14 de abril de 2021

Pulsar PM3175X1

 


 
Os cronógrafos são os relógios que têm, aqui no blog, mais leitura. Sempre que faço um artigo sobre um cronógrafo, é certo e sabido que as visitas aumentam. E, de facto, existe algo de mágico nestas máquinas com os seus poussoirs adicionais e sub-mostradores para contagem de tempos intermédios.

Nem todos são bem conseguidos, mas quando o são, o resultado é semelhante a este Pulsar de inspiração militar: equilibrados, com grande legibilidade e um resultado harmonioso.

A Pulsar, como sabemos, é uma das marcas low cost do grupo Seiko (a outra, ainda mais acessível, é a Lorus). O modelo que hoje vos trago é a referência PM3175X1, com um preço de referência em torno dos 120 dólares mas que se encontra à venda na Amazon Espanha por menos de 90 euros.

O relógio tem uma história interessante, que eu desconhecia, e que descobri no fórum DezDez. Trata-se, na verdade, de uma edição baseada numa série especial que a marca fez para a RAF, com a referência PJN299 e que se encontra esgotada desde há muito. E digo "edição" e não "reedição" porque este novo cronógrafo é diferente daquele que lhe serviu de inspiração, nomeadamente no desenho do mostrador (os numerais são maiores neste novo modelo) e dos ponteiros. Apesar de haver quem pense o contrário, eu até acho esta reedição mais bonita do que o relógio original (a verdadeira reedição do modelo da RAF será este, com a referência  PM2139X1).

As especificações são idênticas entre ambos os modelos: movimento de quartzo (claro, a este preço, seria impossível o contrário!), complicações de cronógrafo e data às 3h00, caixa em aço com 42mm de diâmetro, resistência à água até 100m e vidro mineral. Os numerais e os ponteiros têm luminescência no escuro. A bracelete, de estilo militar (mas que não é tipo NATO) é de nylon, o que reforça o caráter utilitário da peça.

O mostrador é preto, mas existe uma variante em mostrador azul escuro e preço ainda inferior, com a referência PM3177X1

8 de abril de 2021

Mondaine Stop2Go MST.4101B.LB

 

Já aqui falei da Mondaine por diversas vezes. Mas, confesso a minha ignorância, só agora me apercebi de que deixei passar ao lado aquele que é o modelo mais interessante da marca, o Stop2Go. É um relógio que, tendo um movimento de quartzo, vale bem os quase 600 euros pedidos, dada a sua originalidade e funcionalidades únicas num mercado repleto de cópias de cópias...

Na gama da marca suíça, este modelo é dos que oferece menos complicações: apenas horas, minutos e segundos. No entanto, é também aquele que se pode considerar como verdadeiro herdeiro dos relógios dos caminhos de ferro suíços, uma vez que não só o desenho é idêntico, mas a funcionalidade também.

Como?, perguntar-me-ão? Através da função que dá o nome a este modelo: o ponteiro dos segundos demora 58 segundos a dar uma uma volta completa ao mostrador; depois, ao chegar à posição das 12h00, faz uma pausa de dois segundos e, ao avançar para as 12h00m01s, o ponteiro dos minutos (que, durante 58 segundos não se moveu um décimo de milímetro sequer), avança de forma visível para o minuto seguinte! Se não percebeu o que acontece através da minha descrição, sugiro que veja este vídeo no YouTube.

Além disso, o movimento do ponteiro dos segundos tenta imitar o movimento suave através do mostrador do relógio original, movendo-se ao ritmo de quatro "tics" por segundo. O movimento é criado in house pela Mondaine, com a designação Stop2Go 58-02, e inclui dois motores independentes, um para as horas/minutos e outro para os segundos. O elevado consumo de energia que isto implica foi compensado pela utilização de uma bateria de lítio de elevada capacidade, com autonomia para 3 anos. 

Esta funcionalidade peculiar deu origem a outra idiossincrasia deste modelo, que é a forma da coroa, a qual não possui uma forma circular nem sequer roda como uma coroa normal. 



Uma vez mais, o vídeo que linkei acima mostra como é que o relógio é operado e como funciona esta coroa.

Uma última originalidade que, creio, é igualmente única no mercado, é a luminescência do escuro. Uma vez que o mostrador é branco e os ponteiros e índices são pretos, poderíamos imaginar que essa luminescência se faria através da uma funcionalidade tipo "full lume", em que o mostrador é todo ele luminescente e a leitura no escuro é feita por contraste. Mas não. A Mondaine pensou efetivamente "fora da caixa" e colocou o lume por baixo (!) dos ponteiros... O "carregamento" do material luminescente faz-se através do reflexo da luz no mostrador branco e, à noite, os ponteiros brilham de baixo para cima. Genial!

