8 de abril de 2021

Mondaine Stop2Go MST.4101B.LB

 

Já aqui falei da Mondaine por diversas vezes. Mas, confesso a minha ignorância, só agora me apercebi de que deixei passar ao lado aquele que é o modelo mais interessante da marca, o Stop2Go. É um relógio que, tendo um movimento de quartzo, vale bem os quase 600 euros pedidos, dada a sua originalidade e funcionalidades únicas num mercado repleto de cópias de cópias...

Na gama da marca suíça, este modelo é dos que oferece menos complicações: apenas horas, minutos e segundos. No entanto, é também aquele que se pode considerar como verdadeiro herdeiro dos relógios dos caminhos de ferro suíços, uma vez que não só o desenho é idêntico, mas a funcionalidade também.

Como?, perguntar-me-ão? Através da função que dá o nome a este modelo: o ponteiro dos segundos demora 58 segundos a dar uma uma volta completa ao mostrador; depois, ao chegar à posição das 12h00, faz uma pausa de dois segundos e, ao avançar para as 12h00m01s, o ponteiro dos minutos (que, durante 58 segundos não se moveu um décimo de milímetro sequer), avança de forma visível para o minuto seguinte! Se não percebeu o que acontece através da minha descrição, sugiro que veja este vídeo no YouTube.

Além disso, o movimento do ponteiro dos segundos tenta imitar o movimento suave através do mostrador do relógio original, movendo-se ao ritmo de quatro "tics" por segundo. O movimento é criado in house pela Mondaine, com a designação Stop2Go 58-02, e inclui dois motores independentes, um para as horas/minutos e outro para os segundos. O elevado consumo de energia que isto implica foi compensado pela utilização de uma bateria de lítio de elevada capacidade, com autonomia para 3 anos. 

Esta funcionalidade peculiar deu origem a outra idiossincrasia deste modelo, que é a forma da coroa, a qual não possui uma forma circular nem sequer roda como uma coroa normal. 



Uma vez mais, o vídeo que linkei acima mostra como é que o relógio é operado e como funciona esta coroa.

Uma última originalidade que, creio, é igualmente única no mercado, é a luminescência do escuro. Uma vez que o mostrador é branco e os ponteiros e índices são pretos, poderíamos imaginar que essa luminescência se faria através da uma funcionalidade tipo "full lume", em que o mostrador é todo ele luminescente e a leitura no escuro é feita por contraste. Mas não. A Mondaine pensou efetivamente "fora da caixa" e colocou o lume por baixo (!) dos ponteiros... O "carregamento" do material luminescente faz-se através do reflexo da luz no mostrador branco e, à noite, os ponteiros brilham de baixo para cima. Genial!

O resto da execução é relativamente normal. A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e resistência à água praticamente inexistente (3 ATM), a bracelete é em pele preta (existe uma variante com bracelete vermelha) e o vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

A Mondaine produz também um relógio de parede "smart" com a funcionalidade Stop2Go. Tem 25 cm de diâmetro e pode ser acertado através do smartphone, com ligação Bluetooth. O preço é de 294 francos suíços. 

4 de abril de 2021

Movimento Citizen 0200

 


A Citizen tem um novo movimento mecânico, algo que não acontecia desde há 11 anos. O vídeo acima tem cerca de 20 minutos mas vale bem a pena (tem legendas em inglês), pois dá-nos também uma panorâmica sobre a história da empresa japonesas, que remonta a 1918.

Os primeiros relógios da marca baseados nestes movimentos estão previstos para o Outono de 2021.

31 de março de 2021

Hemel The Airfoil

 


Marvin Menke, o fundador da Hemel, tinha-me enviado informação sobre este novo cronógrafo em Janeiro mas, na altura, tinha já criado artigos e agendamentos até Março, pelo que só agora tive oportunidade de vos vir falar do The Airfoil.

Trata-se de um relógio que utiliza o movimento mecânico de carga manual Seagul ST19, o mesmo de que já falei a propósito do cronógrafo Seagull 1963, aqui completo com regulador tipo "pescoço de cisne" e visível através da tampa da caixa em vidro.

A estética deste cronógrafo é muito interessante, algures entre o look desportivo tipo rally e o relógio de piloto. A Hemel esteve aqui limitada às complicações do movimento usado (crono sem data) mas resolveu acrescentar valor através de um bisel rotativo (120 cliques) graduado de 1 a 12 e que oferece, na prática, a leitura de um segundo fuso horário.

A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro – claramente o sweet spot para relógios deste género, pelo menos para mim – e resistência à água até 100 metros. Ponteiros e índices têm tratamento luminescente com Superluminova e o mesmo acontece para os numerais e marcações do bisel. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo. .

