mim, pode não ser para si, e vice-versa. Bonito? Todos temos gostos muito particulares e, uma vez mais, o que é bonito para mim, pode não ser para si. Ou podemos estar de acordo, mas haver um qualquer deal breaker que nos impede de comprar determinada peça. 

Claro que, precisamente porque existem milhões de modelos por onde onde escolher, muitos deles com variantes na cor do mostrador, tipo de bracelete, tamanho da caixa, tipo de movimento, etc., etc., convém termos um critério. E é precisamente nos critério que as opiniões se dividem. No entanto, acho que faz mais sentido definirmos um critério (mesmo que seja apenas, e tão só, o nosso critério) do que nos levarmos por declarações perentórias do tipo "toda a coleção de relógios tem de inclui um Casio G-Shock" – um bom exemplo para mim, que até gosto de Casios (tenho um) mas não acho piada nenhuma aos G-Shock.

Penso que é também porque muitos colecionadores seguirem determinados critérios arbitrários que depois vemos, todos os anos, um vídeo sobre o chamado "estado da coleção", onde mostram os relógios que venderam e compraram no último ano. Compreendo que uma coleção seja dinâmica e que determinadas peças possam ser entretanto vendidas (ainda há pouco tempo fiz precisamente isso), mas a quantidade de relógios vendidos e comprados anualmente por estes colecionadores deixam-me na dúvida (sobretudo no que diz respeito às vendas) se não haverá aí, precisamente, um problema de critério. 

Qual o critério, então, que devemos seguir? Quanto a mim, é este: comprarmos os relógios que gostamos e, igualmente importante, que tencionamos usar. Parece-vos óbvio? Mas não é assim tão óbvio quando ouvimos/lemos coisas como "você tem de ter este [introduzir marca/modelo/tipo] relógio na sua coleção!"

No final do ano passado, pensei seriamente comprar um relógio com mostrador (e movimento) de 24 horas. Isto é, um relógio cujo ponteiro das horas demora um dia inteiro a dar uma volta completa e cujo mostrador está graduado com 12 e não 24 índices. Achei que faria sentido para "completar" a coleção, o que quer que isso signifique. Mas fiquei a pensar: será que eu usaria este relógio...? Afinal, não é propriamente um relógio prático e requer alguma habituação até conseguirmos ler as horas num relance fugaz. E acabei por não comprar (embora admita que o possa vir a fazer no futuro).

O mesmo se pode dizer de relógios com um só ponteiro (o das horas). Farão parte obrigatória de uma coleção? A minha resposta é: se gostarmos e se o formos usar, claramente que sim! Pelo menos para mim, se a resposta for não a ambas as perguntas, então é algo que considero não fazer sentido.

Outro aspeto a considerar: o nosso gosto evolui à medida a que a nossa coleção também evolui. Por exemplo, no início deste blog referi por diversas vezes que não tinha grande interesse em relógios "de mergulho". Mas, entretanto, é exatamente esse o tipo de relógio que tenho "na calha" para adquirir brevemente.

Resumindo e concluindo: a vossa coleção deve ser constituída pelos relógios de que mais gostam e que pretendem usar regularmente (ainda que de forma esporádica). Comprar algo "só porque é suposto" para compor a coleção, não me parece uma boa estratégia.

Mas, lá está: isto é o que eu acho! Fico curioso: qual é a estratégia que seguem para a vossa coleção, se é que seguem alguma? Respostas nos comentários!

______________________

P.S.: A imagem que ilustra este post não é a da minha coleção; é apenas uma foto que encontrei online. 

 

 

30 dezembro, 2020

O que mais gostamos (ou não) num relógio


 


Se está a ler este post e é visitante assíduo do blog, já sabe que o que gostamos por aqui é mesmo de relógios bons, bonitos e baratos! Mas, preços à parte, cada um de nós tens os seus "deal breakers", as suas irritações, as coisas que não suportamos num relógio. Ou, pelo menos, em princípio... que não só cada caso é um caso, como os nossos gostos evoluem e há exceções para todas as regras. 

Além disso, dos três "B", só o primeiro não é subjetivo: o que é bonito para si pode não ser para mim; e o que é barato para mim pode ser caro para outras pessoas. E vice-versa, claro. Coisas que eu detesto poderão ser as mesmas que você adora. E determinados tipos de relógio podem fazer imenso sentido para mim mas para poucas mais pessoas. Como costumamos dizer em Portugal, "era terrível se todos gostássemos de amarelo". Ou de cor-de-laranja, como o Drake! :-)

A regra dos entusiastas da relojoaria (ou, pelo menos, dos que não são snobes dos relógios) é "compra aquilo de que gostas e que te faz sentir bem". Se o relógio em questão cumpre esse objetivo, então é isso, e isso apenas, que importa. O resto é snobeira. Ou deixar-nos levar pelo gosto dos outros.