O resto da execução é relativamente normal. A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e resistência à água praticamente inexistente (3 ATM), a bracelete é em pele preta (existe uma variante com bracelete vermelha) e o vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

A Mondaine produz também um relógio de parede "smart" com a funcionalidade Stop2Go. Tem 25 cm de diâmetro e pode ser acertado através do smartphone, com ligação Bluetooth. O preço é de 294 francos suíços. 

4 de abril de 2021

Movimento Citizen 0200

 


A Citizen tem um novo movimento mecânico, algo que não acontecia desde há 11 anos. O vídeo acima tem cerca de 20 minutos mas vale bem a pena (tem legendas em inglês), pois dá-nos também uma panorâmica sobre a história da empresa japonesas, que remonta a 1918.

Os primeiros relógios da marca baseados nestes movimentos estão previstos para o Outono de 2021.

31 de março de 2021

Hemel The Airfoil

 


Marvin Menke, o fundador da Hemel, tinha-me enviado informação sobre este novo cronógrafo em Janeiro mas, na altura, tinha já criado artigos e agendamentos até Março, pelo que só agora tive oportunidade de vos vir falar do The Airfoil.

Trata-se de um relógio que utiliza o movimento mecânico de carga manual Seagul ST19, o mesmo de que já falei a propósito do cronógrafo Seagull 1963, aqui completo com regulador tipo "pescoço de cisne" e visível através da tampa da caixa em vidro.

A estética deste cronógrafo é muito interessante, algures entre o look desportivo tipo rally e o relógio de piloto. A Hemel esteve aqui limitada às complicações do movimento usado (crono sem data) mas resolveu acrescentar valor através de um bisel rotativo (120 cliques) graduado de 1 a 12 e que oferece, na prática, a leitura de um segundo fuso horário.

A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro – claramente o sweet spot para relógios deste género, pelo menos para mim – e resistência à água até 100 metros. Ponteiros e índices têm tratamento luminescente com Superluminova e o mesmo acontece para os numerais e marcações do bisel. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo. .

Existem três variantes deste modelo, com mostrador preto (na foto), azul e marfim, todas com bracelete em pele castanha. Este último oferece a particularidade de ser um mostrador "full lume", ou seja, todo ele é luminescente e a leitura no escuro faz-se pelo contraste com os ponteiros e índices. No entanto, à data deste post, esta variante estava esgotada, com a Hemel a aceitar encomendas para entrega em Agosto próximo.

Resta falar do preço: 500 dólares (qualquer das variantes) por um cronógrafo mecânico com este nível de desenho, execução e funcionalidades parece-me um excelente negócio. Note-se contudo que o site da marca venda para Portugal, mas está localizado nos EUA, pelo que deveremos contar com custos de alfândega – tipicamente da ordem dos 20% do valor total do relógio, pelo menos.

26 de março de 2021

Casio Edifice EFR-S108D-1AVUEF

 

Já aqui temos falado de contrafações e de hommages e da diferença entre ambas. Se as primeiras são (para mim) inaceitáveis, também há quem torça o nariz às segundas, embora reconhecendo a distância entre ambas.

Coisa muito diferente é o campo inesgotável das influências – afinal, a maioria dos relógios tem um mostrador redondo e 12 índices ou numerais, pelo que é virtualmente impossível fugirmos ao facto de que toda a gente anda a copiar toda a gente, de uma maneira ou de outra.

Este Casio da gama Edifice que hoje vos trago tem a referência EFR-S108D-1AVUEF e é um desenho original que, no entanto, claramente pisca e olho a um verdadeiro ícone da alta relojoaria, o Audemars Piguet Royal Oak que, em 1972, trouxe consigo uma lufada de ar fresco ao mercado.

A originalidade do Royal Oak consiste na caixa – com exterior octogonal e interior circular – bem como na decoração com parafusos visíveis. E são precisamente estes dois aspetos que a Casio aqui retomou de forma que eu considero particularmente feliz neste modelo. 

Claro que as semelhanças entre ambos os modelos começam e terminam aqui, até porque o AP Royal Oak com o qual este Caso é mais parecido, a referência 15500ST.OO.1220ST.03, custa a módica quantia de... 21.000 francos suíços, ou seja, algo como 19.000€!

