18 junho, 2022

Sugess ST1901: o melhor "panda" de sempre?

 


Na minha coleção constituída praticamente apenas por relógios B3, há uma peça que destoa: um Hamilton Intra-Matic Auto Chrono, máquina de 2000€ que, devido a um mais do que provável lapso de raciocínio, resolvi adquirir no Natal passado.

Não vou dizer que estou arrependido, porque não estou. Mas admito que não estaria muito mais mal servido se tivesse em vez disso adquirido o modelo que hoje vos trago, e que foi claramente inspirado no cronógrafo da marca norte-americana.

Trata-se de um relógio 100% chinês, desde a marca ao movimento. Nunca falámos aqui da Sugess mas penso que este modelo fará com que valha a pena. Não o encontro no website da marca, mas uma busca por "Sugess ST1901 Panda" na Amazon Espanha permite que seja logo o primeiro a aparecer.

O que temos aqui é um cronógrafo numa variante tipo "panda" isto é, mostrador branco e sub-mostrador pretos nas posições das 3h00 e 9h00. O movimento por detrás da complicação cronográfica é o nosso conhecido Seagull ST1901, o mesmo movimento mecânico de carga manual que encontramos no lendário Seagull 1963 de que já aqui falei (bem como no Hemel The Airfoil), e que surge aqui numa variante equipada com um regulador tipo pescoço de cisne, o qual permite um ajuste mais fiável da precisão.

A execução, numa caixa de aço de 40mm de acabamento polido e protegida por vidro de safira, é do tipo desportiva, caráter acentuado pelo taquímetro inscrito internamente, na periferia do mostrador. O conjunto é completado por uma bracelete em pele preta. Tudo o resto é pontuado pela sobriedade e bom-gosto, desde o elegante logótipo da Sugess às 12h00 ao ponteiro dos segundos em preto com ponta vermelha.

O preço para tudo isto são uns absolutamente incríveis 249 euros (!) na Amazon.es, sendo que não são cobrados portes de envio para Portugal.


21 maio, 2022

Citizen Ecodrive BM8550-81E: elegância acessível

 

Este belo dress watch da Citizen não é novo; pelo contrário, faz parte do catálogo da marca japonesa desde, pelo menos, 2014. Mas penso que vale a pena falarmos sobre ele, sobretudo depois do vídeo que o canal Just One More Watch fez a propósito de uma "polémica" (entre aspas, porque como veremos, não é verdadeiramente uma polémica...) entre a Citizen e a marca chinesa Cadisen.

Tudo começou porque um subscritor do referido canal achou que, ao contrário do que é habitual, desta vez tinha concluído que teria sido uma marca japonesa a copiar um modelo chinês e não o contrário. O relógio "original" em questão seria o Cadisen C1032M; contudo, uma investigação (ou melhor, uma rápida busca pelo Google!) sobre o tema revela que este modelo da Cadisen é, como aliás seria de esperar, a verdadeira cópia ("homenagem", neste caso, já que não se trata de uma verdadeira cópia) e que este Citizen chegou ao mercado vários anos antes.

Este post é sobre o relógio japonês, e não sobre o chinês, mas sempre aproveito para dizer o seguinte: o Cadisen é mais barato e utiliza um movimento automático (de origem Seiko)... Além disso, o mostrador é protegido por vidro de safira quando o Citizen nos oferece apenas vidro mineral.

Quanto ao nosso Citizen, é baseado num movimento de quartzo de tecnologia Ecodrive, isto é, alimentado pela luz, com dia e data às 3h00. O desenho e proporções (caixa com diâmetro 41,8mm e resistência à água até 100m) são absolutamente clássicas, algo acentuado pela utilização do numeral romano XII na posição das 12h00 e de índices aplicados nas restantes posições.

Entre os dois, o meu snobismo não me permite optar pelo Cadisen, mas tenho que reconhecer que a marca chinesa apresenta uma proposta muito interessante para um relógio basicamente igual mas com movimento mais nobre e materiais (caso do vidro de safira) em alguns casos superiores, ainda que eu duvide que a execução geral seja melhor que a do modelo japonês.

O preço de referência do Citizen é da ordem dos 190 euros, mas pode ser encontrado na Amazon.es por 142€, já com portes para Portugal. O PVP de referência do Cadisen é de cerca de 80€ via AliExpress; na Amazon.es está bastante mais caro, por 139€.

14 maio, 2022

Casio Edifice EFV-140: um cheirinho a Omega...