Dito isto... Cada um de nós tem o seu gosto próprio, mesmo que esse gosto evolua à medida que evolui também a nossa coleção de relógios, o nosso orçamento, o nosso conhecimento... Neste artigo deixo-vos alguns dos meus "deal breakers", características e/ou funcionalidades dos relógios que fazem com que não olhe pare eles duas vezes. Mas também mostro como essas regras podem ter exceções.


Eis aquilo de que não gosto, sem qualquer ordem de importância:

Numerais romanos. ODEIO numerais romanos. No entanto, sou capaz de abrir algumas exceções, sobretudo nos mostradores onde os numerais romanos surgem apenas às 12h00, como neste caso.

Caixas douradas. ODEIO caixas douradas. E, no entanto, tenho um Tissot Stylist com caixa e mostrador (!) dourados de que gosto imenso... :-)

Mostradores demasiado "busy". Como se nota pela maioria dos relógios aqui mostrados, gosto sobretudo de relógios com mostradores simples e legíveis. Isto é o contrário disso.

Relógios demasiado pequenos... ou demasiado grandes. Da minha experiência, o sweet spot para o meu braço está entre os 38mm e os 42mm de diâmetro. Menos do 38mm será um relógio, para mim, "pequeno" e mais de 42mm não funciona muito bem no meu pulso (embora já tenha experimentado relógios de 43mm de que gostei).

Contrafações. Não confundir com relógios homage.

Relógios de quartzo digitais. E, contudo, acabo de comprar um Casio A-1000D...

Relógios sem data. A menos que seja um dress watch para usar apenas à noite ou numa ocasião social, prefiro relógios com complicação de data e, até de dia/data.

Relógios de marcas "fashion". Reconheço que é um pouco snobeira. Mas o problema é que um relógio de uma marca de moda raramente é um bom negócio, porque o que estamos a pagar é a estética (por vezes duvidosa...) e a marca e não necessariamente "a máquina". Há relógios de marcas de moda, algumas até bastante conhecidas e que chegam ao ponto de vender "cronógrafos" que de cronógrafo têm apenas a estética: os botões adicionais e os sub-mostradores não possuem qualquer funcionalidade!

Relógios de plástico. Penso que poderia abrir exceção para os Swatch, muito embora não tenha nenhum (mas já ofereci imensos!). 

Caixas quadradas ou retangulares. A menos que seja este (que não é B3, infelizmente).

Outros. Coisas como relógios de estética "diver" mas que depois não oferecem mais do que 50 metros de resistência à água; mostrador com demasiadas linhas de texto e/ou indicações supérfluas; determinadas fontes usadas nos numerais; determinadas conjugações de cor entre caixa, mostrador e bracelete...

E, já agora, deixo-vos um desafio: nos comentários, digam-me o que mais gostam e/ou não gostam num relógio. Bom Ano Novo para tod@s! O próximo post será colocado na primeira quarta-feira de janeiro de 2021.

25 dezembro, 2019

Preço vs. Valor: o que é afinal “bom, bonito e barato”?

IWC vs Steinhart
No mundo da alta fidelidade utiliza-se frequentemente um termo para designar um fenómeno que pode igualmente ser usado noutros mundos, como o dos automóveis ou o da relojoaria: “The Law of the Diminshing Returns”.

A ideia (aplicada neste contexto) é simples: a partir de um certo ponto, o custo de acrescentar apenas valor incremental a um produto, encarece esse mesmo produto de forma exponencial.

Na alta fidelidade isso significa que podemos obter um bom gira-discos por 500 euros mas, se quisermos ir mais além na escala da qualidade, teremos de gastar várias vezes mais esse valor. Ou seja, se considerarmos que 500 euros compra um equipamento capaz de uma qualidade de reprodução de 75% do total possível, teremos de gastar muito (mas mesmo muito) mais para conseguir os restantes 25% – é fácil gastar algumas dezenas, ou até centenas, de milhar de euros num gira-discos…

Para algumas pessoas, o custo desses restantes 25% compensam os resultados. Para outras, o contrário não podia ser mais verdadeiro. O mesmo raciocínio pode ser encontrado no mundo automóvel. Um Bugatti Veyron de 1,5 milhões de euros vale 10 vezes mais do que um Nissan GT-R de 150.000 euros? E este vale 10 vezes mais do que um Nissan Micra de 15.000 euros? Uma vez mais, depende de quem responde à pergunta.