Escusado será dizer que não acho que este Casio, que tem um PVP de referência de 119€ mas pode ser comprado por cerca de 100€, seja 190 vezes pior do que o Royal Oak que o inspirou. Pelo contrário, além de ser um excelente negócio é muito bonito, com as suas linhas elegantes, caixa com 40mm de diâmetro de reduzida espessura (apenas 7,8mm) e resistência à água até 100 metros.

Como seria de esperar por este preço, o movimento é de quartzo, mas a execução inclui vidro de safira. Ah, e já vos disse que custa cerca de 100 euros, certo? ;-)

17 de março de 2021

Laco Aachen 39

 

Falei pela primeira vez da Laco em 2013, a propósito do modelo Aachen na sua versão de 42mm. A Laco é uma das cinco empresas que foram contratadas pelo governo alemão para produzirem relógios para os pilotos e navegadores da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Destas cinco, hoje apenas a Stowa e a Laco produzem relógios de piloto com mostradores Tipo B, em que os algarismos principais são os dos minutos e não o das horas.

Isto significa que a Laco está para este tipo de relógios um pouco como a Hamilton está para os relógios tipo field. Daí que acho que valha a pena revisitar a gama Aachen da marca. A Laco tem também fliegers com mostrador convencional (que eram mais usados pelos pilotos, com os navegadores a preferirem os mostradores Tipo B) bem como uma gama mais cara, que usa movimentos suíços e com preços acima dos 1000 euros. Pelo contrário, a gama Aachen é muito mais acessível e utiliza movimentos japoneses Miyota.

A novidade é que, agora, a Laco passou a usar movimentos mais recentes, como é o caso do que chama movimento Laco 31, que corresponde na realidade ao Miyota 8315, o qual oferece uma reserva de marcha de 60 horas, ou seja, dois dias e meio.

Esta é uma opção (selecionável no site da empresa) que custa mais 55 euros, o que eleva o preço total do relógio para 395€ -- mesmo assim um valor que me parece perfeitamente razoável para o que aqui é oferecido. Uma opção que é também possível escolher através do website da Laco é a de que o vidro de safira seja tratado com revestimento antirreflexo, o que encarece a peça em mais 50 euros.

Resta-me dizer que o modelo de que falo hoje é o Aachen 39, a versão de 39mm (duh...) do relógio de que falei anteriormente. O resto da execução mantém-se semelhante ao modelo Aachen 42, nomeadamente no que diz respeito aos materiais usados, como é o caso do aço da caixa, do vidro de safira e até da resistência à água. Neste caso, a caixa de 39mm de diâmetro e uma espessura de 11,55mm. Existem também uma variante com o mostrador azul e bracelete NATO.

10 de março de 2021

Certina DS-1 Big Date

 

Não é a primeira vez que falo de relógios com complicação de Big Date, que é muito do meu agrado. Mas é efetivamente a primeira vez que vos trago uma máquina destas que conjuga Big Date com um movimento mecânico. Não é barata (o preço de referência é de 795 Francos Suíços, ou seja, 725 euros) mas como está abaixo dos 1000 euros, ainda a podemos, no contexto deste blog, considerá-la B3.

Trata-se do Certina DS-1 Big Date Automatic com a referência C029.426.16.041.00, que pertence à coleção Urban da marca suíça. O movimento usado é uma variante do nosso conhecido Powermatic 80, com 80 horas de reserva de marcha. É um bonito dress watch cuja característica mais saliente é a tal complicação de Big Date, implementada às 6h00 através de uma janela dupla e dois algarismos.

Normalmente, gosto mais de ver esta implementação às 12h00, mas o desenho deste Certina agrada-me bastante tal como está. A caixa, em aço, tem um diâmetro de 41mm, que está no sweet spot para relógios deste género, e resistência à água de 100 metros. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo.

No total existem cinco variantes deste modelo, mas apenas duas cores de mostrador; além deste em azul, está disponível também em preto. O resto das variantes usa braceletes em aço.  

3 de março de 2021

A única coisa que interessa numa coleção de relógios

 


Gostava de falar hoje convosco do conceito de "coleção de relógios". Há quem defenda ser possível ter uma "coleção de um só relógio" (uma contradição em si mesmo, na minha opinião); e quem diga que, para que possamos chamar "coleção", temos de ter, pelo menos, três relógios. E, depois, há imensas teorias sobre quais devem ser os relógios ideais para uma coleção.

