16 de junho de 2021

Roschenbold Calenda: a oriente, tudo de novo

 

A Roschenbold é uma empresa de Hong Kong que produz relógios baseados em movimentos mecânicos chineses. O seu mote é "Going Beyond the Date Complication", ou seja, ir para além da complicação de data. E basta uma rápida vista de olhos pelas suas coleções para perceber o quanto a marca leva essa ideia a sério.

Neste momento, a Roschenbold tem apenas três coleções, cada uma delas com algumas (poucas) variantes ao nível de cor do mostrador e bracelete: Calenda (este que vos trago hoje), com big date em janela dupla e calendário analógico através de dois sub-mostradores que exibem o mês e o dia da semana; Intervalo, um bonito cronógrafo mecânico; e Volante, aquele de que gosto menos, e que oferece um mostrador tipo open heart com exposição do balanço e dia e data através de dois sub-mostradores.

Nada sei sobre a empresa além daquilo que pode ser observado no seu website, mas gosto da transparência (por exemplo, são claros ao indicar que o seu centro logístico está em Hong Kong e que é daí que os relógios serão enviados, muito embora estejam a considerar abrir armazéns na Europa em breve) e do facto de terem poucas coleções, mas bem executadas.

Como disse no início, os movimentos utilizados são de origem Seagull mas que a Roschenbold regula para uma precisão melhorada. Além disso, têm todos decoração, algo que pode ser observado pelas tampas em vidro presentes em todos os modelos.

Além dos movimentos, a marca claramente optou de forma consciente por economias de escala, ao dotar todos os seus modelos de desenhos, caixas e braceletes idênticas, sem por isso deixar de criar uma identidade própria e peças com um desenho elegante e original.

Regressando a este Calenda, na sua variante Charcoal, praticamente tudo nele é do meu agrado, a começar pela complicação de "grande data" através de dois discos, na posição das 12h00., cortesia do movimento Seagull  ST2527. A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro e resistência à água de 5 atmosferas. A bracelete, em pele, possui fecho tipo borboleta; está disponível uma variante um pouco mais cara que inclui, além desta, uma bracelete em aço de malha milanesa.

A relativamente grande altura da caixa (15mm) é a maior incógnita sobre a forma como este relógio ficará no pulso e poderá ser usado no dia-a-dia.

O mostrador é, talvez, o aspeto mais original deste relógio, com o nome da marca orgulhosamente inscrito entre as 10h30 e as 1h30 e sem quaisquer índices ou numerais  mas com uma escala de tipo "caminho-de-ferro" modificada para uma melhor granularidade na leitura dos minutos/segundos. O vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

Se, ao longo do artigo, foi clicando nos links, já deve ter percebido porque é que este relógio com aspeto de custar largas centenas de euros, está aqui: o seu PVP é de apenas 358,95€. É verdade que vem de Hong Kong, o que irá certamente levar à cobrança de taxas de alfândega. Mas, caso a promessa da Roschenbold em abrir um centro logístico na Europa se concretize, este relógio será certamente um dos próximos da minha coleção.



6 de junho de 2021

Deep Blue Master 1000 Chronograph: pau para toda a obra


Normalmente, gosto de falar de relógios que eu mesmo compraria; no entanto, este Deep Blue não é para mim, devido à sua caixa com um diâmetro um pouco fora do que considero razoável para o meu pulso: 45mm. Mas, como ainda assim o considero interessante, vale bem uma referência, até porque estamos a chegar ao Verão... 

Deep Blue Master 1000 Chronograph é um modelo desportivo particularmente polivalente, uma vez que conjuga a funcionalidade de um relógio de mergulho com um cronógrafo e ainda oferece a complicação de dia e data, o que o torna num prático daily driver.  

O movimento usado é o Miyota 0S10, uma evolução do 0S00 de que já aqui falámos anteriormente, que tem agora a funcionalidade de quick reset do cronógrafo, como acontece nos cronos mecânicos. Além disso, o layout de três sub-mostradores às 12, 6 e 9 horas com dia e data às 3h00 remete-nos de imediato para os cronógrafos automáticos baseados no ETA 7750.

