13 de janeiro de 2021

Citizen Promaster Tough

 


Ando para referenciar este Citizen já há algum tempo, mas só hoje houve oportunidade (so many watches, so little time...). Trata-se de um relógio de mergulho com movimento de quartzo e algumas características interessantes que o tornam único. E, claro, como é muito apreciado pela comunidade, a marca decidiu... descontinuá-lo. Que surpresa! (not...).

E o que torna este Citizen Promaster Tough em algo que valha a pena realçar no meio de milhares de relógios que, pelo menos pelo aspeto, parecem iguais? A resposta está no nome: é mesmo... forte! E basta clicarem na foto do lado direito para começarem a perceber porquê. Notam alguma coisa estranha? Ah, pois é... Não tem tampa! A caixa, de 42mm de diâmetro, é construída como um monobloco e o movimento é montado por cima, ao contrário do que sucede normalmente (já há uns anos fiz uma referência a um Citizen com este tipo de construção).

Além disso, a Citizen colocou também cuidado adicional no material da caixa propriamente dito, indicando ter usado uma liga de aço inoxidável (até aí, tudo normal) com um revestimento a que chama "Super Titanium" aplicado não apenas na caixa como na bracelete, e que oferece uma resistência 5 vezes superior à do aço, é anti-magnético e possui propriedades hipo-alérgicas. A execução inclui ainda índices e ponteiros com aplicação de superluminova, vidro de safira e coroa de rosca.

O movimento usado é o calibre de quartzo Citizen E168 com data e alimentação através da luz, usado também em diversos outros modelos da marca, e é a chave para se puder ter usado aqui uma caixa monobloco, uma vez que não necessita mudar de pilha – a autonomia é de 6 meses após um carregamento completo. 

O preço de referência é de 495 dólares, mas pode (ainda) ser encontrado na Amazon Espanha por menos de 260 euros, já com portes.

6 de janeiro de 2021

AVI-8 Hawker Hunter Charcoal Ember Brown

 


Tenho uma confissão a fazer: gosto muito deste relógio. I know, right? É um bocado cheesy e o mostrador até é bem mais busy do que eu costumo gostar, mas tem um je ne sais quoi que não me deixa indiferente (acho que bati hoje o record de palavras estrangeiras no mesmo parágrafo...). 

É um relógio que foi lançado no final de 2020, fortemente promovido através das redes sociais nos últimos meses do ano passado. Acho que o que mais me agradou neste modelo da jovem AVI-8 foi o facto de não terem tido qualquer problema em fazê-lo, mesmo indo contra tudo o que o bom-senso indicaria.

Além disso, houve aqui também a coragem de usar um movimento (ainda que de quartzo) com complicações pouco comuns, como é o caso do cronógrafo retrógrado, no qual há ponteiros que, em vez de darem uma volta completa ao sub-mostrador, voltam ao início após percorrerem um determinado semicírculo (neste caso é o contador de minutos, na posição das 10h30). 

O nome completo é AVI-8 Hawker Hunter [o nome de um avião militar britânico] Charcoal Ember Brown [uma referência às cores do mostrador e da bracelete]. Tal como a foto sugere, mesmo sem qualquer referência, este é um relógio bastante grande, com uma caixa em forma de dodecágono (com 12 faces) resistente à água até 100 metros e diâmetro de 45mm.

O movimento usado, embora isso não seja referido no site da marca (que indica apenas a sua proveniência japonesa), parece ser um Seiko (SII) VK83, da gama "mecaquartz". Tal como outros da mesma família, utiliza um movimento de quartzo como base mas a parte do cronógrafo recorre a diversos mecanismos físicos que lhe dão um feel mecânico, como é o caso da reposição instantânea dos ponteiros do cronógrafo após uma medição de tempo intermédio.

A caixa em aço tem um bonito acabamento em PVD negro e só é pena que o vidro que protege o mostrador seja "apenas" mineral e não de safira, embora aqui a marca tenha tido o cuidado de aplicar um tratamento antirreflexo ao interior do vidro, que contribui para que pareça "invisível" quando olhamos para ele determinados ângulos. 

E é precisamente o mostrador que o coloca num patamar à parte, já que a marca o decidiu desenhar como se tratasse do painel de instrumentos de um avião, precisamente o Hawker Hunter. Mas há aqui mais atenção ao detalhe, como é o caso dos grandes ponteiros das horas e minutos que foram esqueletizados e, por isso, não interferem com a leitura do cronógrafo, mesmo que no momento da contagem do tempo estejam sobre os sub-mostradores.

O resultado final é tão bom que até "deixo passar" a data às 4h30, uma posição na qual não costumo gostar de a ver... O preço, a partir do site da empresa, é de uma razoáveis £220, já com portes incluídos para qualquer parte do mundo. Antes de comprar, vale a pena procurar este relógio nas redes sociais da AVI-8, pois é possível que esteja disponível algum cupão de desconto.