O que mais por aí há são "conselhos" que nos dizem que temos de ter este ou aquele relógio na nossa coleção. Ou que uma coleção sem o modelo (ou tipo de relógio, ou marca) "x" nunca será uma coleção completa. 

Na verdade, nunca liguei muito a isso até que, nos últimos meses, comecei a ver bastantes vídeos no Youtube, sobretudo dos youtubers dedicados à relojoaria mais acessível, e que tenho linkados na barra lateral da home page deste blog. Todos eles, ou quase todos, têm as suas próprias ideias sobre o que deve ser a "coleção" ideal, especialmente na gama de preços mais baixa, à qual este blog se dedica.

A minha opinião é que... não devemos seguir a opinião dos outros (não, nem a minha!). Existem, literalmente milhões de modelos diferentes: caros, baratos, bons, péssimos, bonitos, horríveis... Contudo, à exceção da qualidade (e, mesmo assim, também podemos discutir isso), praticamente tudo o resto é subjetivo. Preço? O que é caro para mim, pode não ser para si, e vice-versa. Bonito? Todos temos gostos muito particulares e, uma vez mais, o que é bonito para mim, pode não ser para si. Ou podemos estar de acordo, mas haver um qualquer deal breaker que nos impede de comprar determinada peça. 

Claro que, precisamente porque existem milhões de modelos por onde onde escolher, muitos deles com variantes na cor do mostrador, tipo de bracelete, tamanho da caixa, tipo de movimento, etc., etc., convém termos um critério. E é precisamente nos critério que as opiniões se dividem. No entanto, acho que faz mais sentido definirmos um critério (mesmo que seja apenas, e tão só, o nosso critério) do que nos levarmos por declarações perentórias do tipo "toda a coleção de relógios tem de inclui um Casio G-Shock" – um bom exemplo para mim, que até gosto de Casios (tenho um) mas não acho piada nenhuma aos G-Shock.

Penso que é também porque muitos colecionadores seguirem determinados critérios arbitrários que depois vemos, todos os anos, um vídeo sobre o chamado "estado da coleção", onde mostram os relógios que venderam e compraram no último ano. Compreendo que uma coleção seja dinâmica e que determinadas peças possam ser entretanto vendidas (ainda há pouco tempo fiz precisamente isso), mas a quantidade de relógios vendidos e comprados anualmente por estes colecionadores deixam-me na dúvida (sobretudo no que diz respeito às vendas) se não haverá aí, precisamente, um problema de critério. 

Qual o critério, então, que devemos seguir? Quanto a mim, é este: comprarmos os relógios que gostamos e, igualmente importante, que tencionamos usar. Parece-vos óbvio? Mas não é assim tão óbvio quando ouvimos/lemos coisas como "você tem de ter este [introduzir marca/modelo/tipo] relógio na sua coleção!"

No final do ano passado, pensei seriamente comprar um relógio com mostrador (e movimento) de 24 horas. Isto é, um relógio cujo ponteiro das horas demora um dia inteiro a dar uma volta completa e cujo mostrador está graduado com 12 e não 24 índices. Achei que faria sentido para "completar" a coleção, o que quer que isso signifique. Mas fiquei a pensar: será que eu usaria este relógio...? Afinal, não é propriamente um relógio prático e requer alguma habituação até conseguirmos ler as horas num relance fugaz. E acabei por não comprar (embora admita que o possa vir a fazer no futuro).

O mesmo se pode dizer de relógios com um só ponteiro (o das horas). Farão parte obrigatória de uma coleção? A minha resposta é: se gostarmos e se o formos usar, claramente que sim! Pelo menos para mim, se a resposta for não a ambas as perguntas, então é algo que considero não fazer sentido.

Outro aspeto a considerar: o nosso gosto evolui à medida a que a nossa coleção também evolui. Por exemplo, no início deste blog referi por diversas vezes que não tinha grande interesse em relógios "de mergulho". Mas, entretanto, é exatamente esse o tipo de relógio que tenho "na calha" para adquirir brevemente.

Resumindo e concluindo: a vossa coleção deve ser constituída pelos relógios de que mais gostam e que pretendem usar regularmente (ainda que de forma esporádica). Comprar algo "só porque é suposto" para compor a coleção, não me parece uma boa estratégia.

Mas, lá está: isto é o que eu acho! Fico curioso: qual é a estratégia que seguem para a vossa coleção, se é que seguem alguma? Respostas nos comentários!

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P.S.: A imagem que ilustra este post não é a da minha coleção; é apenas uma foto que encontrei online. 

