01 dezembro, 2021

Citizen AW5000: um field watch B3

 

Os field watches estão cada vez mais populares. E uma forma simples de verificar a veracidade desta afirmação é dar uma olhada pelas gamas de marcas como a Citizen, que costumam refletir de forma razoavelmente precisa aquilo que o mercado procura.

Hoje trago-vos o Citizen AW5000, um field watch bem desenhado, robusto e bastante acessível. O desenho do mostrador mistura elementos que costumamos encontrar em relógios tipo field, como a escala secundária de 24 horas, mas também em relógios tipo flieger, como é o caso dos ponteiros e o formato e dimensão dos numerais nas posições horárias.

Este modelo, que existe com mostrador azul e elementos em branco (AW5000-16L) e mostrador preto e detalhes em bege (AW5000-24L), tem uma caixa em aço com resistência à água até 100 metros e 42,6mm de diâmetro. O relógio é baseado num movimento de quartzo Eco-Drive J810 com data, alimentado pela luz.

Apesar de serem iguais, o preço via Amazon Espanha difere um pouco consoante as versões. O relógio com o mostrador azul custa apenas 88,5€; a variante com mostrador preto fica por 128€

07 novembro, 2021

Tissot PRX 40 205 quartz: um clássico moderno

 


Os anos 70 estão (outra vez) na moda. E isto não podia ser mais evidente do que no setor da relojoaria (já para não falar no regresso dos ABBA!). Da Timex à Orient, sucedem-se as recriações, reedições ou simples inspirações. Pessoalmente, nada tenho contra, ainda que ache que nem todas as tentativas de ir buscar inspiração ao passado têm sido bem sucedidas; o exemplo da Orient, por exemplo, parece-me um tiro um bocado ao lado...

No entanto, a Tissot acaba de nos presentear com um par de relógios especialmente inspirado: os Tissot PRX em versões com movimento de quartzo (na foto) ou equipados com o mecânico Powermatic 80. Além do preço (365€ para a versão quartzo e 670€ para o equivalente equipado com o movimento automático), há sinais exteriores que distinguem as duas peças. A mais evidente é o mostrador deste último, com um padrão claramente mais interessante e retro e a piscar o olho aos anos 70 (o PRX original foi lançado em 1978).

Existem também, em ambos os casos, variantes de cor, com o mostrador em branco (no caso do Powermatic 80, acompanhado de bisel e ponteiros em dourado) ou em preto. No entanto, é o mostrador azul aquele de que gosto mais. A bracelete em aço é a mesma nos dois casos, e as dimensões gerais também: têm ambos diâmetro de 40mm e até a espessura é semelhante, com o modelo de quartzo a marcar 10,4mm e o automático apenas ligeiramente mais espesso, com 10,9mm.

O resto da execução é semelhante também em ambos, com caixa em aço, resistência à água até 100m e mostrador protegido com vidro de safira. Até a janela da data surge na mesma posição, às 3h00, nos dois relógios. 

Deixo-vos com um vídeo promocional que tem tanto de divertido como de... estranho, uma vez que usa uma música dos anos 80 como banda sonora para algo que se queria dos anos 70. Enfim... 



15 outubro, 2021

Citizen CB5916-59L: ouro sobre azul

 


Há relógios que contrariam o (meu) senso comum. Este cronógrafo da Citizen, por exemplo, contém elementos de que eu habitualmente não gosto, como é o caso da cor dourada, da data às 4h00 ou do aspeto geral algo busy. E, contudo, o resultado final resulta extremamente bem (para mim, claro), provando assim que o que realmente interessa não são os aspetos de design vistos de forma individual, mas sim a forma como eles se conjugam.

Este cronógrafo tem a referência CB5916-59L e surge no website britânico da marca japonesa com um preço de referência algo elevado (para uma máquina com movimento de quartzo) de 529 libras. No entanto, o conjunto oferece funcionalidades e possui características que de certa forma justificam o preço pedido.

Entre elas, encontramos uma caixa em aço de 43mm de diâmetro protegida por vidro de safira e com uma generosa resistência à água de 200 metros, o que lhe permite uma utilização em praticamente qualquer cenário, incluindo mergulho.  

O mostrador, azul, conjuga-se muito bem com a luneta dourada, onde encontramos uma escala taquimétrica. As complicações incluem cronografo, mas os três sub-mostradores suportam mais algumas funcionalidades interessantes. 

Para começo de conversa, o movimento de quartzo E600 (alimentado pela luz) usado inclui sincronização automática da hora através de sinais de rádio de relógios atómicos em todo o mundo. depois, temos também direito a um indicador de reserva de marcha, um indicador de 12/24 horas e, ainda mais interessante, a um calendário perpétuo e alarme. 

No final, e bem vistas as coisas, temos que reconhecer que cerca de 550€ por este relógio até não será assim tanto.

25 setembro, 2021

Timex MK1 Mechanical: um field watch mecânico acessível

 


O field watch foi definido há décadas pela Hamilton, quando ainda era uma empresa norte-americana (hoje é suíça e faz parte do Grupo Swatch), através do antecessor do que é hoje o Khaki Field Mechanical, usado pela NATO nos anos 60. O DNA consiste num mostrador com dupla escala (12/24 horas) com numerais árabes e de elevada legibilidade, um movimento mecânico de carga manual e uma caixa em aço de dimensões não superiores a 38mm.

O acesso ao já referido clássico Hamilton faz-se desembolsando uma soma próxima dos 500€ (dependendo das versões, bracelete, acabamentos, etc.). Existem máquinas mais acessíveis, mas não é fácil encontrá-las baratas com um movimento mecânico de carga manual, características e desenho fiéis ao original.

