28 de julho de 2021

Meccaniche Veneneziane Redentore: um clássico italiano

 

Maccaniche Veneneziane Redentore


Falei pela primeira vez na Meccaniche Veneziane em 2017, num post sobre o modelo Redentore Ardesia. Muitos microbrands aparecem e desaparecem com a mesma rapidez, mas a Meccaniche Veneziane parece ter vindo para ficar, uma vez que o seu site mostra uma gama crescente de modelos, entre eles a geração 2021 do referido Redentore.

Nunca tive qualquer um destes modelos na mão, mas tudo indica que o nível de execução aparente não só se manteve, como foi melhorado. Estes são dress watches de dimensões corretas (40mm) com duplo acabamento acetinado/escovado e braceletes em aço.

Existem várias variantes do Redentore. A que vos trago hoje tem a referência 1301008J, a qual conjuga um mostrador preto com ponteiros de esmalte azul, de belo efeito.

Além de alguns detalhes, que se notam sobretudo nos índices aplicados, há uma grande diferença entre estes novos modelos e o Redentore original: o movimento, que era um Miyota 8210A, é agora um SII (Seiko) NH35A, ao qual a marca dá a designação interna de MV145. A caixa tem resistência à água de 100 metros e o vidro de safira que protege o mostrador recebeu tratamento antirreflexo. 

O fundo é aparafusado, uma técnica que não garante tanta resistência à água (é por isso que os relógios de mergulho normalmente têm fundos roscados) mas, por outro lado, permitem um alinhamento preciso de qualquer elemento decorativo. Que, neste caso, é a figura da Igreja Il Redentore (que dá o nome ao relógio) e que foi construída no século XVI, em Veneza.

Resta o preço. Os 455€ pedidos (compra a partir do site da marca) não são propriamente uma pechincha, especialmente dado o movimento usado. Contudo, dado o aparentemente elevado nível da execução e acabamento, acaba por não ser um valor exagerado.

21 de julho de 2021

Orient Kamasu: a busca pelo melhor diver terminou

 

Orient Kamasu

Ao longo dos anos, habituámo-nos a nomes como Mako, Ray ou Kamasu da extensa gama da Orient. Tanto quanto sei, estes não são nomes dados oficialmente pela marca japonesa (desde há algumas décadas adquirida pela Seiko, mas que mantém a sua identidade e independência) mas, ao que parece, pela sua subsidiária dos EUA.

É assim que encontramos a referência que hoje vos trago sob o nome Kamasu nos Estados Unidos mas, simplesmente com a referência oficial RA-AA0004E no site japonês. Estamos, contudo, na presença do mesmo relógio: um modelo que conseguiu receber da comunidade de entusiastas da relojoaria uma reação quase unânime, sendo muitos os que garantem que este é o melhor relógio de mergulho do mundo na gama de preços que se insere.

E que preço é esse, perguntarão os meus fiéis leitores, habituados a relógios B3? O valor de referência no site dos EUA é de 460 dólares mas, como vem sendo habitual no que diz respeito aos Orient, o preço que encontramos online é muito, muito inferior. Na Amazon Espanha está neste momento a ser vendido por apenas 230 euros (!), já com portes de envio para Portugal.

Este Kamasu, que também surge por vezes referenciado como "Mako III" (embora tal não faça sentido, porque uma das coisas que distingue os Mako de outros modelos de mergulho da Orient é a utilização de um misto de índices e numerais no mostrador, enquanto aqui temos apenas índices) tem proporções muito boas, a partir de uma caixa em aço com 21,8mm de diâmetro e 200 metros de resistência à água.

O movimento usado é o Orient F6922 automático, com paragem de segundos (hacking) e possibilidade de corda manual. As complicações de dia e data, tradicionais nestes Orient, são aqui retidas, e os ponteiros são um pouco diferentes do habitual, sobretudo no que diz respeito ao ponteiro das hora, em forma de seta. Esta variante, em verde, é a que mais me agrada (procurem no YouTube: o verde é ainda mais bonito do que parece nas fotos), mas existem ainda outras com mostrador em azul, preto e bordeaux.

Tudo isto é muito bonito, poderão interrogar-se, mas não é muito diferente de outras gerações de relógios do mesmo tipo da Orient. Certo, é verdade. Mas o detalhe que faz a diferença é que este tem, finalmente!, vidro de safira. Até agora, todos modelos destes género da Orient (e até da Seiko...), se limitavam ao simples vidro mineral.

O facto de a Orient ter decidido aqui criar um modelo, na mesma gama de preços, mas com vidro de safira, torna este conjunto verdadeiramente irresistível, com uma proposta de valor que deixa muitos microbrands em apuros.



14 de julho de 2021

Vostok Komandirskie 020/650: é barato... mas valerá a pena?

 

Vostok Komandirskie


Ando há uns tempos para falar da Vostok, relojoeira russa fundada em 1942 Quando comecei este blog, há quase 10 anos, a Vostok tinha fechado há pouco tempo (faliu em 2010) e apenas a Vostok Europe, que é uma empresa totalmente diferente, embora com uma história que se cruza com a da Vostok, subsistia.

Entretanto, muito mudou, e a Vostok voltou a operar, produzindo não apenas movimentos mas também relógios completos, que têm em comum sobretudo duas coisas: desenhos clássicos e preços muito baixos.