 

 

24 de fevereiro de 2021

Boldr Expedition Eiger


Falei pela primeira vez na Boldr em outubro do ano passado, a propósito do modelo Venture Carbon e terminei o post dizendo que o melhor elogio que podia fazer ao relógio é que planeava comprar um em breve.

E é verdade. O que não expliquei na altura é que o modelo que pretendo adquirir não é, na verdade, aquele, mas sim um da gama Expedition, que tanto pode ser este Eiger como praticamente qualquer outro, uma vez que todas as variantes me agradam bastante! O Expedition foi um dos primeiros best sellers desta marca, mas foi recentemente (no final de 2019, penso) redesenhado e, quanto a mim, para melhor [há uma análise à versão anterior aqui, onde é possível ver as diferenças, sobretudos nos ponteiros e bisel interior].

Quando falei do Venture na página do Facebook, um dos leitores referiu-se ao tamanho da caixa como sendo "pequena". Bem, aqui as dimensões são um pouco maiores e penso que os 41mm de diâmetro serão já bastante interessantes para quem achou a de 38mm do Venture pequena.

Este continua a ser um field watch, mas retoma algumas das características dos chamados super compressors, nomeadamente com a utilização de duas coroas, às 2h00 e 4h00, ambas de rosca, sendo a superior usada para mover de forma bidirecional o bisel interior com escala de minutos/segundos.

Este é um relógio mais caro do que o referido Venture, mas também aqui a Boldr subiu a parada em termos de especificações. A caixa é em aço 316L em vez do titânio usado no Venture, mas continuamos a ter direito a vidro de safira com tratamento antirreflexo e resistência à água até 200 metros. Mas neste modelo, e em toda a restante família Expedition, a Boldr usa movimentos suíços Sellita SW200-1 em vez dos mecanismos de origem Seiko.

Note-se também que, ao contrário do que acontece no Venture, onde o movimento de base possui data mas esta não é usada, de forma a criar um mostrador mais "limpo", aqui temos direito a uma janela de data às 4h00.

A legibilidade no escuro de todas as variantes é excelente. Contudo, nesta variante Eiger em particular, temos um mostrador full lume, em que todo o mostrador é luminescente e a visibilidade no escuro é dada através do contraste com os índices e ponteiros, como se pode ver no GIF animado que ilustra este post.

Resta então o preço. Acho que os 514€ pedidos mostram que a Boldr se está a "esticar" um pouco. É verdade que não tem as economias de escala de uma "grande" marca, mas também não tem que se preocupar com margens de comercialização, uma vez que vende os seus relógios diretamente ao público através de um website próprio. Continua a ser um bom preço, mas é um pouco mais elevado do que eu gostaria.


17 de fevereiro de 2021

Defakto Dialog Standard


Falei da Defakto, pela primeira vez, já há muitos anos. Na altura, referi-me à marca alemã a propósito dos seus relógios de um só ponteiro. A marca manteve a sua linha de relógios ultra-minimalistas mas, agora, tem já máquinas com dois, três ponteiros e, até, pequenos segundos.

Redescobri a Defakto quando, no final do ano passado, meti na cabeça de que precisava de um dress watch de dois ponteiros e... descobri que não havia (e não há) assim tantos!, sobretudo modelos discretos e mesmo só com dois ponteiros e sem data

Sim, eu disse "sem data". E também já disse por diversas vezes que, para mim, a data é uma complicação essencial. Mas é essencial para um relógio de utilização quotidiana e, para mim, um dress watch de dois ponteiros é uma peça para usar à noite e/ou durante uma ocasião mais formal. E, neste contexto, não ter data é algo que não me faz diferença, bem pelo contrário.

Na minha busca, acabei por encontrar, e comprar, um relógio muito B3, do qual falarei em breve, mas considerei seriamente optar por este Defakto Dialog Standard. E só não o fiz porque não queria uma peça tão monocromática (este modelo existe também com mostrador preto).

Para quem procura um relógio minimalista, é difícil encontrar melhor. O desenho do mostrador inclui apenas os índices a preto sobre fundo branco, o nome da marca às 12h00 e dois ponteiros igualmente simples, também em preto. Este modelo não oferece sequer qualquer luminescência para visibilidade no escuro, embora tal seja proposto nos modelos em preto, cujos ponteiros (mas não os índices) receberam tratamento com superluminova.

A caixa tem a dimensão perfeita para este tipo de relógio, com 40mm de diâmetro, e oferece resistência à água de 5 atmosferas. A utilização de um movimento de quartzo (Ronda 712, suíço) permitiu também manter as dimensões reduzidas em termos de espessura, que é de apenas 6,6mm – excelente para uma peça que se quer discreta e dressy.