 

Já aqui falei de um Casio que pisca o olho ao Audemars Piguet Royal Oak, ainda que não o copiando (aliás, gosto tanto desse relógio, que acabei por comprar um!). Hoje, trago-vos mais um que claramente foi buscar inspiração a outro clássico do mundo da relojoaria, o Casio Edifice EFV-140.

Trata-se de um relógio que se inspira no Omega Seamaster Aqua Terra, inspiração essa que é visível não apenas nas proporções da caixa, mas também no mostrador, com as suas riscas horizontais, nas cores (gosto sobretudo da versão em verde), na forma e tipo de índices e no facto de possuir um dos ponteiros que termina numa seta (que aqui é o ponteiro das horas mas nos Omega é o dos minutos).

Sendo este um modelo novo (à data da publicação deste texto, ainda não estava sequer à venda na loja oficial da marca nem na Amazon), ele é na realidade uma versão nova de um outro, semelhante, com a referência EFV-100D, mas cuja diferença mais evidente é o mostrador totalmente liso.

Como se pode ver pelo GIF animado, existem variantes com mostrador preto, azul e verde, todas com bracelete em aço; e com mostrador prateado e preto com bracelete em pele.

Ao contrário do modelo EFR-S108D-1AVUEF, que a comunidade de entusiastas de relojoaria apelida carinhosamente de "CasiOak", o nível de execução deste modelo não é tão elevado, algo sobretudo evidente pela opção de utilizar vidro mineral em vez de safira para proteger o mostrador.

Há outro aspeto a considerar, e esse prende-se com as dimensões: as fotos, sem qualquer ponto de referência, não deixam transparecer o formato um pouco maior do que seria de supor. Enquanto o Omega Aqua Terra tem uma caixa de 41mm, este Casio surge aqui com dimensões consideráveis de 43,9mm de diâmetro, o que para muitas pessoas pode ser demasiado grande. Comparativamente, o modelo anterior (EFV-100), tem uma caixa com uns muito mais razoáveis 42mm.

No entanto, tendo em consideração que o referido Omega que serviu de inspiração a este modelo custa mais de 6.000€ e este relógio, quando começar a ser vendido, poderá ser adquirido por menos de 100€, continua a parecer-me um bom negócio!

01 maio, 2022

Tissot Savonnette Mechanical: regresso ao passado

 


O relógio que vos trago hoje não é um relógio de pulso: é o tipo de relógio que se usava antes de se usarem relógios de pulso. No início do século XX, até ao final dos anos 30, o relógio de bolso era uma peça essencial para complementar a indumentária do verdadeiro cavalheiro.

O Tissot Savonnette Mechanical (ref.ª T83.6.402.12) traz-nos de volta a esses tempos, com um movimento mecânico de carga manual (na altura, os movimentos automáticos ainda não tinham sido inventados) que, sendo hoje propriedade do grupo ETA, tem origens muito mais antigas (foi criado nos anos 50) e foi realmente usado como movimento para relógios de bolso: o Unitas 6498-1.

O advento dos relógios de pulso quase remeteu este movimento ao esquecimento, uma vez que é fisicamente grande (36,6mm) mas mais recentemente, com a popularidade dos relógios desportivos de grandes dimensões, voltou a ser popular. Neste caso, a variante usada é a 6498-1, com pequenos segundos e uma frequência de funcionamento de 2,5 Hz (18.000 alternâncias por hora). 

Seja para complementar a roupa (ou o look de hipster!) ou para completar a coleção, esta é uma peça interessante. A caixa, em aço, tem uma tampa para proteger o mostrador (e ainda bem, porque o vidro é mineral, e não de safira) e o conjunto inclui a clássica corrente. O diâmetro, substancial, é de quase 50mm (49,40mm, em rigor).

O mostrador, no caso desta variante, tem numerais arábicos em todas as posições horárias exceto às 6h00, para dar espaço ao sub-mostrador de pequenos segundos. Existem diversas variantes deste relógio na coleção T-Pocket, entre elas uma igual mas com numerais romanos. O preço de referência deste relógio é de 750€, mas pode ser encontrado na Amazon Espanha por 600€.

06 abril, 2022

Bulova Aerojet 96B374: charme clássico

 


A Bulova não é uma marca de que tenha aqui falado com frequência. Fundada em Nova Iorque em 1875 por Joseph Bulova, um emigrante da Boémia (hoje, República Checa), a marca faz parte do grupo Citizen desde 1 de janeiro de 2008, que manteve a marca com a sua identidade própria.

