25 de novembro de 2020

Steinhart Ocean One GMT BLACK



Percebo o apelo, mas eu jamais consideraria comprar ou usar uma contrafação. Para mim, se cobiço um Rolex (e não, não cobiço...), ou arranjo dinheiro para comprar the real thing ou então assumo que é algo que está fora do meu alcance. Compreendo, e não julgo quem decida fazê-lo, mas não é certamente algo que acho que (para mim) faça sentido.

Caso bem diferente é o (vasto) mundo dos relógios ditos "de homenagem", normalmente apelidados através da designação francesa, hommage. E é óbvio que é na presença de um desses relógios que estamos quando olhamos para o Steinhart Ocean One GMT Black, que foi buscar bem mais do que inspiração ao lendário Rolex GMT Master

A diferença, além da marca, do nível de execução e do movimento usado, está no preço, claro. Enquanto o relógio alemão custa uns razoáveis 510 euros, os valores dos Rolex, dependendo das variantes, começam nos 10.000 euros e vão por aí fora!

Mas porque é que o Steinhart não pode ser considerado uma contrafação, quando é óbvio que tentou emular todos os detalhes do clássico Rolex? Porque é claro para toda a gente que se trata de um Steinhart! Uma contrafação vai mais além e irá copiar também tudo o resto, incluindo a marca, logótipos, etc. E, pelo contrário, quem produz uma contrafação não está sequer muito preocupado com a qualidade do produto final, enquanto a Steinhart é uma marca que se orgulha das suas criações e utiliza movimentos automáticos suíços genuínos.

Claro que, logo aqui temos uma diferença fundamental: enquanto as complicações oferecidas são as mesmas (segundo fuso horário e data), os movimentos são bastante diferentes, com o calibre in-house da Rolex a oferecer reserva de marcha de 70 horas (50 horas no ETA 2893-2 usado pela Steinhart); além disso, este Rolex (e, na verdade, todos os Rolex) tem certificação de cronómetro, pelo que a sua precisão será sempre superior à do Steinhart.

Mas há também diferenças na maneira com as complicações foram implementadas, com a função GMT no Rolex a permitir o acerto mais fácil e preciso do segundo fuso horário, e de forma completamente independente da hora principal.

E no entanto... Enquanto eu jamais conseguiria justificar gastar uma dezena de milhar de euros num relógio, consigo imaginar-me perfeitamente a adquirir o Steinhart pelos 510€ pedidos pela marca.
A Steinhart tem ainda algumas vantagens face à Rolex, nomeadamente o facto de oferecer este relógio com caixas de 39mm, 42mm (no caso deste modelo em particular) e 44mm (esta última, de proporções não muito conseguidas, quanto a mim); o Rolex está apenas disponível com caixa de 40mm.

Note-se também que, quanto à caixa, a proporção não é tudo. A Rolex usa uma liga especial de aço, designada "oystersteel" (e que dá o nome ao relógio), também designado por aço 904L, o qual é muito mais resistente aos riscos e à corrosão do que o aço 316L usado pela Steinhart e pela maioria da indústria relojoeira.

Já uma vantagem do relógio alemão é que a sua caixa é resistente à água até 300 metros, enquanto a do Rolex, que assume dessa forma a vertente mais cosmopolita neste modelo em particular, se fica pelos 100 metros. Claro que não esperamos que ninguém leve qualquer um destes relógios para fazer mergulho mas, no caso do Steinhart, ficamos pelo menos a saber que podemos

Por falar em mergulho, chamo a atenção para uma funcionalidade interessante deste relógio, e que segue a implementação pioneira da Rolex: o bisel (luneta) que, num relógio de mergulho vem normalmente graduado em minutos, para controlar o tempo de mergulho, surge aqui numa graduação de 24 horas. Isto deve-se à sua funcionalidade GMT, na qual o segundo ponteiro das horas (o que tem uma seta na ponta) dá uma volta completa ao mostrador ao longo de um dia e aponta, assim, para a escala exterior indicada no bisel. Note-se que no caso da Rolex, este bisel pode ser rodado nos dois sentidos mas, no Steinhart, é unidirecional.

A execução da Steinhart inclui vidro de safira com duplo revestimento antirreflexo no interior, a tradicional lente sobre a janela de data (aqui, pelo que tenho lido, muito menos potente na ampliação do que no "ciclope" da Rolex), e bracelete em aço com mola de libertação rápida. O preço, como já indiquei acima, é de 510€, diretamente no site da empresa, acrescido de portes que, para Portugal, são de 15 euros.

22 de novembro de 2020

RelógiosPT é agora RelógiosB3

 

RelógiosPT.eu é agora RelógiosB3! O URL da página do blog mudou também para www.relogiosb3.pt, muita embora o endereço relogiospt.eu se mantenha (mas redireciona para o novo). O logótipo do site ainda diz "RelógiosPT" mas será mudado em breve.

Há vários motivos para esta alteração. A primeira é a confusão recorrente com o site www.relogios.pt, que é um site de comércio eletrónico com o qual esta página e este blog nada têm a ver.

A segunda é que, no momento em que registei a página, ainda não tinha criado o conceito "B3", o qual entretanto passou a ser uma espécie de "imagem de marca" do site.

De qualquer forma, a única coisa que mudou foi mesmo o nome, tudo o resto se mantém.

A página deste blog no Facebook mudou também de nome.