O que nos leva ao mundo dos relógios. Tenho amigos com IWC e Breitling de milhares de euros no pulso, e outros que acham que os menos de 300 euros que paguei por um Seiko automático é várias vezes superior ao que consideram ser razoável dar por um relógio – e até mesmo os que dizem que não usam relógios porque o telemóvel serve perfeitamente.

Claro que há inúmeros factores que encarecem um relógio. Se a caixa é de platina e diamantes, o movimento até pode ser de quartzo, que o resultado nunca será barato. E numa caixa de aço, um movimento mecânico que demora um ano a montar por um artífice especializado terá sempre de custar muito dinheiro.

Para mim, já é mais difícil (mas não impossível, reconheço) justificar valor quando se usam movimentos idênticos (mas não iguais) em relógios com preços díspares, como o exemplo na foto que ilustra este artigo: em ambos os casos é usado um Valjoux 7750 (em rigor, no caso do IWC é o Calibre 79350, mas é muito baseado no ETA 7750). Edit: a referência da IWC na imagem já não existe e o Steinhart só está agora disponível com caixa em PVD preto e custa 900€  mas vocês perceberam a ideia, certo?

Tudo isto começou por causa de um interessante artigo que li aqui e que discute precisamente o valor e o preço dos relógios. A conclusão é que esses são conceitos que variam consoante as pessoas, algo com que naturalmente concordo. O que para mim é “bom, bonito e barato” para outros é ridiculamente caro ou, pelo contrário, demasiado barato para ser levado a sério.

E para si? O que é “B3”?

(este artigo foi originalmente publicado neste blog em 2 de fevereiro de 2013 e foi reeditado com links novos e mais informação sobre o calibre IWC 79350).

19 março, 2017

Comprar na Amazon

Amazon

A Amazon foi fundada em 1994 e a primeira vez que comprei lá alguma coisa terá sido pouco tempo depois, em 1995 – na altura a partir da loja dos EUA, a Amazon.com, que era a única que existia.

Desde então, a partir das minhas duas contas (pessoal e empresarial) já lá gastei muitos milhares de euros e comprei um pouco de tudo: livros, discos de música e filmes, claro, mas também hardware para computador, brinquedos, roupa e… relógios.

Inicialmente, limitava-me a falar dos relógios aqui no blog, mas cedo os meus leitores me começaram a enviar mensagens para saber onde os comprar, sobretudo porque os preços que indicava nos posts eram por vezes bastante diferentes dos que se encontram nas lojas.

O meu problema em indicar onde comprar é um problema de confiança: não vendo relógios e não tenho nenhuma loja online da minha confiança. Nesse sentido, comprar numa loja física em Portugal (ou noutro país qualquer) será sempre a situação ideal – e já falei anteriormente sobre as vantagens e desvantagens de comprar através da Internet. De resto, há até marcas que dão vantagens específicas na compra através das lojas físicas: a título de exemplo, em Portugal, a SRI oferece garantia vitalícia nos relógios Junkers mas só se forem adquiridos através da sua rede oficial de agentes. Edit 1/12/2020: A SRI deixou de comercializar a marca em Portugal desde que ela deixou de ser produzida pela Pointtec.

Apesar das especificidades do mundo da relojoaria (e dos perigos das contrafações) de uma maneira geral, comprar online é como comprar no mundo físico: há que procurar as lojas (e as pessoas) que nos dão confiança.

Ora a mim, a que me dá mais confiança é a Amazon, até porque já tive (muitos) exemplos concretos das vantagens de comprar através deles. O problema nunca é no momento da compra; a distinção entre uma loja de confiança e entre outra que só “quer sacar o guito” surge quando as coisas correm mal. Ora na Amazon, mesmo quando as coisas correm mal… correm bem. Seja na devolução “no questions asked” durante os primeiros 30 dias, seja durante o período da garantia.

Em mais de 20 (!) anos de compras através da Amazon NUNCA tive um problema (ou melhor, nunca tive um problema que não tivesse sido resolvido a meu favor), o que diz bem do standard da empresa no que diz respeito à relação com o cliente.

Os truques da Amazon

Mas o facto de não termos problemas com a Amazon, não significa que não devamos estar atentos e saber como manobrar de forma a tirar o melhor partido possível da plataforma. Baseado na minha experiência de compra na plataforma, eis alguns truques:

1. Fazer login antes de pesquisar

A Amazon não é uma rede social: podemos andar por lá à vontade sem ter de fazer o “login” com a nossa conta. Contudo, aconselho toda a gente a fazer o login primeiro, por uma simples razão: ficamos logo a saber se determinada loja vende para Portugal ou não. O que me leva à segunda chamada de atenção…