Isto é, até agora. Apresento-vos o Timex MK1 Mechanical. À primeira vista, é fácil confundi-lo com o Hamilton que lhe serviu de inspiração. E, ao contrário do que sucede tantas vezes com a Timex, o que temos aqui até é uma máquina decente. Ou seja, nada de caixa em latão (esta é em aço, resistente à água até 50m) ou de movimento de quartzo: à semelhança da referência original, a marca usou aqui um movimento mecânico de carga manual! R-E-S-P-E-C-T!

O desenho é, também ele, puro field watch, onde não falta a dupla escala horária 12/24 horas para melhor identificação da chamada "hora militar", que consiste em designar as horas numa nomenclatura entre as 00h e as 23h, em vez de apenas 1-meio-dia (noite/manhã) e 1-meia-noite (tarde/noite).

Uma vez que se trata de um Timex, podemos contar com um preço acessível, e assim é. O preço de referência, no site da Timex nos EUA, é de 185 dólares, o que significa que, quando chegar por cá (ainda não o vi nas Amazon europeias) não deverá vender-se por mais de 150€.

Claro que há compromissos. A diferença de preço para um Hamilton não tem só a ver com a marca... A primeira coisa que devemos ter em consideração é a caixa, que neste caso é de apenas 36mm e não de 38mm como no caso da nossa referência. Depois, a bracelete é têxtil e, a fazer fé no que é habitual na Timex, a qualidade não deverá ser nada de especial; no caso do Hamilton, há também uma bracelete têxtil, mas é uma verdadeira NATO, ao contrário desta.

E, claro, temos depois o movimento. Um pesquisa rápida pela Web permite identificar o movimento usado pela Timex como um Seagull de origem chinesa, quando a Hamilton utiliza o moderno e fiável H50, uma versão do ETA 2801-2 com uma autonomia de 80 horas.

No entanto, por bem menos de 200€, não me vou queixar. O que temos aqui é um belo field watch a um preço justo. Agora, o que era mesmo bom, era uma versão de 38mm...

22 agosto, 2021

RZE Valour Cruzaderwhite: um cronógrafo apetecível

 

A maioria dos entusiastas de relojoaria (eu incluído) é um bocadinho snob no que diz respeito aos movimentos. O mais certo é olharmos de lado para qualquer coisa que não tenha um movimento mecânico lá dentro. :-) Mas não tem que ser necessariamente assim. Diria mais, não deve ser assim.

Os relógios com movimento de quartzo oferecem duas coisas que dificilmente encontramos nos seus congéneres mecânicos. A saber, precisão e fiabilidade (fiabilidade, no sentido de não necessitarem de manutenção, além da mudança da pilha – e, no caso dos quartzo alimentados pela luz, nem isso!). 

Neste momento, a minha pequena coleção inclui dois cronógrafos, um Tissot com movimento de quartzo; e um Junkers com um movimento automático ETA 7750. Ambos me dão grande prazer sempre que os coloco no pulso, mas tenho de admitir que gosto mais do Junkers. Acontece contudo que eu, como, de resto a maioria dos que usam cronógrafos, nunca (ou quase nunca) uso a complicação de cronógrafo. Mas, se a utilizasse de forma regular, iria obter resultados mais precisos de registo de tempos intermédios com o Tissot. Alguém acha que os equipamentos de cronometragem dos Jogos Olímpicos usam relógios mecânicos?!

Os movimentos cronógrafos Seiko da série VK são muitas vezes designados "movimentos híbridos" ou "mecha-quartz", porque a parte do cronógrafo utiliza diversos elementos mecânicos e, além disso, o ponteiro dos segundos tem um movimento relativamente suave, em vez de avançar a cada segundo. A vantagem consiste na conjugação de operação do cronógrafo com um feel mecânico, mas com a precisão que só o quartzo consegue oferecer. Não será o melhor dos dois mundos, mas anda lá perto!

E é precisamente a variante VK64 que encontramos aqui neste bonito e original cronógrafo da micro-marca RZE. Trata-se da variante com mostrador branco e sub-mostradores pretos ("panda") da gama Valour, que resulta num relógio particularmente bem conseguido e com um desenho de alguma originalidade... pelos menos tanto quanto é possível seguindo de perto as regras de desenho de um cronógrafo tradicional.

As especificações são uma conjugação de tudo o que aqui costumo reivindicar e que considero basicamente perfeitas: caixa em titânio com 42mm de diâmetro, resistência à água até 200 metros, vidro de safira e um mostrador muito equilibrado e bem desenhado, com os dois sub-mostradores às 3h00 e 9h00 e uma janela de data ás 6h00. 

E, por falar em bem desenhado, chamo a atenção para a maior originalidade deste projeto, que é a forma discreta e muito bem integrada como foram implementados os poussoirs do cronógrafo. Outro detalhe elegante é também a forma seamless como as asas parecem fazer parte da caixa e não um mero acrescento. O resultado é um relógio que é tão bonito com pulseira em borracha, como com bracelete em titânio – muito embora esta última seja mais do meu agrado.

O mostrador oferece grande visibilidade também no escuro, com aplicação de superluminova nos índices e nos ponteiros principais.

É possível arranjar cronógrafos baseados no Seiko VK64 a preço inferior ao deste RZE, mas não encontrei nenhum tão bonito nem tão equilibrado em termos de características e desenho. O preço, a partir do website europeu da marca, e já com portes incluídos, é de 369€ para a variante com pulseira em borracha e de 459€ para a que inclui esta mas também uma bracelete em titânio. 

Estão também disponíveis variantes com mostrador em "salmão" e uma outra com caixa revestida a PVD negro.