A execução inclui ainda vidro de safira e bracelete em pele genuína. O conjunto, garante-nos a Defakto, é Made in Germany. O preço para tudo isto? Uns muito razoáveis 235 euros, a partir do site do fabricante.

10 de fevereiro de 2021

Tissot Gentleman Powermatic 80 Silicium

 

Quem acompanha este blog há algum tempo já percebeu a minha predileção por relógios simples (apesar disto), e não necessariamente no que diz respeito apenas a dress watches. Não há grandes variações possíveis num "três ponteiros" com data às 3h00, mas a verdade é que, neste como em qualquer outro relógio, o diabo está nos detalhes e são precisamente os detalhes que conseguem fazer uma diferença substancial entre diferentes modelos.

Este Tissot representa bem o que acabo de escrever, com detalhes (quer estéticos, quer técnicos) que não só resultam numa peça lindíssima (para mim, claro), como apresenta fatores diferenciadores suficientes para criar um relógio único.

Comecemos pela caixa. Com 40mm de diâmetro e 11,5mm de espessura, penso que temos aqui o sweet spot que permite a esta peça ser usada por praticamente toda a gente, independentemente do tamanho do seu pulso. Apesar de ser um pouco irrelevante num dress watch, o facto de ter resistência à água até 100 metros torna-o também mais versátil e passível de ser usado como daily driver, tanto mais que o vidro de safira (usado em todos os Tissot) ajudará a que se mantenha com aspeto de novo durante muito tempo.

Outro aspeto prático é a opção pela utilização do movimento Powermatic, com mais de três dias (80 horas) de reserva de marcha e que, aqui, surge com uma melhoria importante, de resto salientada no próprio mostrador e no nome do modelo em si: o balanço em silício, o qual contribui para uma maior fiabilidade, precisão e resistência a campos magnéticos.

Os detalhes que fazem a diferença podem também ser observados na caixa, com o contraste entre o bisel, polido, e o resto da caixa, escovada; e a bracelete em aço, cujos elos centrais são polidos face aos elos laterais com acabamento escovado.

No final, uma referência incontornável para aquele que é, talvez, o aspeto mais saliente do relógio: o mostrador. Nesta variante em particular – existe também com mostrador preto e branco/prateado  – temos mostrador em azul escuro com índice prateados aplicados e janela de data às 3 horas.

Os ponteiros, ao contrário do que acontece em muitos dress watches, têm visibilidade no escuro através da aplicação de material luminescente. O mesmo não acontece nos índices aplicados, certamente por uma questão estética, mas a Tissot resolveu o problema com pequenos pontos luminescentes na base de cada um dos índices.

Eu gosto tanto desde relógio que sou mesmo capaz de fazer uma declaração radical: este é o tipo de relógio capaz de constituir uma one watch collection, um relógio que faz tudo e que fica bem em praticamente qualquer situação – algo que frequentemente se diz a propósito de relógios como alguns modelos da Rolex

O único problema aqui é mesmo o preço. Este não é um relógio muito barato. O preço de referência é da ordem dos 700 euros, muito embora o possamos encontrar na Internet por um pouco menos. Vale o que custa? Para mim, sim.

3 de fevereiro de 2021

Bauhaus 2162-3

 


A coleção Bauhaus sempre foi um best-seller da Junkers e, mais recentemente, surgiu também como uma das famílias da Iron Annie, anunciada no final de 2020, a propósito da abertura de novas instalações da Pointtec, o fabricante destes relógios, em Ruhla, na região de Thuringia.

Na realidade, o próprio edifício, no qual os relógios Zeppelin e Iron Annie (e, antes destes, os Junkers) são montados, tem também uma ligação direta à escola Bauhaus, uma vez que foi desenhado pelos arquitetos Schreiter & Schlag e construído em 1929. Agora, a Bauhaus será uma nova marca independente da Pointtec e este relógio é um dos primeiros a ostentá-la.

Existem três variantes: esta, com a referência 2162-3, que tem mostrador azul escuro e bracelete em pele castanha; uma variante com mostrador branco; e outra ainda com mostrador preto.

A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e resistência à água até 5 atmosferas, com o mostrador protegido por vidro mineral endurecido (K1). O mostrador, como não poderia deixar de ser num relógio que se chama Bauhaus, é relativamente despojado de qualquer tipo de ornamentação que não seja estritamente funcional.