2. Há Amazon e há… Lojas na Amazon

Inicialmente, tudo o que a Amazon vendia vinha dos seus próprios armazéns. Contudo, desde há muitos anos que é possível que qualquer empresa (que cumpra os requisitos da Amazon) venda na plataforma. A diferença não é muito grande, uma vez que as empresas que vendem através da Amazon são obrigadas a cumprir com os padrões da própria Amazon em termos de condições de venda, troca, etc. Contudo, pode ser relevante para quando pretendemos adquirir mais do que um relógio de uma só vez: Se um deles for vendido pela Amazon e outro for de outra empresa, vamos pagar portes por duas vezes… Note-se que a Amazon tem um sistema de pontuação (uma a 5 estrelas) não só relativo aos produtos que vende, mas também às lojas que vendem na plataforma, pelo que podemos facilmente ter a noção se determinada loja possui ou não um bom serviço ao cliente – sendo que quem tem um mau serviço ao cliente é “convidado” a sair pela Amazon…

3. Amazon na Europa vs. Amazon.com

Sempre que falo de relógios que possam ser comprados na Amazon, procuro sobretudo links para as lojas europeias (sobretudo Espanha e Reino Unido). Comprar via Amazon.com é arriscado, porque há uma grande probabilidade de o relógio passar pela alfândega, onde serão aplicadas taxas adicionais – o que é barato pode sair caro. Já o mesmo não se passa em qualquer das lojas europeias (bem, no caso da loja UK, pelo menos enquanto o Reino Unido não sair oficial da UE). Note-se que uma conta criada em qualquer uma das Amazon europeias é automaticamente válida para as outras; contudo, o mesmo não sucede com a Amazon.com, que carece de uma conta específica.

4. Saber procurar

Quando indico um determinado link para compra na Amazon, normalmente certifico-me de que o relógio linkado está não apenas disponível para envio para Portugal, mas também que é o mais barato à venda.

Isto é importante, por duas razões: o mesmo relógio pode estar listado pela mesma loja em diferentes Amazon europeias mas apenas a partir de uma delas é que está disponível o envio para Portugal; e o mesmo relógio pode estar a ser vendido por empresas diferentes na mesma Amazon com preços diferentes – ou estar disponível em diferentes Amazon também com diferenças de preço grandes.

Finalmente, é preciso não ter apenas em consideração o preço: uma determinada loja pode ter um preço muito bom mas portes muito elevados para Portugal, por exemplo. em caso de dúvida, podemos simular a compra mesmo até ao fim (mas sem comprar, claro!) de forma a sabermos quanto é que nos será cobrado.

5. Poder devolver

A Amazon tem uma política generosa relativamente à devolução e permite que um relógio comprado seja devolvido e o seu custo, incluindo portes, seja totalmente reembolsado – no questions asked.

 Já tinha escrito sobre este assunto, embora com menos detalhe, aqui. Caso não tenha ainda uma conta na Amazon, o YouTuber Bernardo Almeida, fez há pouco tempo um vídeo sobre as compras na Amazon que também aconselho.

11 março, 2017

Três relógios para começar uma coleção B3


Quem gosta de relógios não se limita a ter um ou dois – o céu é o limite. Mas... e se lhe dissermos que bastam 3 relógios diferentes para servir de base a uma coleção versátil? É essa a ideia por detrás deste vídeo e, melhor ainda, todas as propostas são de relógios B3.

O conceito é simples: compre um relógio "casual", um de mergulho e um dress watch e já está. E eu não poderia estar mais de acordo, até porque este exemplo utiliza 3 modelos cujo valor total é inferior a 500 euros.

E quais são eles? Alguns de que já aqui falámos, na verdade: o casual é o Timex Weekender, o de mergulho é o clássico Seiko SKX e o dress watch é uma marca que eu desconhecia até agora, The 5th (outras opções aqui). O valor total dos três relógios aqui sugeridos é de 480 dólares.

21 junho, 2015

Quanto custa? Onde comprar?

Os meus leitores perguntam-me frequentemente onde adquirir os relógios de que falo. A questão é importante, uma vez que a maioria dos modelos que menciono foram encontrados por busca online e eu não tenho forma de saber – salvo raras exceções – quais as lojas portuguesas onde efetivamente é possível encontrá-los.

No entanto, tenho sempre o cuidado de indicar o preço, quanto mais não seja porque neste blog o preço é muito importante: relógios que custem mais de 999 euros são relegados para a secção 1K+ e, na esmagadora maioria dos casos, os modelos de que aqui tratamos são muito mais acessíveis.

Ora quanto a preços, tenho normalmente duas fontes: os websites oficiais das marcas (é o que acontece quando falo de "preços de referência"), nos casos em que estes lá sejam indicados; e, na ausência destes valores de referência, faço buscas em lojas online.