30 de dezembro de 2020

O que mais gostamos (ou não) num relógio


 


Se está a ler este post e é visitante assíduo do blog, já sabe que o que gostamos por aqui é mesmo de relógios bons, bonitos e baratos! Mas, preços à parte, cada um de nós tens os seus "deal breakers", as suas irritações, as coisas que não suportamos num relógio. Ou, pelo menos, em princípio... que não só cada caso é um caso, como os nossos gostos evoluem e há exceções para todas as regras. 

Além disso, dos três "B", só o primeiro não é subjetivo: o que é bonito para si pode não ser para mim; e o que é barato para mim pode ser caro para outras pessoas. E vice-versa, claro. Coisas que eu detesto poderão ser as mesmas que você adora. E determinados tipos de relógio podem fazer imenso sentido para mim mas para poucas mais pessoas. Como costumamos dizer em Portugal, "era terrível se todos gostássemos de amarelo". Ou de cor-de-laranja, como o Drake! :-)

A regra dos entusiastas da relojoaria (ou, pelo menos, dos que não são snobes dos relógios) é "compra aquilo de que gostas e que te faz sentir bem". Se o relógio em questão cumpre esse objetivo, então é isso, e isso apenas, que importa. O resto é snobeira. Ou deixar-nos levar pelo gosto dos outros.

Dito isto... Cada um de nós tem o seu gosto próprio, mesmo que esse gosto evolua à medida que evolui também a nossa coleção de relógios, o nosso orçamento, o nosso conhecimento... Neste artigo deixo-vos alguns dos meus "deal breakers", características e/ou funcionalidades dos relógios que fazem com que não olhe pare eles duas vezes. Mas também mostro como essas regras podem ter exceções.


Eis aquilo de que não gosto, sem qualquer ordem de importância:

Numerais romanos. ODEIO numerais romanos. No entanto, sou capaz de abrir algumas exceções, sobretudo nos mostradores onde os numerais romanos surgem apenas às 12h00, como neste caso.

Caixas douradas. ODEIO caixas douradas. E, no entanto, tenho um Tissot Stylist com caixa e mostrador (!) dourados de que gosto imenso... :-)

Mostradores demasiado "busy". Como se nota pela maioria dos relógios aqui mostrados, gosto sobretudo de relógios com mostradores simples e legíveis. Isto é o contrário disso.

Relógios demasiado pequenos... ou demasiado grandes. Da minha experiência, o sweet spot para o meu braço está entre os 38mm e os 42mm de diâmetro. Menos do 38mm será um relógio, para mim, "pequeno" e mais de 42mm não funciona muito bem no meu pulso (embora já tenha experimentado relógios de 43mm de que gostei).

Contrafações. Não confundir com relógios homage.

Relógios de quartzo digitais. E, contudo, acabo de comprar um Casio A-1000D...

Relógios sem data. A menos que seja um dress watch para usar apenas à noite ou numa ocasião social, prefiro relógios com complicação de data e, até de dia/data.

Relógios de marcas "fashion". Reconheço que é um pouco snobeira. Mas o problema é que um relógio de uma marca de moda raramente é um bom negócio, porque o que estamos a pagar é a estética (por vezes duvidosa...) e a marca e não necessariamente "a máquina". Há relógios de marcas de moda, algumas até bastante conhecidas e que chegam ao ponto de vender "cronógrafos" que de cronógrafo têm apenas a estética: os botões adicionais e os sub-mostradores não possuem qualquer funcionalidade!

Relógios de plástico. Penso que poderia abrir exceção para os Swatch, muito embora não tenha nenhum (mas já ofereci imensos!). 

Caixas quadradas ou retangulares. A menos que seja este (que não é B3, infelizmente).

Outros. Coisas como relógios de estética "diver" mas que depois não oferecem mais do que 50 metros de resistência à água; mostrador com demasiadas linhas de texto e/ou indicações supérfluas; determinadas fontes usadas nos numerais; determinadas conjugações de cor entre caixa, mostrador e bracelete...

E, já agora, deixo-vos um desafio: nos comentários, digam-me o que mais gostam e/ou não gostam num relógio. Bom Ano Novo para tod@s! O próximo post será colocado na primeira quarta-feira de janeiro de 2021.

23 de dezembro de 2020

Casio Lineage LCW-M170D-1AER

 


São raros que os relógios de que aqui falo tenham mostradores digitais. Mas penso que vale a pena olharmos com algum cuidado para este Casio Lineage, com a referência LCW-M170D-1AER. Existem três modelos além deste, todos com a caixa e bracelete em aço, mas com mostradores de cores diferentes (no link acima, encontram-se todas as variantes no site da Casio).