A Vostok é das poucas marcas que se pode vangloriar de produzir os seus próprios movimentos mecânicos, ainda que estes sejam algo rústicos e com acabamentos tipicamente muito básicos. O modelo que vos trago hoje pertence à lendária família Komandirskie da marca e é um relógio de mergulho automático que custa menos de 150 euros.

Há vários vídeos no YouTube que demonstram que estes são relógios com um nível de acabamento muito básico mas, pelo menos, são originais, mesmo que este modelo em particular nos dê uma "vibes" de Fifty Fathoms, especialmente no bisel unidirecional.  

A caixa, com 41mm de diâmetro, oferece a resistência à água de 200 metros que esperamos de um relógio de mergulho digno desse nome. O desenho agrada-me imenso, e o mesmo é verdade relativamente ao mostrador azul (existe uma variante, ao mesmo preço, com mostrador verde).

Aparentemente, índices, numerais e ponteiros são luminescentes, embora não tenha encontrado nenhuma foto do relógio no escuro que me permita confirmar isso. Mas, pelo menos, o mostrador é bem desenhado e com um equilíbrio que me agrada bastante: numerais nas posições horárias pares, à exceção das 12h00, com janela de data às 3h00. Gosto também bastante do formato dos ponteiros, que por vezes são um deal breaker para mim. 

O movimento usado é um Vostok automático referência 2415.01 com apenas 31 horas de reserva de marcha, o qual contribui para o baixo preço do conjunto. Outra coisa que ajuda a manter o preço baixo é o "vidro" que protege o mostrador e que, neste caso concreto, é na realidade acrílico. Como já comentei noutros posts, o material acrílico é ótimo em termos de resistência à quebra (daí ser ser usado no Omega Speedmaster que foi à Lua), mas é terrível em termos de se riscar muito facilmente. Pode ser polido, é verdade, mas um risco mais profundo nunca irá desaparecer.

O que ainda não consegui descobrir é se existe uma loja oficial da marca. Uma que surge frequentemente nas buscas via Google é a Meranom, mas os relógios são enviados a partir da Rússia, pelo que o modelo que voz trago hoje é vendido via Amazon Espanha, que pelo menos nos dá a garantia de que podemos reaver o nosso dinheiro caso alguma coisa corra mal.

Aqui, o relógio custa 132 euros, aos que o vendedor acrescenta 10 euros para envio para Portugal. É barato, sim. E eu mesmo ando a pensar se não o irei comprar. Mas, pelo mesmo preço, podemos ter um Orient. É menos original, é verdade, mas o nível de execução e qualidade do movimento são claramente superiores. 

7 de julho de 2021

DIY Watch Club: faça você mesmo

 


Comprar um relógio? E que tal... Montar o nosso próprio relógio? Tendo em consideração que milhares de marcas fazem apenas isso mesmo (montar os seus relógios a partir de peças "off the shelf"), este é um exercício interessante, basicamente equivalente a podermos dizer que "este relógio? Fui eu que fiz!" Apresento-vos o DIY Watch Club, onde mais do que comprar um relógio, a ideia é selecionar o que pretendemos e montarmos nós mesmo o produto final.

Vamos começar pela más notícias: esta empresa está em Hong Kong, o que significa que o que comprarmos vai ter de pagar IVA e taxas de desalfandegamento à entrada de Portugal. Mas, tendo em consideração que os preços na origem não são excessivos (entre os 170€ e os 300€), o resultado final poderá ainda assim valer a pena.

A empresa vende não apenas todas as peças necessárias para cada modelo (há muitos por onde escolher, desde dress watches a divers), mas inclui igualmente um kit completo de ferramentas para montagem do relógio e mantém um canal de vídeo do YouTube com diversos tutoriais,

Pelas fotos, praticamente todos os relógios me agradam esteticamente: não sendo muito originais, apresentam desenhos clássicos e sóbrios e não envergonham ninguém! Os movimentos usados são os suspeitos do costume, incluindo Seiko NH35A e Miyota 8215.

Quer seja para si mesmo, quer para oferta a um familiar ou amigo entusiasta dos relógios, parece-me que estas propostas do DIY Watch Club são muito interessantes e valem, pelo menos, uma visita ao site. Quem sabe, o próximo relógio no seu pulso não será montado por si? ;-)

30 de junho de 2021

Casio MTD-1053D: mergulhar sem preocupações

 

Casio MTD-1053D


Caixa e bracelete em aço? Check! Bisel unidirecional? Check! Resistência à água até 200 metros? Check! Preço? Menos de 50 euros! Apresento-vos o Casio MTD-1053D, um relógio de mergulho que pode efetivamente ser usado como tal e com um preço como só a Casio é capaz de oferecer.

Este é um relógio disponível em duas variantes. A da esquerda, com mostrador preto, chama-se MTD-1053D-1AVES; a da direita, com mostrador e bisel em azul escuro, é o modelo  MTD-1053D-2AVES.

A marca japonesa tem uma grande tradição em relógios de mergulho acessíveis, mas não me recordo de ter encontrado, como aqui, uma tal combinação de características e funcionalidades por um preço tão baixo.

Porque não se trata apenas do preço. Estes são relógios em que foram feitos muito poucos compromissos aparentes. A caixa, em aço, tem 42,6mm de diâmetro (muito embora nas fotos pareça maior) e o desenho do mostrador é particularmente bem conseguido, com um misto de numerais nas posições 12, 6 e 9 (e janela de data às 3h00) e índices nas restantes posições.