O problema é que, apesar da marca ter na sua longa história uma série de interessantes marcos tecnológicos e tecnologia própria que até hoje não foi replicada por nenhum outro fabricante, tem também uma longa "tradição" de criar peças com uma estética... digamos... discutível.

No entanto, em tempos mais recentes, a marca seguiu o caminho de muitas outras (caso da Timex, por exemplo) e tem ido ao fundo do seu catálogo buscar inspiração para (re)criar peças bem interessantes e esteticamente mais consensuais. E é certamente esse o caso deste Aerojet com a referência 96B374, muito embora não creio que exista no catálogo passado da marca algo do género — parece-me mais uma inspiração da estética da era dos anos 60/70 do que propriamente algo que se baseie num modelo antigo.

O que temos aqui é um soberbo dress watch com mostrador azul e índice dourados aplicados, data às 3h00 e  sub-mostrador de 24 horas (complicação GMT) às 9h00. Existe uma variante com bracelete em aço mas cujo mostrador, em castanho, não me agrada tanto. O movimento usado é um automático Miyota 8217 com reserva de marcha de 40 horas.

A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e espessura de 12mm. No site não surge qualquer referência sobre o material do vidro do mostrador, mas penso que é seguro afirmar que se trata de vidro mineral e não safira (porque se fosse safira, certamente que a marca o diria na página do produto...). O fundo da caixa é em vidro mineral, para observação do movimento.

Outro detalhe interessante, e que nem sempre surge nos dress watches, é a presença de material luminescente nos ponteiros e nos pontos juntos aos índices aplicados. 

Há um artigo interessante aqui sobre estas novas recriações da Bulova.



12 março, 2022

Vostok Europe Apoia a Ucrânia

 


A Vostok Europe tem um problema grave: o nome "Vostok". Acontece que a empresa, fundada e com sede na Lituânia, não só não é russa, como não usa quaisquer movimentos de origem russa, mas apenas máquinas japonesas (origem Seiko e Citizen) e, em alguns modelos, até suíças.

Vai daí, a empresa decidiu demostrar a sua solidariedade para com o povo ucraniano e criou o projeto "VE Apoia a Ucrânia", que tem como objetivo recolher um montante significativo para apoiar as vítimas da invasão Russa à Ucrânia.

O projeto consiste nas seguintes etapas:

• A Vostok Europe produz 100 cronógrafos, com o design apresentado na imagem e cujo preço é de 300€ + IVA.

• Os Distribuidores da marca (em Portugal, a SRI) promovem este projeto nos seus mercados através das redes sociais e reúnem pré-encomendas dos seus clientes.

• A Vostok Europe vende estes relógios aos seus distribuidores ao preço de retalho (sem IVA) sem qualquer desconto.

• Os Distribuidores vendem os relógios aos clientes pelo mesmo preço (com IVA).

• O Distribuidor da marca transfere o valor total da venda dos relógios para a Vostok Europe.

• A Vostok Europe reúne e transfere então o montante total arrecadado (30.000€) para o fundo "Mėlyna ir Geltona" ("Azul e Amarelo"), uma organização não governamental sem fins lucrativos, especializada em ajuda humanitária à Ucrânia.

O pacote de ajuda inclui, entre outros elementos, equipamento escolar, vestuário, bens diversos e ajuda médica e hospitalar para civis. Em conjunto com o governo da Lituânia, esta ONG está também a trabalhar na construção de dois parques infantis.

O cronógrafo tem um tempo de entrega estimado até ao final de março e pode ser reservado através do envio de email para geral@sri.pt.

26 fevereiro, 2022

Sternglas Taiga GMT: para o globetrotter que há em nós

 


A minha mulher, que olha para a minha obsessão sobre relógios com um misto de divertimento e indiferença, costuma sempre dizer que "os relógios são todos iguais". Mas nós sabemos que não é bem (nada!) assim. 

Na prática, o que diferencia qualquer relógio, sem ainda sabermos qual o nível de execução, movimento, etc. é, precisamente, o seu aspeto. Claro que a maioria das peças têm um mostrador redondo e três ponteiros... Mas há muito mais num relógio do que apenas isso.