Estas buscas são feitas inicialmente via Amazon ou, para sermos mais exatos, nos websites europeus da Amazon, uma vez que há menos problemas de envios, IVA, desalfandegamentos, etc. Em raras ocasiões, poderei referir preços que foram obtidos via Amazon dos EUA. Só muito raramente refiro preços obtidos online em lojas que não seja a Amazon ou de lojas que vendem dentro da Amazon.

A preferência pela Amazon tem a ver com a minha experiência pessoal. A Amazon é a referência absoluta no que diz respeito ao serviço ao cliente e quem vende lá dentro é obrigado a cumprir com as mesmas regras, pelo que a segurança na compra é muitíssimo boa. Ao longo de mais de 20 anos de compras na Amazon (sim, comprei lá pela primeira vez em 1995!), nunca tive qualquer problema – e, quando tive, o problema deixou de o ser porque foi prontamente resolvido.

Escrevo-vos sobre este tema porque decidi que, a partir de agora, irei inclui no final de cada artigo – sempre que tal seja possível – um link direto para a loja da Amazon onde encontrei o produto à venda. Os links que usarei serão da Amazon.com, Amazon.co.uk, Amazon.es, Amazon.de, Amazon.fr e Amazon.it.

Quero que saibam também que estes links terão embebido um código que permite, caso o relógio seja adquirido dessa forma, que eu receba uma comissão da Amazon – mas o preço que pagarão será sempre igual ao que pagariam se fizessem o acesso direto à loja.

Como sabem, este blog não tem publicidade e, tirando o prazer que me dá escrever sobre relógios e partilhar as minhas descobertas convosco, não tenho aqui qualquer outra fonte de receita, direta ou indireta.

Mas deixo desde já uma advertência: pessoalmente, desde que encontre o relógio que procuro numa loja física, é sempre aí que prefiro comprá-lo e aconselho-vos a fazer o mesmo. Não só o preço dos relógios não varia por aí além (enfim, quase nunca...), como é bom experimentarmos o relógio no pulso. Escrevi sobre esse tema já há algum tempo, aqui.

20 junho, 2015

À prova de água: tem a certeza?



Há mais de dois anos escrevi aqui sobre os cuidados a ter relativamente às indicações dos fabricantes em termos de estanquidade dos relógios. Mas um comentário recente de um leitor, sobre um relógio "de mergulho" com resistência à água até 100 metros levou-me a voltar ao assunto.

Com apenas alguma alterações de pormenor, volto aqui a postar o artigo de janeiro de 2013:

A indicação de que um relógio é à prova de água é das menos claras no mercado da relojoaria. De tal forma que pode até levar a que o proprietário de um determinado relógio danifique irremediavelmente a sua peça por ter sido induzido em erro. E o principal erro tem a ver com o entendimento que os fabricantes fazem da profundidade a que supostamente os relógios podem ser mergulhados, um valor medido em atmosferas e com tradução direta em metros: 1 atmosfera (atm) = 10 metros; 3 atm = 30 metros; 5 atm = 50 metros; 10 atm = 100 metros, 20 atm = 200 metros; 30 atm = 300 e por aí adiante, até aos 1000m (100 atm). Isto sugere que os relógios podem ser mergulhados a estas profundidades sem problemas. E nada podia estar mais longe da realidade.

A discrepância entre os números e a realidade tem a ver com os métodos normalizados de teste. Há imensas referências sobre este assunto na Internet, sendo uma das melhores esta. No entanto, se não se quiser dar ao trabalho de ler mais nada, fique a saber que deverá considerar o seu relógio como sendo verdadeiramente "à prova de água" com valores de resistência a partir de 10 atmosferas, inclusive. Tudo o que seja abaixo disso é uma mera "resistência à água" que deve ser encarada com uma (grande) pitada de sal. O seu relógio irá sobreviver a andar à chuva e aos salpicos do lavatório e pouco mais.

Se a sua ideia for levá-lo mesmo para dentro de água – no mar ou numa piscina – deverá apontar para relógios especificamente indicados para mergulho e com resistência de 20, 30 ou até 50 atmosferas (200, 300 ou 500 metros). Em qualquer destes casos, os relógios deverão ter proteções adicionais, nomeadamente coroas de rosca, as quais devem ser solidamente apertadas antes de qualquer imersão.

Se praticar mergulho de forma regular, deverá procurar um relógio certificado para mergulho e resistência até pelo menos 30 atm. Os modelos mais sofisticados (e caros) incluem até uma válvula de hélio, embora a utilização de outras técnicas possa oferecer resistência semelhante em modelos sem esta funcionalidade.