Entre os dois, o modelo azul seria o meu preferido, quanto mais não seja porque dá um bocadinho mais nas vistas. Em termos de construção, são iguais. Para garantir a estanquidade, a coroa é de rosca e o fundo da caixa é igualmente roscado. O bisel, como escrevi no início, é 100% funcional, com a operação unidirecional que esperaríamos de um relógio de mergulho. O vidro do mostrador é mineral mas, por este preço, acho que ninguém estaria à espera de safira...

Vamos então ao preço. O valor de referência na loja oficial da Casio é de 79€, já de si um valor muito bom. Contudo, à data em que escrevo estas linhas, encontra-se esgotado, podendo no entanto ser encontrado na Amazon Espanha (envio com portes grátis para Portugal) por apenas 49,99€ (!) no caso da variante com mostrador preto, ou de 56,90€, para a variante em azul.

E pronto: já têm aqui um relógio para levar para a praia. Ou para a piscina. Ou, caso não possam ir de férias, para a banheira. :-)

23 de junho de 2021

Citizen CZ SMART: um smartwatch que... parece um relógio

 

Citizen CZ SMART

São raros os exemplos de smartwatches de que tenho aqui falado ao longo dos anos, à exceção de alguns Casio com ligação Bluetooth ao telemóvel. Isto porque o conceito de smartwatch é, de alguma forma, contrário ao do relógio em si mesmo. Afinal, um relógio pode ser para sempre, passando de geração em geração, enquanto que um smartwatch durará enquanto a sua bateria interna (normalmente, não substituível) sobreviver ou, pior, até que deixe de haver suporte para o seu sistema operativo.

Além disso, os smartwatches são também habitualmente fabricados por empresas que nada têm a ver com a relojoaria, como a Samsung, a Apple ou a Garmin. Por isso penso que vale a pena celebrar este novo smartwatch da Citizen, o CZ Smart, baseado no novo sistema operativo WearOS da Google (compatível também com iOS), empresa que até agora não tinha conseguido apresentar a este setor propostas tão convincentes com é o Android para os smartphones.

O que mais me chamou a atenção neste "relógio" (vamos manter as aspas, por agora...) é o seu desenho: à primeira vista, nada o distingue de um cronógrafo, com os dois poussoirs a flanquear a coroa às 3h00. Só numa segunda mirada mais atenta percebemos que o mostrador inclui funcionalidades que nada têm a ver com as complicações da relojoaria, como é o caso do indicador de pulsações por minuto às 6h00 ou o medidor de passos às 9h00.

Um dos problemas, para mim, continua a ser o das dimensões demasiado grandes. Com o diâmetro de 46mm, esta é uma caixa claramente XXL que não irá funcionar bem em qualquer pessoa; apesar de ser uma limitação certamente imposta por fatores como o tamanho da bateria e do ecrã, gostaria de ver opções com um tamanho um pouco mais modesto – 43mm seria o limite para mim.

Outro detalhe que faz a diferença, pela positiva, é a bracelete em aço, que contribui para que este seja um smartwatch que passe por um relógio normal. Note-se, contudo, que a bracelete em aço é apenas proposta nesta referência específica, MX0001-58X, sendo a restante gama, com variantes na cor da bracelete, da caixa e do bisel, proposta apenas com braceletes em borracha.

Tal com acontece com os smartphones, o vidro escolhido aqui para proteção do mostrador é Gorilla Glass. A resistência à água é básica (3 atmosferas), pois este não é um modelo destinado a atividades aquáticas.

O calcanhar de Aquiles continua a ser a autonomia. A bateria recarregável incorporada não oferece mais do que 24 horas de funcionamento contínuo, mas é incluído um berço magnético com cabo USB para carregamento sem fios. Um carregamento de 40 minutos garante 80% da carga máxima.

Resta o preço. Não sei, sinceramente, se o valor de referência de 395 dólares é um ou não um bom negócio, uma vez que a experiência deste tipo de equipamentos, por assim dizer, depende muito de utilizador para utilizador.

Mas, para quem precise mesmo de um smartwatch e queira continuar a ter a experiência de usar um relógio convencional, esta proposta da Citizen parece-me bastante interessante.

 

16 de junho de 2021

Roschenbold Calenda: a oriente, tudo de novo

 

Roschenbold Calenda
A Roschenbold é uma empresa de Hong Kong que produz relógios baseados em movimentos mecânicos chineses. O seu mote é "Going Beyond the Date Complication", ou seja, ir para além da complicação de data. E basta uma rápida vista de olhos pelas suas coleções para perceber o quanto a marca leva essa ideia a sério.

Neste momento, a Roschenbold tem apenas três coleções, cada uma delas com algumas (poucas) variantes ao nível de cor do mostrador e bracelete: Calenda (este que vos trago hoje), com big date em janela dupla e calendário analógico através de dois sub-mostradores que exibem o mês e o dia da semana; Intervalo, um bonito cronógrafo mecânico; e Volante, aquele de que gosto menos, e que oferece um mostrador tipo open heart com exposição do balanço e dia e data através de dois sub-mostradores.

Nada sei sobre a empresa além daquilo que pode ser observado no seu website, mas gosto da transparência (por exemplo, são claros ao indicar que o seu centro logístico está em Hong Kong e que é daí que os relógios serão enviados, muito embora estejam a considerar abrir armazéns na Europa em breve) e do facto de terem poucas coleções, mas bem executadas.

Como disse no início, os movimentos utilizados são de origem Seagull mas que a Roschenbold regula para uma precisão melhorada. Além disso, têm todos decoração, algo que pode ser observado pelas tampas em vidro presentes em todos os modelos.