Como disse logo no início, este é um relógio grande, com caixa 45mm de diâmetro, e que oferece resistência á água até 300 metros, ou seja, 1000 pés – o que explica a referência no nome. A coroa às 10h00 é uma válvula de hélio manual, o que significa que pode ser usado em mergulho de saturação. O bisel, unidirecional, é de 120 cliques, em alumínio (menos resistente do que projetos semelhantes, embora mais caros, com biséis em material cerâmico).

O resto da execução não está mesmo nada mal para o preço pedido (333 dólares), uma vez que inclui vidro de safira e bracelete em aço. Apesar de não surgir no website europeu da marca, qualquer modelo presente no site dos EUA pode ser adquirido também a partir da Europa, evitando assim chatices com impostos. Uma versão com bracelete em borracha é ainda mais acessível (249 dólares).



26 de maio de 2021

Tissot Seastar 1000 POWERMATIC 80: um "diver" suíço B3

 

Os relógios de mergulho são uma das categorias mais populares entre os microbrands. Contudo, relógios como este Tissot Seastar 1000 tornam algumas propostas de valor difíceis de engolir.

Este é um relógio de uma marca suíça com grande tradição, fabricado na Suíça, com movimento suíço ETA Powermatic 80, vidro de safira e caixa em aço com elevada resistência à água... que custa menos de 700 euros (na Amazono PVP de referência é de 760€).

Depois, é também um relógio com uma estética própria, em vez de enveredar pelo caminho habitual das cópias mais ou menos conformes ao clássico Rolex Submariner. Na verdade, para o meu gosto, até prefiro este Tissot, não apenas nas proporções globais mas em detalhes como a janela de data às 6h00 (em vez de não ter data ou esta surgir às 3h00) que contribui para a simetria do mostrador mesmo oferecendo uma complicação útil para o dia-a-dia.

A caixa tem uma dimensão que está no limite para mim (43mm), mas tem uma espessura razoável para um relógio deste tipo (12,7mm) com resistência à água de 300m. O vidro que protege o mostrador é de safira e, no fundo, encontramos novamente vidro de safira para observação do movimento. A coroa, como sucede em relógios deste tipo, é naturalmente de rosca. O bisel, unidirecional, é em material cerâmico.

O já referido movimento Powermatic 80 é baseado no ETA 2824-2 e é usado pela marca também em dress watches. O número 80 refere-se às horas da reserva de marcha, conseguidas através da utilização de um tambor de corda melhorado e, infelizmente, pela redução da frequência de funcionamento de 4Hz para 3Hz.

Como disse no início, este é um relógio que se consegue comprar na Amazon Espanha por menos de 700€. Para o que nos é aqui oferecido e tendo em conta o habitual nível de execução da marca, é difícil não olhar para ele como uma excelente proposta B3.

19 de maio de 2021

Citizen Super Titanium NJ2180: um automático a preço de quartzo!

 

A Citizen é uma marca com lugar cativo aqui no blog, dada a sua enorme gama de relógios B3. Acontece que, ao contrário da Seiko, por exemplo, o que encontramos habitualmente na gama Citizen são modelos de quartzo, nomeadamente os que utilizam movimentos Eco Drive, ou seja, alimentados pela luz.

Contudo, na nova gama Super Titanium da marca (efetivamente composta, como é habitual, por modelos com movimentos de quarto) encontramos um dupla proposta com calibre mecânico automático: os modelos NJ2180 declinados nas variantes 89L, com mostrador azul (o da foto) e 89A, com mostrador em branco.

Em qualquer dos casos, estamos na presença de dois belíssimos dress watches, com dimensões corretas (caixa com 40mm de diâmetro) e vidro de safira. Ambos usam o movimento automático Citizen 8210 com data às 3h00, o qual é designação da marca para o popular Miyota 8215 que a Citizen vende para outras marcas.