17 maio, 2015

Dicionário de Relojoaria – Luneta


Do francês, lunette. O mesmo que aro ou bisel. Designa um aro colocado no lado exterior do mostrador. Serve para fixar o vidro. Pode ser fixa ou móvel. Neste último caso, bi ou unidirecional, e servindo para várias funções de marcação de tempos, segundo fuso horário, despertador, etc. Nos relógios de mergulho, as lunetas devem ser unidirecionais, para evitar confusões ou erros na marcação de tempos de mergulho ou de descompressão.
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

10 maio, 2015

DIcionário de Relojoaria – Incabloc


«O mais conhecido sistema anti-choque  em relojoaria fina (...). O sistema Incabloc usa uma mola especialmente desenhada que permite aos rubis e pivots moverem-se ligeiramente nos seus pontos de contacto quando sofrem impactos, absorvendo-os. Quando o impacto termina, a mola faz os rubis e pivots do balanço-espiral voltarem à posição inicial (...) ».
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

03 maio, 2015

Dicionário de Relojoaria – Hora de Verão


«Sistema de alteração da Hora Legal que nasceu para se aproveitar mais horas de luz solar. Foi com a I Guerra Mundial que Portugal adotou pela primeira vez uma Hora de Verão, em 1916. De então para cá, o regime da Hora Legal no País tem sofrido várias alterações e de 1992 a 1996 chegou a ter uma ou duas horas adiantadas em relação a Greenwich, consoante se estava em Hora de Inverno ou de Verão. Em Portugal continental e na Madeira, desde 1997 que a Hora Legal coincide com o Tempo Universal Coordenado (a do meridiano de Greenwich), ou é acrescido de 60 minutos desde o último domingo de Março até ao último domingo de Outubro seguintes (hora de Verão). Nos açores, esse tempo ou hora legal é sempre diminuído de uma hora.»
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

25 maio, 2014

Dicionário de Relojoaria – Grande Data (“Big Date”)

CS-Timemaster-Big-Date-Power-Reserve-9[1]«Diz-se quando a indicação da data (dia, dia da semana, mês) se faz de forma digital e numa janela de grandes proporções. Isso implica uma dificuldade acrescida na arrumação de um calibre mecânico. A indicação faz-se normalmente pela rotação de discos, mas isso implica dígitos pequenos. Um “grande data” costuma utilizar mais discos  ou um sistema de lâminas sobrepostas, que se vão soltando.»

in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

22 fevereiro, 2014

Dicionário de relojoaria – Grande complicação

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«Os relógios contêm por vezes órgãos suplementares cuja variedade é imensa, mas podem classificar-se estas diversas complicações em três grupos: relógios com um ou mais ponteiros suplementares, para indicação do tempo; relógios com sonneries; relógios com indicações astronómicas. Quando estes três grupos de complicações se encontram num mesmo relógio, diz-se que se está perante uma “grande complicação”. Por seu turno, cada um destes três grupos pode subdividir-se. Os relógios com ponteiros suplementares podem ter segundos mortos independentes, segundos foudroyantes, função cronógrafo e função cronógrafo com rattrapante.Os relógios sonneries podem ser de repetição a quartos, repetição a cinco minutos, repetição a meios quartos, repetição minutos e grandes sonneries. Finalmente, os relógios com indicações astronómicas podem ter calendários simples, calendários perpétuos, fases da lua e equações do tempo.» (Foto: IWC Portuguese Grande Complication).
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

08 fevereiro, 2014

Dicionário de relojoaria – “Fly-back”

GL-Flyback«Em francês, avec remise à zero ou retour en vol. Diz-se de um cronógrafo cujo ponteiro dos segundos pode ser parado (medindo-se um primeiro tempo) e posto imediatamente a zeros, recomeçando desde logo uma nova contagem, tudo isto premindo um botão. Foi inventado na segunda metade do século XIX por Henri Féréol Piguet, relojoeiro suíço a trabalhar em Londres. Era de especial utilidade para navegação aérea – os pilotos podiam fazer escalas com cálculos de tempos intermédios sem usar o método do cronógrafo normal (premir botão para contagem, premir botão para parar contagem, premir de novo para reiniciar contagem). Hoje, como grande parte das funções suplementares de um relógio, serve apenas para demonstrar a capacidade de uma manufatura em efetuar este tipo de complicação – sempre agradável de ver a funcionar. Persiste uma grande confusão entre as funções fly-back e ratrappante (com recuperador, em português; split seconds, em inglês). De uma forma simples, pode dizer-se que o fly-back usa apenas um ponteiro dos segundos ao centro, enquanto o ratrappante usa dois, sobrepostos.»
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

