15 de outubro de 2021

Citizen CB5916-59L: ouro sobre azul

 


Há relógios que contrariam o (meu) senso comum. Este cronógrafo da Citizen, por exemplo, contém elementos de que eu habitualmente não gosto, como é o caso da cor dourada, da data às 4h00 ou do aspeto geral algo busy. E, contudo, o resultado final resulta extremamente bem (para mim, claro), provando assim que o que realmente interessa não são os aspetos de design vistos de forma individual, mas sim a forma como eles se conjugam.

Este cronógrafo tem a referência CB5916-59L e surge no website britânico da marca japonesa com um preço de referência algo elevado (para uma máquina com movimento de quartzo) de 529 libras. No entanto, o conjunto oferece funcionalidades e possui características que de certa forma justificam o preço pedido.

Entre elas, encontramos uma caixa em aço de 43mm de diâmetro protegida por vidro de safira e com uma generosa resistência à água de 200 metros, o que lhe permite uma utilização em praticamente qualquer cenário, incluindo mergulho.  

O mostrador, azul, conjuga-se muito bem com a luneta dourada, onde encontramos uma escala taquimétrica. As complicações incluem cronografo, mas os três sub-mostradores suportam mais algumas funcionalidades interessantes. 

Para começo de conversa, o movimento de quartzo E600 (alimentado pela luz) usado inclui sincronização automática da hora através de sinais de rádio de relógios atómicos em todo o mundo. depois, temos também direito a um indicador de reserva de marcha, um indicador de 12/24 horas e, ainda mais interessante, a um calendário perpétuo e alarme. 

No final, e bem vistas as coisas, temos que reconhecer que cerca de 550€ por este relógio até não será assim tanto.

25 de setembro de 2021

Timex MK1 Mechanical: um field watch mecânico acessível

 


O field watch foi definido há décadas pela Hamilton, quando ainda era uma empresa norte-americana (hoje é suíça e faz parte do Grupo Swatch), através do antecessor do que é hoje o Khaki Field Mechanical, usado pela NATO nos anos 60. O DNA consiste num mostrador com dupla escala (12/24 horas) com numerais árabes e de elevada legibilidade, um movimento mecânico de carga manual e uma caixa em aço de dimensões não superiores a 38mm.

O acesso ao já referido clássico Hamilton faz-se desembolsando uma soma próxima dos 500€ (dependendo das versões, bracelete, acabamentos, etc.). Existem máquinas mais acessíveis, mas não é fácil encontrá-las baratas com um movimento mecânico de carga manual, características e desenho fiéis ao original.

Isto é, até agora. Apresento-vos o Timex MK1 Mechanical. À primeira vista, é fácil confundi-lo com o Hamilton que lhe serviu de inspiração. E, ao contrário do que sucede tantas vezes com a Timex, o que temos aqui até é uma máquina decente. Ou seja, nada de caixa em latão (esta é em aço, resistente à água até 50m) ou de movimento de quartzo: à semelhança da referência original, a marca usou aqui um movimento mecânico de carga manual! R-E-S-P-E-C-T!

O desenho é, também ele, puro field watch, onde não falta a dupla escala horária 12/24 horas para melhor identificação da chamada "hora militar", que consiste em designar as horas numa nomenclatura entre as 00h e as 23h, em vez de apenas 1-meio-dia (noite/manhã) e 1-meia-noite (tarde/noite).

Uma vez que se trata de um Timex, podemos contar com um preço acessível, e assim é. O preço de referência, no site da Timex nos EUA, é de 185 dólares, o que significa que, quando chegar por cá (ainda não o vi nas Amazon europeias) não deverá vender-se por mais de 150€.

Claro que há compromissos. A diferença de preço para um Hamilton não tem só a ver com a marca... A primeira coisa que devemos ter em consideração é a caixa, que neste caso é de apenas 36mm e não de 38mm como no caso da nossa referência. Depois, a bracelete é têxtil e, a fazer fé no que é habitual na Timex, a qualidade não deverá ser nada de especial; no caso do Hamilton, há também uma bracelete têxtil, mas é uma verdadeira NATO, ao contrário desta.

E, claro, temos depois o movimento. Um pesquisa rápida pela Web permite identificar o movimento usado pela Timex como um Seagull de origem chinesa, quando a Hamilton utiliza o moderno e fiável H50, uma versão do ETA 2801-2 com uma autonomia de 80 horas.