Esta nova gama, como nome indica, consiste inteiramente em relógios com caixas e braceletes em titânio (em toda a gama, só existe um modelo com bracelete em pele). A Citizen explica também a razão pela qual chama à liga metálica que utiliza "super titânio": graças a uma tecnologia de produção própria, o titânio usado nestes relógios é 5 vezes mais resistente ao desgaste e, por isso, menos propenso a ficar facilmente riscado, mantendo o seu peso reduzido — cerca de 40% mais leve do que o seu equivalente em aço. Neste caso, o peso total deste relógio, com a bracelete em titânio, é de apenas 94 gramas.

O relógio, em si, é bastante simples, pese embora o resultado final seja bastante do meu agrado. A sua característica mais saliente consiste no mostrador com índice aplicados e cujo fundo, quer na versão em branco quer na azul, apresenta uma interessante textura raiada.

A caixa, com uma mera resistência à água de 3 atmosferas, oferece contudo fundo transparente para observação do movimento.

Resta-nos o preço. O valor de referência para este modelo é de 298€, um preço justo para o que aqui é oferecido e que é pouco superior ao de outras propostas similares na mesma coleção, mas que utilizam movimentos de quartzo. À data deste post, encontra-se à venda na Amazon Espanha por cerca de 280€.

12 de maio de 2021

Elysee Vintage Chrono: o charme discreto de um cronógrafo clássico

 


A Elysee Watches é uma marca alemã que começo por respeitar pela honestidade que demonstra ao contar a sua história

Ao contrário de muitas marcas que desapareceram durante décadas e foram recentemente compradas por grupos que pouco têm a ver com a relojoaria (e que pretendem apenas capitalizar no nome para fazer uns dinheiros rapidamente) a Elysee até podia fazer render peixe e salientar que foi fundada em 1920 por um relojoeiro suíço – o que é factualmente verdadeiro!

Contudo, a marca prefere salientar a data do seu "reboot" alemão, em 1960, e que deu efetivamente origem à empresa que hoje se apresenta ao mercado.

A gama da Elysee não é nada de especial, mas tem o condão de me parecer honesta: os seus desenhos são clássicos, os movimentos são de boa qualidade, quer os suíços, quer os japoneses. E os preços são... como gostamos aqui no blog! :-)

As máquinas mais caras oferecidas pela marca são cronógrafos baseados no movimento ETA Valjoux 7750, em torno dos 1.500€, mas o modelo que vos trago é outro e, sendo igualmente um cronógrafo, é bem mais acessível. Trata-se do Vintage Chrono com a referência 80550 e cujo preço de referência, vendido a partir do site da empresa, é de 295€, com portes grátis para Portugal.

Como se pode ver pela imagem, o relógio é muito bonito, com um estilo clássico que a Elysee define como sendo "ao estilo dos anos 30". Na prática, é muito parecido com os cronógrafos da Longines, muito embora eu até me atreva a dizer que este é mais bonito!

Claro que, por este preço, e ainda por cima um cronógrafo, o movimento usado é de quartzo. No entanto, a escolha caiu sobre o TMI VK76 da Seiko, um mecha quartzassociado ao movimento de quartzo que nos dá as horas, minutos, segundos e data, a Seiko introduziu alguns elementos mecânicos que dão um feel analógico à parte do cronógrafo, nomeadamente no movimento suave do ponteiro dos segundos central, bem como ao reset instantâneo.

As proporções são as de um dress watch, com caixa em aço de 40mm de diâmetro, infelizmente quase sem resistência à água (3 ATM), mas com vidro de safira a proteger o mostrador. A implementação da janela de data às 3h00 contribui para o desenho clássico, o mesmo acontecendo com a utilização de numerais em todas as restantes posições horárias, os quais são aplicados e não pintados.

A versão 8055S, com bracelete em aço é proposta por 335€, e existe ainda a variante 80552, com o mostrador azul e caixa em aço com plaqué em ouro, por 315€.