Além dos movimentos, a marca claramente optou de forma consciente por economias de escala, ao dotar todos os seus modelos de desenhos, caixas e braceletes idênticas, sem por isso deixar de criar uma identidade própria e peças com um desenho elegante e original.

Regressando a este Calenda, na sua variante Charcoal, praticamente tudo nele é do meu agrado, a começar pela complicação de "grande data" através de dois discos, na posição das 12h00., cortesia do movimento Seagull  ST2527. A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro e resistência à água de 5 atmosferas. A bracelete, em pele, possui fecho tipo borboleta; está disponível uma variante um pouco mais cara que inclui, além desta, uma bracelete em aço de malha milanesa.

A relativamente grande altura da caixa (15mm) é a maior incógnita sobre a forma como este relógio ficará no pulso e poderá ser usado no dia-a-dia.

O mostrador é, talvez, o aspeto mais original deste relógio, com o nome da marca orgulhosamente inscrito entre as 10h30 e as 1h30 e sem quaisquer índices ou numerais  mas com uma escala de tipo "caminho-de-ferro" modificada para uma melhor granularidade na leitura dos minutos/segundos. O vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

Se, ao longo do artigo, foi clicando nos links, já deve ter percebido porque é que este relógio com aspeto de custar largas centenas de euros, está aqui: o seu PVP é de apenas 358,95€. É verdade que vem de Hong Kong, o que irá certamente levar à cobrança de taxas de alfândega. Mas, caso a promessa da Roschenbold em abrir um centro logístico na Europa se concretize, este relógio será certamente um dos próximos da minha coleção.



6 de junho de 2021

Deep Blue Master 1000 Chronograph: pau para toda a obra


Normalmente, gosto de falar de relógios que eu mesmo compraria; no entanto, este Deep Blue não é para mim, devido à sua caixa com um diâmetro um pouco fora do que considero razoável para o meu pulso: 45mm. Mas, como ainda assim o considero interessante, vale bem uma referência, até porque estamos a chegar ao Verão... 

Deep Blue Master 1000 Chronograph é um modelo desportivo particularmente polivalente, uma vez que conjuga a funcionalidade de um relógio de mergulho com um cronógrafo e ainda oferece a complicação de dia e data, o que o torna num prático daily driver.  

O movimento usado é o Miyota 0S10, uma evolução do 0S00 de que já aqui falámos anteriormente, que tem agora a funcionalidade de quick reset do cronógrafo, como acontece nos cronos mecânicos. Além disso, o layout de três sub-mostradores às 12, 6 e 9 horas com dia e data às 3h00 remete-nos de imediato para os cronógrafos automáticos baseados no ETA 7750.

Como disse logo no início, este é um relógio grande, com caixa 45mm de diâmetro, e que oferece resistência á água até 300 metros, ou seja, 1000 pés – o que explica a referência no nome. A coroa às 10h00 é uma válvula de hélio manual, o que significa que pode ser usado em mergulho de saturação. O bisel, unidirecional, é de 120 cliques, em alumínio (menos resistente do que projetos semelhantes, embora mais caros, com biséis em material cerâmico).

O resto da execução não está mesmo nada mal para o preço pedido (333 dólares), uma vez que inclui vidro de safira e bracelete em aço. Apesar de não surgir no website europeu da marca, qualquer modelo presente no site dos EUA pode ser adquirido também a partir da Europa, evitando assim chatices com impostos. Uma versão com bracelete em borracha é ainda mais acessível (249 dólares).



26 de maio de 2021

Tissot Seastar 1000 POWERMATIC 80: um "diver" suíço B3

 

Os relógios de mergulho são uma das categorias mais populares entre os microbrands. Contudo, relógios como este Tissot Seastar 1000 tornam algumas propostas de valor difíceis de engolir.

Este é um relógio de uma marca suíça com grande tradição, fabricado na Suíça, com movimento suíço ETA Powermatic 80, vidro de safira e caixa em aço com elevada resistência à água... que custa menos de 700 euros (na Amazono PVP de referência é de 760€).

Depois, é também um relógio com uma estética própria, em vez de enveredar pelo caminho habitual das cópias mais ou menos conformes ao clássico Rolex Submariner. Na verdade, para o meu gosto, até prefiro este Tissot, não apenas nas proporções globais mas em detalhes como a janela de data às 6h00 (em vez de não ter data ou esta surgir às 3h00) que contribui para a simetria do mostrador mesmo oferecendo uma complicação útil para o dia-a-dia.

A caixa tem uma dimensão que está no limite para mim (43mm), mas tem uma espessura razoável para um relógio deste tipo (12,7mm) com resistência à água de 300m. O vidro que protege o mostrador é de safira e, no fundo, encontramos novamente vidro de safira para observação do movimento. A coroa, como sucede em relógios deste tipo, é naturalmente de rosca. O bisel, unidirecional, é em material cerâmico.

O já referido movimento Powermatic 80 é baseado no ETA 2824-2 e é usado pela marca também em dress watches. O número 80 refere-se às horas da reserva de marcha, conseguidas através da utilização de um tambor de corda melhorado e, infelizmente, pela redução da frequência de funcionamento de 4Hz para 3Hz.

Como disse no início, este é um relógio que se consegue comprar na Amazon Espanha por menos de 700€. Para o que nos é aqui oferecido e tendo em conta o habitual nível de execução da marca, é difícil não olhar para ele como uma excelente proposta B3.