No entanto, por bem menos de 200€, não me vou queixar. O que temos aqui é um belo field watch a um preço justo. Agora, o que era mesmo bom, era uma versão de 38mm...

22 de agosto de 2021

RZE Valour Cruzaderwhite: um cronógrafo apetecível

 

A maioria dos entusiastas de relojoaria (eu incluído) é um bocadinho snob no que diz respeito aos movimentos. O mais certo é olharmos de lado para qualquer coisa que não tenha um movimento mecânico lá dentro. :-) Mas não tem que ser necessariamente assim. Diria mais, não deve ser assim.

Os relógios com movimento de quartzo oferecem duas coisas que dificilmente encontramos nos seus congéneres mecânicos. A saber, precisão e fiabilidade (fiabilidade, no sentido de não necessitarem de manutenção, além da mudança da pilha -- e, no caso dos quartzo alimentados pela luz, nem isso!). 

Neste momento, a minha pequena coleção inclui dois cronógrafos, um Tissot com movimento de quartzo; e um Junkers com um movimento automático ETA 7750. Ambos me dão grande prazer sempre que os coloco no pulso, mas tenho de admitir que gosto mais do Junkers. Acontece contudo que eu, como, de resto a maioria dos que usam cronógrafos, nunca (ou quase nunca) uso a complicação de cronógrafo. Mas, se a utilizasse de forma regular, iria obter resultados mais precisos de registo de tempos intermédios com o Tissot. Alguém acha que os equipamentos de cronometragem dos Jogos Olímpicos usam relógios mecânicos?!

Os movimentos cronógrafos Seiko da série VK são muitas vezes designados "movimentos híbridos" ou "mecha-quartz", porque a parte do cronógrafo utiliza diversos elementos mecânicos e, além disso, o ponteiro dos segundos tem um movimento relativamente suave, em vez de avançar a cada segundo. A vantagem consiste na conjugação de operação do cronógrafo com um feel mecânico, mas com a precisão que só o quartzo consegue oferecer. Não será o melhor dos dois mundos, mas anda lá perto!

E é precisamente a variante VK64 que encontramos aqui neste bonito e original cronógrafo da micro-marca RZE. Trata-se da variante com mostrador branco e sub-mostradores pretos ("panda") da gama Valour, que resulta num relógio particularmente bem conseguido e com um desenho de alguma originalidade... pelos menos tanto quanto é possível seguindo de perto as regras de desenho de um cronógrafo tradicional.

As especificações são uma conjugação de tudo o que aqui costumo reivindicar e que considero basicamente perfeitas: caixa em titânio com 42mm de diâmetro, resistência à água até 200 metros, vidro de safira e um mostrador muito equilibrado e bem desenhado, com os dois sub-mostradores às 3h00 e 9h00 e uma janela de data ás 6h00. 

E, por falar em bem desenhado, chamo a atenção para a maior originalidade deste projeto, que é a forma discreta e muito bem integrada como foram implementados os poussoirs do cronógrafo. Outro detalhe elegante é também a forma seamless como as asas parecem fazer parte da caixa e não um mero acrescento. O resultado é um relógio que é tão bonito com pulseira em borracha, como com bracelete em titânio -- muito embora esta última seja mais do meu agrado.

O mostrador oferece grande visibilidade também no escuro, com aplicação de superluminova nos índices e nos ponteiros principais.

É possível arranjar cronógrafos baseados no Seiko VK64 a preço inferior ao deste RZE, mas não encontrei nenhum tão bonito nem tão equilibrado em termos de características e desenho. O preço, a partir do website europeu da marca, e já com portes incluídos, é de 369€ para a variante com pulseira em borracha e de 459€ para a que inclui esta mas também uma bracelete em titânio. 

Estão também disponíveis variantes com mostrador em "salmão" e uma outra com caixa revestida a PVD negro.

28 de julho de 2021

Meccaniche Veneneziane Redentore: um clássico italiano

 

Maccaniche Veneneziane Redentore


Falei pela primeira vez na Meccaniche Veneziane em 2017, num post sobre o modelo Redentore Ardesia. Muitos microbrands aparecem e desaparecem com a mesma rapidez, mas a Meccaniche Veneziane parece ter vindo para ficar, uma vez que o seu site mostra uma gama crescente de modelos, entre eles a geração 2021 do referido Redentore.

