30 de junho de 2021

Casio MTD-1053D: mergulhar sem preocupações

 

Casio MTD-1053D


Caixa e bracelete em aço? Check! Bisel unidirecional? Check! Resistência à água até 200 metros? Check! Preço? Menos de 50 euros! Apresento-vos o Casio MTD-1053D, um relógio de mergulho que pode efetivamente ser usado como tal e com um preço como só a Casio é capaz de oferecer.

Este é um relógio disponível em duas variantes. A da esquerda, com mostrador preto, chama-se MTD-1053D-1AVES; a da direita, com mostrador e bisel em azul escuro, é o modelo  MTD-1053D-2AVES.

A marca japonesa tem uma grande tradição em relógios de mergulho acessíveis, mas não me recordo de ter encontrado, como aqui, uma tal combinação de características e funcionalidades por um preço tão baixo.

Porque não se trata apenas do preço. Estes são relógios em que foram feitos muito poucos compromissos aparentes. A caixa, em aço, tem 42,6mm de diâmetro (muito embora nas fotos pareça maior) e o desenho do mostrador é particularmente bem conseguido, com um misto de numerais nas posições 12, 6 e 9 (e janela de data às 3h00) e índices nas restantes posições.

Entre os dois, o modelo azul seria o meu preferido, quanto mais não seja porque dá um bocadinho mais nas vistas. Em termos de construção, são iguais. Para garantir a estanquidade, a coroa é de rosca e o fundo da caixa é igualmente roscado. O bisel, como escrevi no início, é 100% funcional, com a operação unidirecional que esperaríamos de um relógio de mergulho. O vidro do mostrador é mineral mas, por este preço, acho que ninguém estaria à espera de safira...

Vamos então ao preço. O valor de referência na loja oficial da Casio é de 79€, já de si um valor muito bom. Contudo, à data em que escrevo estas linhas, encontra-se esgotado, podendo no entanto ser encontrado na Amazon Espanha (envio com portes grátis para Portugal) por apenas 49,99€ (!) no caso da variante com mostrador preto, ou de 56,90€, para a variante em azul.

E pronto: já têm aqui um relógio para levar para a praia. Ou para a piscina. Ou, caso não possam ir de férias, para a banheira. :-)

23 de junho de 2021

Citizen CZ SMART: um smartwatch que... parece um relógio

 

Citizen CZ SMART

São raros os exemplos de smartwatches de que tenho aqui falado ao longo dos anos, à exceção de alguns Casio com ligação Bluetooth ao telemóvel. Isto porque o conceito de smartwatch é, de alguma forma, contrário ao do relógio em si mesmo. Afinal, um relógio pode ser para sempre, passando de geração em geração, enquanto que um smartwatch durará enquanto a sua bateria interna (normalmente, não substituível) sobreviver ou, pior, até que deixe de haver suporte para o seu sistema operativo.

Além disso, os smartwatches são também habitualmente fabricados por empresas que nada têm a ver com a relojoaria, como a Samsung, a Apple ou a Garmin. Por isso penso que vale a pena celebrar este novo smartwatch da Citizen, o CZ Smart, baseado no novo sistema operativo WearOS da Google (compatível também com iOS), empresa que até agora não tinha conseguido apresentar a este setor propostas tão convincentes com é o Android para os smartphones.

O que mais me chamou a atenção neste "relógio" (vamos manter as aspas, por agora...) é o seu desenho: à primeira vista, nada o distingue de um cronógrafo, com os dois poussoirs a flanquear a coroa às 3h00. Só numa segunda mirada mais atenta percebemos que o mostrador inclui funcionalidades que nada têm a ver com as complicações da relojoaria, como é o caso do indicador de pulsações por minuto às 6h00 ou o medidor de passos às 9h00.

Um dos problemas, para mim, continua a ser o das dimensões demasiado grandes. Com o diâmetro de 46mm, esta é uma caixa claramente XXL que não irá funcionar bem em qualquer pessoa; apesar de ser uma limitação certamente imposta por fatores como o tamanho da bateria e do ecrã, gostaria de ver opções com um tamanho um pouco mais modesto – 43mm seria o limite para mim.

Outro detalhe que faz a diferença, pela positiva, é a bracelete em aço, que contribui para que este seja um smartwatch que passe por um relógio normal. Note-se, contudo, que a bracelete em aço é apenas proposta nesta referência específica, MX0001-58X, sendo a restante gama, com variantes na cor da bracelete, da caixa e do bisel, proposta apenas com braceletes em borracha.

Tal com acontece com os smartphones, o vidro escolhido aqui para proteção do mostrador é Gorilla Glass. A resistência à água é básica (3 atmosferas), pois este não é um modelo destinado a atividades aquáticas.

O calcanhar de Aquiles continua a ser a autonomia. A bateria recarregável incorporada não oferece mais do que 24 horas de funcionamento contínuo, mas é incluído um berço magnético com cabo USB para carregamento sem fios. Um carregamento de 40 minutos garante 80% da carga máxima.

Resta o preço. Não sei, sinceramente, se o valor de referência de 395 dólares é um ou não um bom negócio, uma vez que a experiência deste tipo de equipamentos, por assim dizer, depende muito de utilizador para utilizador.