Todo estre preâmbulo para vos trazer o Sternglas Taiga GMT. Já aqui falei da Sternglas a propósito de outros modelos, e o que distingue a marca de outras do mundo dos micro brands é a sua estética, minimalista e elegante, que não é tanto Bauhaus mas, diria eu, mais a escola escandinava. Sim, claro que depois isto é tudo feito na China... Mas se até os iPhones são, quem sou eu para me queixar!

O que temos aqui é um elegante e extremamente bem desenhado relógio com dupla complicação GMT/24H através de um ponteiro adicional e que utiliza o popular movimento de quarto suíço Ronda 505.24H. A verdade é que há relógios a pontapé com este movimento; contudo, até hoje nunca tropecei num que me agradasse tanto como este!

A caixa de 42mm, em aço e com resistência à água de 10 atmosferas, possui acabamento sandblast que lhe dá um aspeto texturado que o mostrador em antracite (cinza muito escuro) também repete. E é precisamente o conjunto caixa/mostrador que me parece especialmente bem conseguido, não só em termos estéticos como funcionais.

A Sternglas optou por numerais nas posições horárias pares (à exceção das 6h00, onde surge uma janela de data) com um zero à esquerda do algarismo, o que permite equilibrar todas elas com os algarismos do "12" no topo. Uma segunda escala permite a visualização não só de um segundo fuso horário, mas a sua representação em posições de 24 horas. Ah, é verdade: e o vidro do mostrador é de safira.

A marca poderia ter ficado por aqui. Mas foi mais longe e fez algo que, se calhar até é comum, mas que eu nunca vi implementada desta forma: na tampa da caixa, em vez de algo genérico ou decorativo, temos uma representação do mundo com os diferentes fusos horários, o que permite uma leitura adicional para os verdadeiros globetrotters!

O resultado é um relógio original, que pode ser usada em ocasiões formais e elegantes mas também como companheiro de aventuras. Resta falar do preço: os 229€ pedidos (venda a partir do website da marca) parecem-me mais do que justificados, para uma peça tão bonita, elegante e funcional.

19 janeiro, 2022

Timex Giorgio Galli S1: quando um relógio B3... não é B3

 



A minha mulher costuma dizer que "os relógios são todos iguais" e, para dizer a verdade, não está totalmente errada. Uma enorme percentagem do que está à venda são relógios com mostrador redondo, 12 índices e três ponteiros. Claro que nós, entusiastas da relojoaria, não vemos as coisas da mesma forma, e sabemos que o contrário é verdade: "(quase) todos os relógios são diferentes"... mesmo quando parecem iguais!

Contudo, uma das coisas que faz com que os relógios sejam diferentes é a marca. Não é só assim na relojoaria, é em tudo. Dos refrigerantes aos automóveis, passando pelo calçado desportivo ou pelos eletrodomésticos, é a marca que, muitas vezes, diferencia bens muito semelhantes entre si.

A marca dá-nos uma determinada garantia de qualidade. Mas, na relojoaria, também nos dá mais do que isso: tradição, imagem, status... Por vezes, damos uma certa quantia por um relógio de uma marca que, se fosse 100% igual mas vendido por outra, com menos prestígio, não compraríamos. É nestes casos que dizemos, e com razão, que "estamos também a comprar a marca".

O que nos traz ao relógio de hoje. Já aqui escrevi em tempos que o meu primeiro relógio de pulso, nos anos 70, foi um Timex oferecido pelo meu pai. E tenho, por essa razão, um carinho especial pela marca. Mas a Timex já deu muitas voltas e passou por muitas mãos; e coisa que nunca tentou ser foi uma "marca de prestígio". O seu posicionamento foi sempre, ao longo dos anos, de uma marca acessível, que criava relógios baratos e duráveis (mesmo quando, sendo baratos, não eram assim tão duráveis...).

O seu extenso catálogo é sobretudo constituído por relógios de quartzo de (muito) baixo preço. Contudo, a marca tem vindo a tentar, nos anos mais recentes, propor igualmente relógios mecânicos a preços cada vez mais altos.

O relógio que voz trago hoje pertence à nova coleção Giorgio Galli. Existem três variantes de cor com caixa de 38mm (na foto); há também duas variantes, com cores menos interessantes, mas ao mesmo preço, com caixa de 41mm.

O relógio tem algumas características interessantes, como é o caso do rubi (decorativo) acima das 6 horas, e a forma como as asas que seguram a bracelete, se integram na caixa, e que nunca tinha visto. De resto, o mostrador é mesmo muito bonito e, confesso, não esperava que a Timex fosse capaz de tal proeza.