No entanto, há duas decisões interessantes a salientar. A primeira é a opção pelo movimento Miyota 8285, com dia/data em que o dia da semana surge por extenso numa janela alargada às 12h00 (o dia do mês está na posição tradicional das 3 horas).  

A outra decisão prende-se com o desenho dos ponteiros: enquanto o habitual é termos ponteiros de horas e minutos numa mesma cor e, eventualmente, o ponteiro de segundos numa cor diferente, aqui alguém decidiu fazer as coisas ao contrário. Assim, temos o ponteiro das horas e o dos segundos em branco e o ponteiro dos minutos em vermelho, uma decisão cromática que foi tomada também nas restantes variantes. 

O preço de referência para este relógio é de 279 euros.

27 de janeiro de 2021

Iron Annie Flight Control GMT

 


Desde que perdeu a licença para usar o nome Junkers, o fabricante alemão Pointtec lançou duas novas marcas, a Iron Annie e a Bauhaus, que vieram não apenas a preencher o vazio criado, como criar uma nova dinâmica na empresa. Sobre a Bauhaus falarei na próxima semana mas, por agora, trago-vos um dos novos membros da coleção Flight Control da Iron Annie, a referência 5148-M2.

Sempre gostei dos Junkers produzidos pela Pointtec porque considero-os relógios "honestos", no sentido em que possuem um nível de execução correto face aos preços que são pedidos. Além disso, em Portugal, estes relógios têm (tinham, no caso da Junkers) a vantagem de terem distribuição própria a partir de uma empresa, a SRI, que tem uma excelente atenção ao cliente.

Este é um relógio com complicações de data e de segundo fuso horário, através do movimento suíço de quartzo Ronda 505.24H, que me agrada bastante, não só em termos de proporções gerais, como também pelo desenho do seu mostrador, muito elegante, sóbrio e original. 

A caixa em aço revestida a PVD preto tem com 40mm de diâmetro e resistência à água de 5 atmosferas. O mostrador, também preto, é protegido por vido mineral, e nele os numerais surgem apenas nas posições das 12 e das 6 horas, com índices em todas as restantes e uma janela de data bem integrada na posição das 3 horas.

O quarto ponteiro, do segundo fuso horário, aponta para uma segunda escala de 24 horas que apresenta uma divisão entre dias e noite.

Neste modelo, provavelmente trocaria a bracelete de metal (de resto, bonita), por uma NATO igualmente preta, mas isso sou eu... O PVP é de referência é de 279€.

20 de janeiro de 2021

Seiko Kinetic SKA789P1

 


Em 1996 comprei um Seiko Kinetic de primeira geração igual a este, com dia e data e detalhes dourados na caixa. Infelizmente a primeira geração Kinetic tinha imensos problemas técnicos, relacionados com o condensador usado. Ainda tenho este relógio mas, entretanto, já tem um movimento (também Kinetic) melhorado e com mais autonomia do que o original. 

Hoje, os "dentes de leite" da tecnologia Kinetic (em que um rotor, semelhante ao dos relógios automáticos, é usado para gerar energia para uma pilha recarregável) já são coisa do passado, com os relógios baseados nestes movimentos a oferecer um nível de fiabilidade e precisão semelhantes aos de quartzo convencional.

Este modelo é particularmente bem conseguido, ainda que algo grande (a caixa é de 43mm), com um bisel fixo que exibe uma escala de minutos/segundos que complementa estética e funcionalmente a escala horária com índices em todas as posições exceto às 12h00.

O movimento Kinetic de ultima geração usado aqui oferece uma autonomia de 6 meses após carregamento total, o que é bastante impressionante face aos cerca de três dias (75 horas) da versão original.

Como já expliquei em anteriores posts, o pusher às duas horas serve para confirmar a reserva de marcha, a qual é indicada através do movimento do ponteiro dos segundos. À data em que escrevi este post (já há algumas semanas), este relógio estava à venda na Amazon Espanha por cerca de 260 euros, já com portes. Uma busca pelo site mostra outras variantes que poderão ser também interessantes.

13 de janeiro de 2021

Citizen Promaster Tough

 


Ando para referenciar este Citizen já há algum tempo, mas só hoje houve oportunidade (so many watches, so little time...). Trata-se de um relógio de mergulho com movimento de quartzo e algumas características interessantes que o tornam único. E, claro, como é muito apreciado pela comunidade, a marca decidiu... descontinuá-lo. Que surpresa! (not...).