19 de maio de 2021

Citizen Super Titanium NJ2180: um automático a preço de quartzo!

 

A Citizen é uma marca com lugar cativo aqui no blog, dada a sua enorme gama de relógios B3. Acontece que, ao contrário da Seiko, por exemplo, o que encontramos habitualmente na gama Citizen são modelos de quartzo, nomeadamente os que utilizam movimentos Eco Drive, ou seja, alimentados pela luz.

Contudo, na nova gama Super Titanium da marca (efetivamente composta, como é habitual, por modelos com movimentos de quarto) encontramos um dupla proposta com calibre mecânico automático: os modelos NJ2180 declinados nas variantes 89L, com mostrador azul (o da foto) e 89A, com mostrador em branco.

Em qualquer dos casos, estamos na presença de dois belíssimos dress watches, com dimensões corretas (caixa com 40mm de diâmetro) e vidro de safira. Ambos usam o movimento automático Citizen 8210 com data às 3h00, o qual é designação da marca para o popular Miyota 8215 que a Citizen vende para outras marcas.

Esta nova gama, como nome indica, consiste inteiramente em relógios com caixas e braceletes em titânio (em toda a gama, só existe um modelo com bracelete em pele). A Citizen explica também a razão pela qual chama à liga metálica que utiliza "super titânio": graças a uma tecnologia de produção própria, o titânio usado nestes relógios é 5 vezes mais resistente ao desgaste e, por isso, menos propenso a ficar facilmente riscado, mantendo o seu peso reduzido — cerca de 40% mais leve do que o seu equivalente em aço. Neste caso, o peso total deste relógio, com a bracelete em titânio, é de apenas 94 gramas.

O relógio, em si, é bastante simples, pese embora o resultado final seja bastante do meu agrado. A sua característica mais saliente consiste no mostrador com índice aplicados e cujo fundo, quer na versão em branco quer na azul, apresenta uma interessante textura raiada.

A caixa, com uma mera resistência à água de 3 atmosferas, oferece contudo fundo transparente para observação do movimento.

Resta-nos o preço. O valor de referência para este modelo é de 298€, um preço justo para o que aqui é oferecido e que é pouco superior ao de outras propostas similares na mesma coleção, mas que utilizam movimentos de quartzo. À data deste post, encontra-se à venda na Amazon Espanha por cerca de 280€.

12 de maio de 2021

Elysee Vintage Chrono: o charme discreto de um cronógrafo clássico

 


A Elysee Watches é uma marca alemã que começo por respeitar pela honestidade que demonstra ao contar a sua história

Ao contrário de muitas marcas que desapareceram durante décadas e foram recentemente compradas por grupos que pouco têm a ver com a relojoaria (e que pretendem apenas capitalizar no nome para fazer uns dinheiros rapidamente) a Elysee até podia fazer render peixe e salientar que foi fundada em 1920 por um relojoeiro suíço – o que é factualmente verdadeiro!

Contudo, a marca prefere salientar a data do seu "reboot" alemão, em 1960, e que deu efetivamente origem à empresa que hoje se apresenta ao mercado.

A gama da Elysee não é nada de especial, mas tem o condão de me parecer honesta: os seus desenhos são clássicos, os movimentos são de boa qualidade, quer os suíços, quer os japoneses. E os preços são... como gostamos aqui no blog! :-)

As máquinas mais caras oferecidas pela marca são cronógrafos baseados no movimento ETA Valjoux 7750, em torno dos 1.500€, mas o modelo que vos trago é outro e, sendo igualmente um cronógrafo, é bem mais acessível. Trata-se do Vintage Chrono com a referência 80550 e cujo preço de referência, vendido a partir do site da empresa, é de 295€, com portes grátis para Portugal.

Como se pode ver pela imagem, o relógio é muito bonito, com um estilo clássico que a Elysee define como sendo "ao estilo dos anos 30". Na prática, é muito parecido com os cronógrafos da Longines, muito embora eu até me atreva a dizer que este é mais bonito!

Claro que, por este preço, e ainda por cima um cronógrafo, o movimento usado é de quartzo. No entanto, a escolha caiu sobre o TMI VK76 da Seiko, um mecha quartzassociado ao movimento de quartzo que nos dá as horas, minutos, segundos e data, a Seiko introduziu alguns elementos mecânicos que dão um feel analógico à parte do cronógrafo, nomeadamente no movimento suave do ponteiro dos segundos central, bem como ao reset instantâneo.

As proporções são as de um dress watch, com caixa em aço de 40mm de diâmetro, infelizmente quase sem resistência à água (3 ATM), mas com vidro de safira a proteger o mostrador. A implementação da janela de data às 3h00 contribui para o desenho clássico, o mesmo acontecendo com a utilização de numerais em todas as restantes posições horárias, os quais são aplicados e não pintados.

A versão 8055S, com bracelete em aço é proposta por 335€, e existe ainda a variante 80552, com o mostrador azul e caixa em aço com plaqué em ouro, por 315€.

5 de maio de 2021

Torgoen T9 Bluebird GMT: dois fusos horários pelo preço de um

 


Os relógios com complicação GMT, isto é, a de um segundo fuso horário, desde há muito que deixaram de ser uma espécie rara e dispendiosa. Sobretudo a partir do momento em que os principais fabricantes que vendem para terceiros, passaram este tipo de movimentos nas suas gamas, quer no caso de máquinas automáticas, quer nas de quartzo.