Ao contrário do que supus quanto vi a foto do relógio pela primeira vez, sem qualquer ponto de referência, pareceu-me que seria um pouco maior do que é na realidade, e ainda bem! A caixa mede 39,6mm de diâmetro, tem resistência à água de 5 atmosferas e o mostrador é muito bem desenhado, com índices aplicados em todas as posições horárias e uma janela horizontal entre as 5 e as 7 horas para a exibição de informações através de carateres alfanuméricos. 

Digno de nota é também o facto de este ser um relógio cujo mostrador é protegido por vidro de safira, o que não é frequente nesta gama de preços. 

O movimento "ana-digi" é, claro, de quartzo, alimentado pela luz solar e com a particularidade de poder ser acertado através de sinais de radiofrequência, muito embora a receção em Portugal do transmissor mais perto de nós, na Alemanha, não seja grande coisa.

A elegância e simplicidade da parte analógica do mostrador é equilibrada pela quantidade enorme de informação a que temos acesso, e que seria virtualmente impossível de exibir através de métodos analógicos tradicionais, sob pena de ficarmos a olhar para imensidade de ponteiros, escalas e sub-mostradores!

As funcionalidades oferecidas por este relógio incluem:

Função de horas mundiais (indica a hora atual nas principais cidades e em áreas específicas do mundo), cronógrafo, temporizador, alarme (até 5 alarmes diários), indicador do nível de carga da pilha, calendário perpétuo, em que o dia da semana pode ser indicado em idiomas diferentes e ainda indicação das horas em formato 12 ou 24 horas.

O preço de referência indicado pela Casio para este modelo é de 249€ e de 299€ para as outras referências. Na Amazon Espanha, podemos comprá-lo por menos de 190€, já com portes.

16 de dezembro de 2020

Junkers Cockpit 9.14.01.02.M

 


A Junkers é uma marca de que gosto muito, graças não apenas à sua excelente relação preço-qualidade, como à sua estética, de uma maneira geral muito bem conseguida. De resto, já aqui fiz uma análise detalhada a um cronógrafo automático da marca baseado no movimento ETA 7750 (a.k.a. Valjoux) e que continua a ser um dos preferidos da minha pequeníssima coleção.

Acontece que, em 2019, a marca deixou de ser produzida pela Pointtec, empresa alemã que é também responsável pelas marcas Zeppelin e Iron Annie. A licença de utilização do nome Junkers, que tinha uma duração de 25 anos, expirou e a família Junkers não a renovou, preferindo lançar-se, ela mesmo, no negócio da relojoaria, prescindir de distribuidores na maioria dos países (incluindo Portugal) e vender através do seu website.

Acontece que, pelo que já tive oportunidade de ver "na mão", os novos Junkers não estão ao nível das anteriores produções da Pointtec. A marca continua a incluir a menção "Made in Germany" nos mostradores, mas não se sabe muito bem quem é responsável pela sua montagem.

Dito isto, estes são relógios que continuam a ser bastante baratos para o resultado final. E, além disso, a marca Junkers consegui (graças à Pointtec em geral e, em Portugal, do seu distribuidor português, a SRI, em particular) ganhar algum prestígio ao longo das últimas duas décadas.

Este preâmbulo serve de aviso apenas a quem já comprou um Junkers na "era Pointtec" e agora contempla a opção de comprar um modelo mais recente: a qualidade poderá não ser aquela de que se está à espera.

O que nos traz a este cronógrafo da série Cockpit, o qual é baseada num movimento de quartzo infelizmente pouco usado, o Miyota 6S00, uma evolução do 0S00 de que aqui já falámos por diversas vezes. Trata-se de um movimento interessante uma vez que permite criar mostradores que, à primeira vista, parecem revelar a utilização de um ETA 7750, com os seus três sub-mostradores e a janela de dia e data às 3h00.

Face ao 0S00, este novo 6S00 oferece uma nova funcionalidade interessante: o ponteiro central, que conta os segundos em modo cronógrafo, tem um movimento de 4 "beats" por segundo, o que lhe dá um feel mecânico face ao tradicional movimento de um "beat" por segundo, típico dos movimentos de quartzo.

Quanto a este modelo em particular, a referência 9.14.01.02.M possui uma caixa em aço com acabamento polido de 42mm de diâmetro, vidro de safira e resistência à água de 5 atmosferas. A bracelete, igualmente em aço, complementa o relógio de forma bastante harmoniosa.

O mostrador, de fundo preto, possui um desenho simples, com numerais nas posições horárias, à exceção das 12, 3, 6 e 9 horas, devido à forma como foram implementados os submostradores e a janela de dia/data.

O preço é de 369€, o qual me parece perfeitamente justo face ao nível de execução aparente. Existem variantes com fundo azul e prateado, bem como variantes destes três modelos com braceletes em pele, com um preço de 340 euros.