Nunca tive qualquer um destes modelos na mão, mas tudo indica que o nível de execução aparente não só se manteve, como foi melhorado. Estes são dress watches de dimensões corretas (40mm) com duplo acabamento acetinado/escovado e braceletes em aço.

Existem várias variantes do Redentore. A que vos trago hoje tem a referência 1301008J, a qual conjuga um mostrador preto com ponteiros de esmalte azul, de belo efeito.

Além de alguns detalhes, que se notam sobretudo nos índices aplicados, há uma grande diferença entre estes novos modelos e o Redentore original: o movimento, que era um Miyota 8210A, é agora um SII (Seiko) NH35A, ao qual a marca dá a designação interna de MV145. A caixa tem resistência à água de 100 metros e o vidro de safira que protege o mostrador recebeu tratamento antirreflexo. 

O fundo é aparafusado, uma técnica que não garante tanta resistência à água (é por isso que os relógios de mergulho normalmente têm fundos roscados) mas, por outro lado, permitem um alinhamento preciso de qualquer elemento decorativo. Que, neste caso, é a figura da Igreja Il Redentore (que dá o nome ao relógio) e que foi construída no século XVI, em Veneza.

Resta o preço. Os 455€ pedidos (compra a partir do site da marca) não são propriamente uma pechincha, especialmente dado o movimento usado. Contudo, dado o aparentemente elevado nível da execução e acabamento, acaba por não ser um valor exagerado.

21 de julho de 2021

Orient Kamasu: a busca pelo melhor diver terminou

 

Orient Kamasu

Ao longo dos anos, habituámo-nos a nomes como Mako, Ray ou Kamasu da extensa gama da Orient. Tanto quanto sei, estes não são nomes dados oficialmente pela marca japonesa (desde há algumas décadas adquirida pela Seiko, mas que mantém a sua identidade e independência) mas, ao que parece, pela sua subsidiária dos EUA.

É assim que encontramos a referência que hoje vos trago sob o nome Kamasu nos Estados Unidos mas, simplesmente com a referência oficial RA-AA0004E no site japonês. Estamos, contudo, na presença do mesmo relógio: um modelo que conseguiu receber da comunidade de entusiastas da relojoaria uma reação quase unânime, sendo muitos os que garantem que este é o melhor relógio de mergulho do mundo na gama de preços que se insere.

E que preço é esse, perguntarão os meus fiéis leitores, habituados a relógios B3? O valor de referência no site dos EUA é de 460 dólares mas, como vem sendo habitual no que diz respeito aos Orient, o preço que encontramos online é muito, muito inferior. Na Amazon Espanha está neste momento a ser vendido por apenas 230 euros (!), já com portes de envio para Portugal.

Este Kamasu, que também surge por vezes referenciado como "Mako III" (embora tal não faça sentido, porque uma das coisas que distingue os Mako de outros modelos de mergulho da Orient é a utilização de um misto de índices e numerais no mostrador, enquanto aqui temos apenas índices) tem proporções muito boas, a partir de uma caixa em aço com 21,8mm de diâmetro e 200 metros de resistência à água.

O movimento usado é o Orient F6922 automático, com paragem de segundos (hacking) e possibilidade de corda manual. As complicações de dia e data, tradicionais nestes Orient, são aqui retidas, e os ponteiros são um pouco diferentes do habitual, sobretudo no que diz respeito ao ponteiro das hora, em forma de seta. Esta variante, em verde, é a que mais me agrada (procurem no YouTube: o verde é ainda mais bonito do que parece nas fotos), mas existem ainda outras com mostrador em azul, preto e bordeaux.

Tudo isto é muito bonito, poderão interrogar-se, mas não é muito diferente de outras gerações de relógios do mesmo tipo da Orient. Certo, é verdade. Mas o detalhe que faz a diferença é que este tem, finalmente!, vidro de safira. Até agora, todos modelos destes género da Orient (e até da Seiko...), se limitavam ao simples vidro mineral.

O facto de a Orient ter decidido aqui criar um modelo, na mesma gama de preços, mas com vidro de safira, torna este conjunto verdadeiramente irresistível, com uma proposta de valor que deixa muitos microbrands em apuros.