Claro que é possível implementar esta complicação sem sequer um movimento específico, bastando para tal tirar partido de funcionalidades como lunetas rotativas com uma segunda escala. Mas, neste caso concreto, refiro-me aos "verdadeiros" relógios com segundo fuso horário através de um ponteiro das horas dedicado.

O relógio que voz trago hoje é de uma micromarca americana sobre a qual não falava desde 2015, a Torgoen, mas que continua a existir e a oferecer uma gama interessante e, sobretudo, acessível: este é o T9 Bluebird GMT, com mostrador azul escuro e bracelete em pele castanha, o qual é baseado no movimento suíço Ronda 515.24H, que permite o acerto independente do segundo fuso horário.

Tal como acontece com outras criações da Torgoen, também esta é uma peça muito bem desenhada e com mostrador de elevada legibilidade. A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro e resistência à água até 100m – estanquidade ajudada por uma coroa de rosca. Apesar do posicionamento da janela de data às 4h30 não costumar ser do meu agrado, aqui percebe-se a opção tomada: não interromper nem os numerais nas quatro posições horárias principais, nem os índices nas restantes.

Uma escala adicional no extremo da circunferência do mostrador permite fazer a leitura do segundo fuso horário com um ponteiro que demora 24 a percorrer uma volta completa. É que, na verdade, este movimento da Ronda oferece uma espécie de dois-em-um: não só temos a função de segundo fuso horário, como a sua leitura através de uma segunda complicação, a das 24 horas.

Com venda direta a partir do website da empresa por apenas 167,95€ (portes grátis para a Europa – mas, vindo dos EUA, é possível que haja taxas de alfândega a pagar), podemos adicionar vidro de safira à encomenda para um preço total ainda assim inferior aos 200€ – 190,95€.

A gama T9 inclui diversas variantes, com diferentes cores de mostrador, caixa (incluindo revestimento PVD) e braceletes (pele, metal), mas todas com preços semelhantes.

28 de abril de 2021

Botta UNO Quartz 40mm: o dress watch perfeito?

 

A maioria dos visitantes deste blog já deve ter pelo menos ouvido falar dos relógios MeisterSinger, provavelmente os mais populares fabricantes de modelos de um só ponteiro. Contudo, e se vos disser que os verdadeiros inovadores do conceito (na sua implementação moderna, visto que os relógios de um só ponteiro precedem os de dois ponteiros a que estamos habituados!) são uma outra empresa alemã, de nome Botta Design?

Pois é, as aparências iludem e, nos negócios (da relojoaria em particular, mas também de todos em geral) chegar primeiro nem sempre é garantia de sucesso. A verdade é esta: a MeisterSinger foi fundada em 2001 e o primeiro relógio de pulso de um só ponteiro da era moderna foi lançado em 1986 pela Botta Design – o UNO.

Acresce que os MeisterSinger não são relógios B3 (custam todos mais de 1000 euros) enquanto os Botta, não sendo baratos, estão pelo menos disponíveis com versões de quartzo que os colocam ao alcance de uma audiência muito maior.

O UNO Quartz que hoje vos trago é uma peça de desenho extremamente depurado e com algumas características que o tornam no dress watch perfeito. Comecemos pela caixa, que é de titânio: com 40mm de diâmetro, há quem garanta (e eu estou do lado dessas pessoas...) que este é o tamanho perfeito para dress watch. Contudo, o tamanho não se mede apenas em termos de diâmetro e, aqui, este UNO também não deixa créditos por mãos alheias, uma vez que a caixa tem apenas 5,4mm de altura!

Outro aspeto do desenho que pode à primeira vista passar despercebido, é que o relógio não tem asas ("lugs") para segurar a bracelete, a qual é fixada na parte inferior da caixa:


O resultado é um relógio no qual o minimalismo não resulta apenas da utilização de um só ponteiro, mas do desenho em termos globais. Há detalhes que levaram esta ideia talvez um pouco longe de mais, com o é o caso da coroa, completamente lisa e que não deverá ser muito prática de usar. Contudo, este é um relógio de quartzo de um só ponteiro: tirando o momento de mudar a bateria (de 6 em 6 anos), quando é nos vamos ter de preocupar com o acerto!?

O movimento, como já disse anteriormente, é de quartzo, sendo neste caso entregue a um Ronda 1062 do qual apenas é usado o ponteiro das horas. Este é um movimento fabricado na Suíça e que, ao contrário do que muitas vezes sucede, é montado sobre uma base metálica e não de plástico, sendo também reparável. Na verdade, existem duas versões deste movimento, uma "Swiss Made" e outra "Swiss Parts", sendo a primeira de especificação mais elevada, e é essa que a Botta aqui usou.

O vidro é de safira e a resistência à água de 5 ATM. No total, tirando partido do facto de a caixa ser produzida em titânio (num total de 3 peças roscadas entre si), o relógio pesa apenas 32 gramas!

Existem versões com mostrador branco e preto, vendidas diretamente a partir do website da marca a 498€. Uma versão totalmente preta (caixa revestida a PVD) custa 548€. Não é barato, admito. Mas é um "monoponteiro" com pedigree e excelente design, pelo que acho que até se admite.

25 de abril de 2021

Seiko Recraft SNKM97

 



Este Seiko da coleção Recraft da marca japonesa não é novo, longe disso. Pelo que percebo através de pesquisas online, foi lançado no já longínquo ano de 2015. No entanto, só recentemente "tropecei" nele e, apesar de já não ser muito fácil de encontrar (nem tão barato como quando foi lançado) acho que é suficientemente interessante e original para valer uma referência aqui no blog.