18 de novembro de 2020

Sternglas Ivo

 

A marca alemã Sternglas anda a bombardear-me com anúncios diariamente, nas redes sociais. Presumo que a vocês também: o algoritmo do Facebook "sabe" que gostamos de relógios e identifica-nos como alvos preferenciais desta publicidade.

Contudo, ao contrário de outras marcas que devem o seu sucesso às redes sociais, a Sternglass é, pelo menos, original e parece ser liderada por alguém que sabe o que faz e, melhor ainda, tem paixão pelo que faz.

Não há aqui nada de fundamentalmente novo, claro. Mas o resultado agrada-me. Muito. O conceito é simples: relógios elegantes de "estética escandinava", "made in Gemany", com movimentos de quartzo suíços (Ronda) e automáticos japoneses (Citizen/Miyota). O resto? Caixas em aço, vidros de safira, braceletes em pele... e preço (muito) razoável.

O modelo que vos trago hoje, e que inaugura o que deverá ser uma série de referências à marca, é o Ivo. Há duas variantes. Esta, com mostrador branco e sub-mostrador de pequenos segundos em verde; e uma com o mostrador em verde (muito) escuro, mas que se encontrava esgotada à data em que escrevo estas linhas (início de Novembro).

Entre os dois até prefiro o primeiro mas, como está esgotado, resolvi trazer-vos o Ivo com mostrador branco. Como podem ver, o mostrador é tipicamente "escandinavo", muito legível e com índices discretos nas posições horárias. As complicações de "Big Date" às 13h00, com a dupla janela, surge perfeitamente equilibrada com o sub-mostrador, preto, de pequenos segundos às 6h00, cortesia da funcionalidade oferecida pelo movimento de quartzo Ronda 6004.B.

A caixa, em aço, tem 40mm de diâmetro e apenas 7mm de espessura. O resto da execução inclui vidro de safira (presente em todos os modelos e variantes da marca), resistência à água de 5 atmosferas e bracelete preta em pele genuína. A partir do site da Sternglas, o relógio tem um preço de 269€ + portes. Estão também disponíveis diferentes braceletes

[update em 20/11/2020] O Ivo com mostrador escuro ("Smokey Green") está novamente em stock e quer este quer o modelo branco têm agora um PVP reduzido, de 239€!

11 de novembro de 2020

O relógio de Bill Gates custa $50!

 


Não tenho jeito para "click bait", por isso começo já pelo fim: sim, é verdade -- o relógio preferido do segundo homem mais rico do mundo é um Casio MDV106-1AV que custa menos de 50 dólares. Claro que Bill Gates podia comprar basicamente qualquer relógio que quisesse. Mas ele é um homem pragmático e, se bem que tenha gostos caros, por exemplo em automóveis, no que diz respeito a relógios qualquer um de nós podia usar o mesmo que ele.

E sim, isto significa que devemos usar o que funciona para nós e que o preço do relógio que temos no pulso não significa que sejamos ricos ou pobres. Pode, no entanto, revelar se temos ou não bom gosto, claro! :-)

O caso de Gates é talvez extremo, mas a realidade é que, a menos que o bilionário em questão seja um fã de relojoaria, é relativamente comum encontrarmos pessoas famosas e/ou muito ricas que usam no dia-a-dia relógios que estão ao alcance de meros mortais.

Neste vídeo, que foi onde encontrei a referência ao Casio do fundador da Microsoft, descobrimos também os relógios usados pelo homem mais rico do mundo (Jeff Bezos, o fundador da Amazon), do CEO da Tesla, Elon Musk, e do fundador da Oracle, Larry Elison.

  

5 de novembro de 2020

Pulsar PT3AxxX1 Chronograph


 

Em meados de Agosto passado recebi um press-release sobre estes relógios, mas fiquei com uma dúvida que demorei algum tempo a esclarecer, o que levou a que só agora tivesse a oportunidade de escrever uma referência.

E a minha dúvida era esta: o preço indicado para estes Pulsar é de 99€. Mas há duas variantes com bracelete em aço e outras duas com bracelete em pele. Não serão as primeiras um pouco mais caras? E a resposta é: não, não são. Qualquer uma das quatro referências deste cronógrafo de quartzo têm efetivamente o mesmo preço.

Os mais atentos saberão que a Pulsar é uma das marcas low cost do grupo Seiko – um pouco menos low cost do que a Lorus, que também faz parte do grupo japonês.

Já tive alguns Pulsar na mão (embora não estes em concreto) e posso confirmar que parecem um pouco mais caros do que são... mas não muito mais! É um excelente exemplo de you got what you paid for. No entanto, não creio que isso seja uma coisa má.

Até porque ao contrário de marcas como a Timex, em que é frequente a utilização de materiais menos nobres (resina sintética e latão em vez de aço e mostradores em "vidro" acrílico...), o que temos neste caso é uma caixa em aço com um diâmetro de 43mm, resistência à água até 10 atmosferas e vidro mineral para proteger o mostrador.

O desenho é bastante bonito e se algumas variantes são bastante desportivas, outras até permitem olhar para este relógio como um dress watch. De todo o desenho, só não só muito apreciador da janela de data às 4h30, mas aqui até surge bem implementada.

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[Edit] Este post foi originalmente escrito, erradamente, como se o relógio fosse um Lorus e não um Pulsar. Foi reeditado e corrigido em 5/11/2020.