Note-se que não só o mostrador é protegido por vidro de safira, mas o mesmo acontece com o fundo de observação do movimento, algo que só encontramos em peças bastante caras. E por falar em movimento... Outra coisa de que duvidava era da sua qualidade, mas o conceituado A Blog To Watch garante tratar-se da versão Timex do conhecido (e excelente) movimento automático Miyota 9039, um high beat de três ponteiros.

Só a escolha por uma bracelete em silicone me parece uma opção que retira um pouco brilho ao conjunto, que merecia uma bracelete em pele de boa qualidade. Mas isso podemos sempre comprar depois.

Vou confessar-vos: tirando a caixa de 38mm, que é pouco pequena para o que normalmente gosto de usar, este é um relógio muito bonito e que não teria qualquer problema em usar. Mas há um problema sério: custa 450 dólares. O modelo acaba de ser lançado nos EUA (em dezembro de 2021) e até pode ser que surja mais barato na Amazon daqui a uns tempos, mas 450 dólares... por um Timex?!

É um pouco como a Renault fazer um modelo tão bom como um BMW de gama idêntica e... custar tanto (ou mais!) do que um BMW. O exercício é simples: por esse preço, compro um BMW! Eu sei, é uma atitude um bocado snob, mas não consigo deixar de pensar assim. Caramba, afinal é de um Timex que estamos a falar!, a mesma marca que vende relógios por menos de 30€!

12 janeiro, 2022

Tissot Everytime Medium NATO: o poder da simplicidade

 


A julgar pelas estatísticas, os visitantes deste blog demonstram uma clara preferência por cronógrafos, pelo que, sempre que possível, trago aqui modelos com essa complicação. Contudo, os relógios simples continuam a ser os que mais me interessam.  

No passado, já aqui falei de relógios da coleção Everytime, da Tissot (aqui e aqui). Este, com a referência T109.410.17.077.00 é um pouco mais do mesmo, reconheço, mas traz consigo um sabor a field watch, patente na escolha dos numerais, com o zero a anteceder todas as posições com um só algarismo, mas também na escolha de uma bracelete tipo NATO.

É engraçado como, no site oficial da marca, este modelo aparece como sendo de senhora, porque não estou a ver nenhuma mulher a encontrar apelo neste relógio. Mas posso estar enganado... O que interessa é que as restantes características deste modelo estão de acordo com o que normalmente esperamos da marca suíça: caixa em aço (com 42mm e resistência à água de 50 metros), vidro de safira e movimento de quartzo de boa qualidade, neste caso um ETA 902.101.

Ao contrário do que sucede com todos os movimentos de quartzo de origem chinesa mas também com muitos japoneses, este é um movimento suíço que utiliza latão e não plástico na sua estrutura, oferecendo garantias de precisão e fiabilidade que não encontramos em movimentos mais baratos de origem asiática.

O preço de referência é de cerca de 250€, mas podemos encontrá-lo mais barato na Amazon Espanha.


05 janeiro, 2022

Citizen CA7020-07A- PT: o apelo do panda

 

No setor da relojoaria apelidamos de "panda" os cronógrafos com sub-mostradores negros que contrastam com fundo claro (normalmente branco ou beige). Nem todas as execuções deste tipo me agradam, mas admito que a Citizen fez aqui um bom trabalho neste novo cronógrafo da sua "Of Collection". 

O modelo CA7020-07A é um bonito crono de cariz desportivo cujo mostrador bege contrasta efetivamente com os dois sub-mostradores em negro, da complicação cronográfica. O conjunto é completado por um anel preto a toda a volta, que nos oferece um taquímetro, uma das complicações típicas dos cronógrafos desportivos.

A execução é, contudo, bastante banal ao nível dos materiais usados e das especificações técnicas. O movimento de quartzo Eco Drive B642 é usado em diversos outros modelos da marca e oferece-nos a complicação de data às 3h00, além da contagem de tempos intermédios; o conjunto surge numa caixa em aço com uns generosos 43mm (grande para alguns pulsos mais finos) com resistência à água de 10 atmosferas e, infelizmente, num mostrador cuja proteção ficou a cargo de simples vidro mineral. 

Existem inúmeras variantes deste modelo, mas nenhum oferece bracelete em aço conjugada com este mostrador em particular. O preço de referência é de 249 euros, o mesmo pelo qual pode ser encontrado na Amazon Espanha.