27 outubro, 2013

Dicionário de relojoaria – Espiral

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«Pequena mola enrolada em espiral, presa nas extremidades ao balanço e à ponte do balanço (o galo). Fazendo conjunto com o balanço, é o órgão regulador do relógio, cuja precisão depende em grande parte da qualidade da espiral. Nos primeiros relógios (portáteis) o balanço (foliot) oscilava sem espiral. O período de oscilação era irregular e não havia possibilidade de afinação. Procurou-se submeter as oscilações do balanço a uma reação elástica atando-o a pelo de javali ou a uma mola que chocava contra uma patilha fixa. A espiral foi inventada por volta de 1664. A espiral plana, imaginada por Huygens em 1675, foi a mãe de todas as espirais. Tinha apenas umas quantas espiras e, embora imperfeita, dava ao balanço o que faltava para alcançar a precisão dos relógios de pêndulo. A espiral Breguet, inventada por Abraham-Louis Breguet, tem a sua ponta externa a um nível superior ao corpo e uma forma que ele desenvolveu de forma empírica, mas que lhe dá um movimento mais concêntrico. A espiral termocompensada, que apareceu no início do século XX, começou a utilizar novos materiais como o elinvar, amagnéticos e inoxidáveis. Hoje, o nivarox é o material mais utilizado, mas há experiências com materiais compósitos como fibra de carbono, cerâmicas ou silício.»
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

10 setembro, 2013

Dicionário de relojoaria – Escape

 

ID2_Escapement[1]

«Mecanismo colocado no fim da rodagem, entre as rodas e o órgão regulador da maioria dos medidores de tempo. O escape tem por função manter as oscilações do órgão regulador, balanço ou pêndulo. Há muitos tipos de escape sendo mais usual o de âncora, inventado por Thomas Mudge (1715 – 1794), relojoeiro inglês, que desde logo usou rubis para as paletes. O escape de cilindro, também chamado escape horizontal, inventado em 1725 por Thomas Graham, é constituído por meio cilindro, que encaixa nos dentes da roda de escape, e vem substituir o escape de haste. O escape de força constante tem um dispositivo, fuso, que transmite à roda de escape uma força sempre igual.»
in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

27 julho, 2013

Braceletes NATO e ZULU

diff[1]Se acompanha este site com regularidade, já terá encontrado referência a “braceletes NATO”. E certamente já se interrogou sobre o que são e o que têm de especial.

O termo deriva da especificação de braceletes de relógio criada originalmente nos anos 70 pelo Ministério da Defesa do Reino Unido para utilização das forças armadas do país. 

A razão pela qual ficou assim conhecida deve-se ao facto de que existe um número de stock da NATO que identifica este tipo de bracelete.

Apesar de existirem hoje inúmeras variações em comprimento, largura, cor e material, a bracelete NATO “oficial” existe apenas num material (nylon), num tamanho (280mm de comprimento, 20mm de largura e 1 a 2 mm de espessura) e numa cor (“Admiralty Grey”, referência 18B25).

A principal característica deste tipo de bracelete é que é contínua. Enquanto as braceletes (ou pulseiras) convencionais são constituídas por duas partes, presas em cada um dos topos da caixa do relógio por asas (lugs), as braceletes NATO são contínuas: a bracelete passa sob as asas e fica debaixo do relógio.
A vantagem é que, em caso de quebra de uma das asas do relógio, a caixa continua presa pela outra asa e o relógio não sai do pulso, enquanto que numa bracelete tradicional a quebra de uma asa impede de imediato que o relógio possa continuar a ser usado no pulso.

Uma variação destas braceletes chama-se ZULU (embora muitas vezes o nome NATO continue a ser, erradamente, usado para as designar). Estas continuam a ter o conceito de bracelete contínua em nylon, mas são mais simples do que as NATO.

Encontra uma explicação detalhada e gráfica para as diferenças neste site, que é também um excelente recurso para a aquisição destas braceletes, as quais são sobretudo adequadas aos relógios tipo militar ou de aviador.

28 junho, 2013

Dicionário de relojoaria – Ébauche

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«Movimento de relógio incompleto. As antigas ébauches, até cerca de 1850, compreendiam apenas a platina, as pontes, o fuso e o barrilete.No início do século XIX a ébauche era composta por duas platinas com pilares e pontes, barrilete, fuso, raquete, e mais algumas peças de engrenagem, tudo grosseiramente trabalhado.

A ébauche moderna é um movimento de relógio, com ou sem rubis, mas sem as partes reguladoras, corda, mostrador ou ponteiros. Frédéric Japy (1749 – 1813), relojoeiro francês, foi o primeiro a fabricar ébauches, calibres em bruto, através de procedimentos mecânicos.» – in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

15 maio, 2013

Comparação entre movimentos suíços e chineses

IMG_9031-1024x768Em 2005 fui convidado por uma marca de eletrónica de consumo japonesa a visitar uma das suas fábricas na China. A visita, que incluiu também uma passagem pelo Japão, foi muito esclarecedora no sentido de perceber que “Made in China” não significa sempre o mesmo.