A coleção Recraft da Seiko inclui várias peças inspiradas na estética relojoeira que fez escola ano final dos anos 60, início dos anos 70 do século passado, e este SNKM97 é um excelente exemplo. É um daqueles casos em que a foto não faz jus à beleza da peça -- aconselho-vos a darem uma vista de olhos a alguns vídeos no YouTube para perceberem o bonito que ele é, quer em termos do mostrador, quer no acabamento da caixa.

E é esta a ideia por detrás deste de doutros relógios da coleção: oferecer uma vibe nostálgica num relógio bem desenhado e acessível, como é a maioria dos Seikos (embora, infelizmente, com tendência para serem cada vez mais caros...). De resto, pelo que li online, este modelo em particular não é uma recriação ou reedição de qualquer outro relógio da marca, mas sim uma criação totalmente nova. O resultado é muito do meu agrado, embora admita que isso se possa dever ao facto de eu ter quase 60 anos! :-) 

As características técnicas são menos impressionantes do que o desenho. O movimento usado é o mecânico automático Seiko 7S26 que encontramos em centenas de Seiko 5 e que é bastante fiável mas básico: não oferece nem paragem de segundos (hacking) nem corda manual.

Mais interessante é a caixa (embora oferecendo apenas 5 atmosferas de resistência à água), com um formato quase quadrado, típico da época que pretende evocar, e uma conjugação de acabamento polido e escovado de excelente efeito. O vidro do mostrador é o habitual "hardlex", a versão Seiko de vidro mineral endurecido. O fundo é também de vidro, para observação do movimento. 

A caixa tem umas dimensões generosas, de 43,5mm e, pelo que tenho visto em vídeos, o relógio não parece demasiado grande no pulso.

Mas, claro, a pièce de resistance é o mostrador, com um verde que vai escurecendo do centro para a periferia. Os índices são aplicados e o mesmo acontece com o logótipo da Seiko. Há um destaque a branco nos índices das 12, 6 e 9 horas, que se conjugam com a moldura da mesma cor em torno da janela de dia/data. Na foto não se nota muito bem, mas os ponteiros das horas e minutos são esqueletizados.

Resta o preço. E aqui é que as coisas se complicam. O valor de referência da marca é de 250 dólares. Contudo, como o modelo é apetecível e foi entretanto descontinuado, os preços que encontramos online não são famosos. Na Amazon.com, com os problemas de ter de vir dos EUA, o valor base é de 200 dólares mas fica por cerca de 250€,  com taxas e envio, o que ainda assim penso que valerá a pena. 

Há uma loja na Amazon.es que está a vender este modelo por 399€, o que me parece perfeitamente especulativo.

Mais informações aqui e aqui.

14 de abril de 2021

Pulsar PM3175X1

 


 
Os cronógrafos são os relógios que têm, aqui no blog, mais leitura. Sempre que faço um artigo sobre um cronógrafo, é certo e sabido que as visitas aumentam. E, de facto, existe algo de mágico nestas máquinas com os seus poussoirs adicionais e sub-mostradores para contagem de tempos intermédios.

Nem todos são bem conseguidos, mas quando o são, o resultado é semelhante a este Pulsar de inspiração militar: equilibrados, com grande legibilidade e um resultado harmonioso.

A Pulsar, como sabemos, é uma das marcas low cost do grupo Seiko (a outra, ainda mais acessível, é a Lorus). O modelo que hoje vos trago é a referência PM3175X1, com um preço de referência em torno dos 120 dólares mas que se encontra à venda na Amazon Espanha por menos de 90 euros.

O relógio tem uma história interessante, que eu desconhecia, e que descobri no fórum DezDez. Trata-se, na verdade, de uma edição baseada numa série especial que a marca fez para a RAF, com a referência PJN299 e que se encontra esgotada desde há muito. E digo "edição" e não "reedição" porque este novo cronógrafo é diferente daquele que lhe serviu de inspiração, nomeadamente no desenho do mostrador (os numerais são maiores neste novo modelo) e dos ponteiros. Apesar de haver quem pense o contrário, eu até acho esta reedição mais bonita do que o relógio original (a verdadeira reedição do modelo da RAF será este, com a referência  PM2139X1).

As especificações são idênticas entre ambos os modelos: movimento de quartzo (claro, a este preço, seria impossível o contrário!), complicações de cronógrafo e data às 3h00, caixa em aço com 42mm de diâmetro, resistência à água até 100m e vidro mineral. Os numerais e os ponteiros têm luminescência no escuro. A bracelete, de estilo militar (mas que não é tipo NATO) é de nylon, o que reforça o caráter utilitário da peça.

O mostrador é preto, mas existe uma variante em mostrador azul escuro e preço ainda inferior, com a referência PM3177X1

8 de abril de 2021

Mondaine Stop2Go MST.4101B.LB

 

Já aqui falei da Mondaine por diversas vezes. Mas, confesso a minha ignorância, só agora me apercebi de que deixei passar ao lado aquele que é o modelo mais interessante da marca, o Stop2Go. É um relógio que, tendo um movimento de quartzo, vale bem os quase 600 euros pedidos, dada a sua originalidade e funcionalidades únicas num mercado repleto de cópias de cópias...