Existem três variantes deste modelo, com mostrador preto (na foto), azul e marfim, todas com bracelete em pele castanha. Este último oferece a particularidade de ser um mostrador "full lume", ou seja, todo ele é luminescente e a leitura no escuro faz-se pelo contraste com os ponteiros e índices. No entanto, à data deste post, esta variante estava esgotada, com a Hemel a aceitar encomendas para entrega em Agosto próximo.

Resta falar do preço: 500 dólares (qualquer das variantes) por um cronógrafo mecânico com este nível de desenho, execução e funcionalidades parece-me um excelente negócio. Note-se contudo que o site da marca venda para Portugal, mas está localizado nos EUA, pelo que deveremos contar com custos de alfândega – tipicamente da ordem dos 20% do valor total do relógio, pelo menos.

26 de março de 2021

Casio Edifice EFR-S108D-1AVUEF

 

Já aqui temos falado de contrafações e de hommages e da diferença entre ambas. Se as primeiras são (para mim) inaceitáveis, também há quem torça o nariz às segundas, embora reconhecendo a distância entre ambas.

Coisa muito diferente é o campo inesgotável das influências – afinal, a maioria dos relógios tem um mostrador redondo e 12 índices ou numerais, pelo que é virtualmente impossível fugirmos ao facto de que toda a gente anda a copiar toda a gente, de uma maneira ou de outra.

Este Casio da gama Edifice que hoje vos trago tem a referência EFR-S108D-1AVUEF e é um desenho original que, no entanto, claramente pisca e olho a um verdadeiro ícone da alta relojoaria, o Audemars Piguet Royal Oak que, em 1972, trouxe consigo uma lufada de ar fresco ao mercado.

A originalidade do Royal Oak consiste na caixa – com exterior octogonal e interior circular – bem como na decoração com parafusos visíveis. E são precisamente estes dois aspetos que a Casio aqui retomou de forma que eu considero particularmente feliz neste modelo. 

Claro que as semelhanças entre ambos os modelos começam e terminam aqui, até porque o AP Royal Oak com o qual este Caso é mais parecido, a referência 15500ST.OO.1220ST.03, custa a módica quantia de... 21.000 francos suíços, ou seja, algo como 19.000€!

Escusado será dizer que não acho que este Casio, que tem um PVP de referência de 119€ mas pode ser comprado por cerca de 100€, seja 190 vezes pior do que o Royal Oak que o inspirou. Pelo contrário, além de ser um excelente negócio é muito bonito, com as suas linhas elegantes, caixa com 40mm de diâmetro de reduzida espessura (apenas 7,8mm) e resistência à água até 100 metros.

Como seria de esperar por este preço, o movimento é de quartzo, mas a execução inclui vidro de safira. Ah, e já vos disse que custa cerca de 100 euros, certo? ;-)

17 de março de 2021

Laco Aachen 39

 

Falei pela primeira vez da Laco em 2013, a propósito do modelo Aachen na sua versão de 42mm. A Laco é uma das cinco empresas que foram contratadas pelo governo alemão para produzirem relógios para os pilotos e navegadores da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Destas cinco, hoje apenas a Stowa e a Laco produzem relógios de piloto com mostradores Tipo B, em que os algarismos principais são os dos minutos e não o das horas.

Isto significa que a Laco está para este tipo de relógios um pouco como a Hamilton está para os relógios tipo field. Daí que acho que valha a pena revisitar a gama Aachen da marca. A Laco tem também fliegers com mostrador convencional (que eram mais usados pelos pilotos, com os navegadores a preferirem os mostradores Tipo B) bem como uma gama mais cara, que usa movimentos suíços e com preços acima dos 1000 euros. Pelo contrário, a gama Aachen é muito mais acessível e utiliza movimentos japoneses Miyota.

A novidade é que, agora, a Laco passou a usar movimentos mais recentes, como é o caso do que chama movimento Laco 31, que corresponde na realidade ao Miyota 8315, o qual oferece uma reserva de marcha de 60 horas, ou seja, dois dias e meio.

Esta é uma opção (selecionável no site da empresa) que custa mais 55 euros, o que eleva o preço total do relógio para 395€ -- mesmo assim um valor que me parece perfeitamente razoável para o que aqui é oferecido. Uma opção que é também possível escolher através do website da Laco é a de que o vidro de safira seja tratado com revestimento antirreflexo, o que encarece a peça em mais 50 euros.

Resta-me dizer que o modelo de que falo hoje é o Aachen 39, a versão de 39mm (duh...) do relógio de que falei anteriormente. O resto da execução mantém-se semelhante ao modelo Aachen 42, nomeadamente no que diz respeito aos materiais usados, como é o caso do aço da caixa, do vidro de safira e até da resistência à água. Neste caso, a caixa de 39mm de diâmetro e uma espessura de 11,55mm. Existem também uma variante com o mostrador azul e bracelete NATO.