Há fábricas chinesas que fabricam produtos sem marca (e sem grandes preocupações de qualidade) e que depois vendem para marcas ocidentais que se limitam a colocar etiquetas com os seus logótipos; há fábricas chinesas que fabricam projetos ocidentais sob encomenda e que são obrigadas pelas marcas que as contratam a (mais ou menos) rigorosos controlos de qualidade; há empresas chinesas que apostam na sua própria marca e qualidade dos seus produtos; e há empresas ocidentais e japonesas que se limitam a usar o território chinês para lá construir uma fábrica, tirando partido dos baixos custos da mão-de-obra mas retendo todo o controlo sobre as instalações, produção, qualidade, etc.

É por isso que falarmos de um “movimento chinês” não é necessariamente uma coisa má. Contudo, enquanto que relativamente a um “movimento suíço” temos uma garantia de qualidade, no que diz respeito à proveniência chinesa essa garantia não existe – a qualidade pode estar lá, mas dificilmente o saberemos.

Vem isto a propósito de um interessante artigo que li aqui e que compara o popular movimento suíço ETA 2824-2 com dois clones de origem chinesa: um Sea-Gull ST2130 e um Peacock SL3000.

A conclusão do autor, que desmontou todos os movimentos e os analisou ao microscópio (literalmente) é a de que os movimentos chineses até funcionam bem – não fossem eles cópias conformes a um dos movimentos suíços mais usados do mundo. O problema, como quase sempre acontece, está nos detalhes: nos movimentos chineses encontrou fibras e lascas de pele – o que indica terem sido montados à mão num ambiente de atmosfera não controlada –, marcas de chaves de parafusos que resvalaram, óleo mal aplicado e até pedaços de material remanescente do processo de produção.

Segundo o autor, em circunstâncias normais (isto é, se houvesse controlo de qualidade, que aparentemente não há) pelo menos um dos movimentos analisados nunca teria visto a luz do dia e seria deitado para o lixo. Mas é precisamente o facto de ter chegado ao canal de comercialização que faz a diferença e que nos alerta para os perigos e problemas de adquirir um relógio baseado num movimento chinês: quando as coisas correm mal, correm mesmo muito mal.

É um artigo a ter em conta para se perceber porque é que um ETA custa cerca de 5 vezes mais do que um movimento clonado feito algures no Extremo Oriente.

11 maio, 2013

Dicionário de Relojoaria – Digital

LED_watch_,promotion_watch_,digital_watch«Do latim, digitalis, referente a dedos. Que diz respeito aos algarismos de 0 a 9. Em relojoaria, a leitura do tempo pode fazer-se de forma analógica ou digital. Na primeira, os ponteiros ou outros dispositivos relacionam o tempo decorrido com um espaço delimitado e essa relação espaço-tempo é intuitiva – sabe-se a quantidade de tempo que passou, o tempo que é, o tempo que falta. Na segunda, as indicações de tempo ou outras fazem-se através de dígitos (números) ou outros sinais, que aparecem em janelas, sendo menos natural a relação espaço-tempo e mais difícil relacionar o tempo que passou ou o tempo que falta, mas tem-se leitura direta e concisa do tempo que é. Há quem defina a leitura digital como sendo “aos saltos”, em contraponto com a analógica, que seria contínua. Assim sendo, alguns puristas defendem que mesmo os relógios de mostrador analógico têm leitura digital, pois os ponteiros não avançam em contínuo mas em pequenos e quase sempre impercetíveis saltos (essa observação pode, porém, fazer-se claramente no ponteiro dos segundos).» – in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.

28 abril, 2013

Dicionário de Relojoaria – Cronómetro

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«Etimologicamente, designa qualquer instrumento destinado à medição do tempo, mas o uso consagrou-o como significando relógio de alta precisão. O público em geral confunde cronómetro com cronógrafo [ver também este artigo] mas a maioria dos cronógrafos não são cronómetros e muitos destes não são cronógrafos.
Segundo a definição aceite nos meios relojoeiros, “um cronómetro é um relógio de alta precisão, capaz de marcar segundos, e cujo movimento é testado durante vários dias, em diferentes posições e a várias temperaturas e choques, por um organismo oficial independente”. Os mecanismos que satisfaçam os critérios de precisão previstos na norma ISO 3159 recebem um certificado oficial de cronometria (…). – in Dicionário de Relojoaria, de Fernando Correia de Oliveira. Reproduzido com autorização do autor.