E o que torna este Citizen Promaster Tough em algo que valha a pena realçar no meio de milhares de relógios que, pelo menos pelo aspeto, parecem iguais? A resposta está no nome: é mesmo... forte! E basta clicarem na foto do lado direito para começarem a perceber porquê. Notam alguma coisa estranha? Ah, pois é... Não tem tampa! A caixa, de 42mm de diâmetro, é construída como um monobloco e o movimento é montado por cima, ao contrário do que sucede normalmente (já há uns anos fiz uma referência a um Citizen com este tipo de construção).

Além disso, a Citizen colocou também cuidado adicional no material da caixa propriamente dito, indicando ter usado uma liga de aço inoxidável (até aí, tudo normal) com um revestimento a que chama "Super Titanium" aplicado não apenas na caixa como na bracelete, e que oferece uma resistência 5 vezes superior à do aço, é anti-magnético e possui propriedades hipo-alérgicas. A execução inclui ainda índices e ponteiros com aplicação de superluminova, vidro de safira e coroa de rosca.

O movimento usado é o calibre de quartzo Citizen E168 com data e alimentação através da luz, usado também em diversos outros modelos da marca, e é a chave para se puder ter usado aqui uma caixa monobloco, uma vez que não necessita mudar de pilha – a autonomia é de 6 meses após um carregamento completo. 

O preço de referência é de 495 dólares, mas pode (ainda) ser encontrado na Amazon Espanha por menos de 260 euros, já com portes.

6 de janeiro de 2021

AVI-8 Hawker Hunter Charcoal Ember Brown

 


Tenho uma confissão a fazer: gosto muito deste relógio. I know, right? É um bocado cheesy e o mostrador até é bem mais busy do que eu costumo gostar, mas tem um je ne sais quoi que não me deixa indiferente (acho que bati hoje o record de palavras estrangeiras no mesmo parágrafo...). 

É um relógio que foi lançado no final de 2020, fortemente promovido através das redes sociais nos últimos meses do ano passado. Acho que o que mais me agradou neste modelo da jovem AVI-8 foi o facto de não terem tido qualquer problema em fazê-lo, mesmo indo contra tudo o que o bom-senso indicaria.

Além disso, houve aqui também a coragem de usar um movimento (ainda que de quartzo) com complicações pouco comuns, como é o caso do cronógrafo retrógrado, no qual há ponteiros que, em vez de darem uma volta completa ao sub-mostrador, voltam ao início após percorrerem um determinado semicírculo (neste caso é o contador de minutos, na posição das 10h30). 

O nome completo é AVI-8 Hawker Hunter [o nome de um avião militar britânico] Charcoal Ember Brown [uma referência às cores do mostrador e da bracelete]. Tal como a foto sugere, mesmo sem qualquer referência, este é um relógio bastante grande, com uma caixa em forma de dodecágono (com 12 faces) resistente à água até 100 metros e diâmetro de 45mm.

O movimento usado, embora isso não seja referido no site da marca (que indica apenas a sua proveniência japonesa), parece ser um Seiko (SII) VK83, da gama "mecaquartz". Tal como outros da mesma família, utiliza um movimento de quartzo como base mas a parte do cronógrafo recorre a diversos mecanismos físicos que lhe dão um feel mecânico, como é o caso da reposição instantânea dos ponteiros do cronógrafo após uma medição de tempo intermédio.

A caixa em aço tem um bonito acabamento em PVD negro e só é pena que o vidro que protege o mostrador seja "apenas" mineral e não de safira, embora aqui a marca tenha tido o cuidado de aplicar um tratamento antirreflexo ao interior do vidro, que contribui para que pareça "invisível" quando olhamos para ele determinados ângulos. 

E é precisamente o mostrador que o coloca num patamar à parte, já que a marca o decidiu desenhar como se tratasse do painel de instrumentos de um avião, precisamente o Hawker Hunter. Mas há aqui mais atenção ao detalhe, como é o caso dos grandes ponteiros das horas e minutos que foram esqueletizados e, por isso, não interferem com a leitura do cronógrafo, mesmo que no momento da contagem do tempo estejam sobre os sub-mostradores.

O resultado final é tão bom que até "deixo passar" a data às 4h30, uma posição na qual não costumo gostar de a ver... O preço, a partir do site da empresa, é de uma razoáveis £220, já com portes incluídos para qualquer parte do mundo. Antes de comprar, vale a pena procurar este relógio nas redes sociais da AVI-8, pois é possível que esteja disponível algum cupão de desconto.