Mas, para quem precise mesmo de um smartwatch e queira continuar a ter a experiência de usar um relógio convencional, esta proposta da Citizen parece-me bastante interessante.

 

16 de junho de 2021

Roschenbold Calenda: a oriente, tudo de novo

 

Roschenbold Calenda
A Roschenbold é uma empresa de Hong Kong que produz relógios baseados em movimentos mecânicos chineses. O seu mote é "Going Beyond the Date Complication", ou seja, ir para além da complicação de data. E basta uma rápida vista de olhos pelas suas coleções para perceber o quanto a marca leva essa ideia a sério.

Neste momento, a Roschenbold tem apenas três coleções, cada uma delas com algumas (poucas) variantes ao nível de cor do mostrador e bracelete: Calenda (este que vos trago hoje), com big date em janela dupla e calendário analógico através de dois sub-mostradores que exibem o mês e o dia da semana; Intervalo, um bonito cronógrafo mecânico; e Volante, aquele de que gosto menos, e que oferece um mostrador tipo open heart com exposição do balanço e dia e data através de dois sub-mostradores.

Nada sei sobre a empresa além daquilo que pode ser observado no seu website, mas gosto da transparência (por exemplo, são claros ao indicar que o seu centro logístico está em Hong Kong e que é daí que os relógios serão enviados, muito embora estejam a considerar abrir armazéns na Europa em breve) e do facto de terem poucas coleções, mas bem executadas.

Como disse no início, os movimentos utilizados são de origem Seagull mas que a Roschenbold regula para uma precisão melhorada. Além disso, têm todos decoração, algo que pode ser observado pelas tampas em vidro presentes em todos os modelos.

Além dos movimentos, a marca claramente optou de forma consciente por economias de escala, ao dotar todos os seus modelos de desenhos, caixas e braceletes idênticas, sem por isso deixar de criar uma identidade própria e peças com um desenho elegante e original.

Regressando a este Calenda, na sua variante Charcoal, praticamente tudo nele é do meu agrado, a começar pela complicação de "grande data" através de dois discos, na posição das 12h00., cortesia do movimento Seagull  ST2527. A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro e resistência à água de 5 atmosferas. A bracelete, em pele, possui fecho tipo borboleta; está disponível uma variante um pouco mais cara que inclui, além desta, uma bracelete em aço de malha milanesa.

A relativamente grande altura da caixa (15mm) é a maior incógnita sobre a forma como este relógio ficará no pulso e poderá ser usado no dia-a-dia.

O mostrador é, talvez, o aspeto mais original deste relógio, com o nome da marca orgulhosamente inscrito entre as 10h30 e as 1h30 e sem quaisquer índices ou numerais  mas com uma escala de tipo "caminho-de-ferro" modificada para uma melhor granularidade na leitura dos minutos/segundos. O vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

Se, ao longo do artigo, foi clicando nos links, já deve ter percebido porque é que este relógio com aspeto de custar largas centenas de euros, está aqui: o seu PVP é de apenas 358,95€. É verdade que vem de Hong Kong, o que irá certamente levar à cobrança de taxas de alfândega. Mas, caso a promessa da Roschenbold em abrir um centro logístico na Europa se concretize, este relógio será certamente um dos próximos da minha coleção.



6 de junho de 2021

Deep Blue Master 1000 Chronograph: pau para toda a obra


Normalmente, gosto de falar de relógios que eu mesmo compraria; no entanto, este Deep Blue não é para mim, devido à sua caixa com um diâmetro um pouco fora do que considero razoável para o meu pulso: 45mm. Mas, como ainda assim o considero interessante, vale bem uma referência, até porque estamos a chegar ao Verão... 

Deep Blue Master 1000 Chronograph é um modelo desportivo particularmente polivalente, uma vez que conjuga a funcionalidade de um relógio de mergulho com um cronógrafo e ainda oferece a complicação de dia e data, o que o torna num prático daily driver.  

O movimento usado é o Miyota 0S10, uma evolução do 0S00 de que já aqui falámos anteriormente, que tem agora a funcionalidade de quick reset do cronógrafo, como acontece nos cronos mecânicos. Além disso, o layout de três sub-mostradores às 12, 6 e 9 horas com dia e data às 3h00 remete-nos de imediato para os cronógrafos automáticos baseados no ETA 7750.

Como disse logo no início, este é um relógio grande, com caixa 45mm de diâmetro, e que oferece resistência á água até 300 metros, ou seja, 1000 pés – o que explica a referência no nome. A coroa às 10h00 é uma válvula de hélio manual, o que significa que pode ser usado em mergulho de saturação. O bisel, unidirecional, é de 120 cliques, em alumínio (menos resistente do que projetos semelhantes, embora mais caros, com biséis em material cerâmico).

O resto da execução não está mesmo nada mal para o preço pedido (333 dólares), uma vez que inclui vidro de safira e bracelete em aço. Apesar de não surgir no website europeu da marca, qualquer modelo presente no site dos EUA pode ser adquirido também a partir da Europa, evitando assim chatices com impostos. Uma versão com bracelete em borracha é ainda mais acessível (249 dólares).