Na gama da marca suíça, este modelo é dos que oferece menos complicações: apenas horas, minutos e segundos. No entanto, é também aquele que se pode considerar como verdadeiro herdeiro dos relógios dos caminhos de ferro suíços, uma vez que não só o desenho é idêntico, mas a funcionalidade também.

Como?, perguntar-me-ão? Através da função que dá o nome a este modelo: o ponteiro dos segundos demora 58 segundos a dar uma uma volta completa ao mostrador; depois, ao chegar à posição das 12h00, faz uma pausa de dois segundos e, ao avançar para as 12h00m01s, o ponteiro dos minutos (que, durante 58 segundos não se moveu um décimo de milímetro sequer), avança de forma visível para o minuto seguinte! Se não percebeu o que acontece através da minha descrição, sugiro que veja este vídeo no YouTube.

Além disso, o movimento do ponteiro dos segundos tenta imitar o movimento suave através do mostrador do relógio original, movendo-se ao ritmo de quatro "tics" por segundo. O movimento é criado in house pela Mondaine, com a designação Stop2Go 58-02, e inclui dois motores independentes, um para as horas/minutos e outro para os segundos. O elevado consumo de energia que isto implica foi compensado pela utilização de uma bateria de lítio de elevada capacidade, com autonomia para 3 anos. 

Esta funcionalidade peculiar deu origem a outra idiossincrasia deste modelo, que é a forma da coroa, a qual não possui uma forma circular nem sequer roda como uma coroa normal. 



Uma vez mais, o vídeo que linkei acima mostra como é que o relógio é operado e como funciona esta coroa.

Uma última originalidade que, creio, é igualmente única no mercado, é a luminescência do escuro. Uma vez que o mostrador é branco e os ponteiros e índices são pretos, poderíamos imaginar que essa luminescência se faria através da uma funcionalidade tipo "full lume", em que o mostrador é todo ele luminescente e a leitura no escuro é feita por contraste. Mas não. A Mondaine pensou efetivamente "fora da caixa" e colocou o lume por baixo (!) dos ponteiros... O "carregamento" do material luminescente faz-se através do reflexo da luz no mostrador branco e, à noite, os ponteiros brilham de baixo para cima. Genial!

O resto da execução é relativamente normal. A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e resistência à água praticamente inexistente (3 ATM), a bracelete é em pele preta (existe uma variante com bracelete vermelha) e o vidro é de safira com revestimento antirreflexo.

A Mondaine produz também um relógio de parede "smart" com a funcionalidade Stop2Go. Tem 25 cm de diâmetro e pode ser acertado através do smartphone, com ligação Bluetooth. O preço é de 294 francos suíços. 

4 de abril de 2021

Movimento Citizen 0200

 


A Citizen tem um novo movimento mecânico, algo que não acontecia desde há 11 anos. O vídeo acima tem cerca de 20 minutos mas vale bem a pena (tem legendas em inglês), pois dá-nos também uma panorâmica sobre a história da empresa japonesas, que remonta a 1918.

Os primeiros relógios da marca baseados nestes movimentos estão previstos para o Outono de 2021.

31 de março de 2021

Hemel The Airfoil

 


Marvin Menke, o fundador da Hemel, tinha-me enviado informação sobre este novo cronógrafo em Janeiro mas, na altura, tinha já criado artigos e agendamentos até Março, pelo que só agora tive oportunidade de vos vir falar do The Airfoil.

Trata-se de um relógio que utiliza o movimento mecânico de carga manual Seagul ST19, o mesmo de que já falei a propósito do cronógrafo Seagull 1963, aqui completo com regulador tipo "pescoço de cisne" e visível através da tampa da caixa em vidro.

A estética deste cronógrafo é muito interessante, algures entre o look desportivo tipo rally e o relógio de piloto. A Hemel esteve aqui limitada às complicações do movimento usado (crono sem data) mas resolveu acrescentar valor através de um bisel rotativo (120 cliques) graduado de 1 a 12 e que oferece, na prática, a leitura de um segundo fuso horário.

A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro – claramente o sweet spot para relógios deste género, pelo menos para mim – e resistência à água até 100 metros. Ponteiros e índices têm tratamento luminescente com Superluminova e o mesmo acontece para os numerais e marcações do bisel. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo. .

Existem três variantes deste modelo, com mostrador preto (na foto), azul e marfim, todas com bracelete em pele castanha. Este último oferece a particularidade de ser um mostrador "full lume", ou seja, todo ele é luminescente e a leitura no escuro faz-se pelo contraste com os ponteiros e índices. No entanto, à data deste post, esta variante estava esgotada, com a Hemel a aceitar encomendas para entrega em Agosto próximo.

Resta falar do preço: 500 dólares (qualquer das variantes) por um cronógrafo mecânico com este nível de desenho, execução e funcionalidades parece-me um excelente negócio. Note-se contudo que o site da marca venda para Portugal, mas está localizado nos EUA, pelo que deveremos contar com custos de alfândega – tipicamente da ordem dos 20% do valor total do relógio, pelo menos.

26 de março de 2021

Casio Edifice EFR-S108D-1AVUEF

 

Já aqui temos falado de contrafações e de hommages e da diferença entre ambas. Se as primeiras são (para mim) inaceitáveis, também há quem torça o nariz às segundas, embora reconhecendo a distância entre ambas.

Coisa muito diferente é o campo inesgotável das influências – afinal, a maioria dos relógios tem um mostrador redondo e 12 índices ou numerais, pelo que é virtualmente impossível fugirmos ao facto de que toda a gente anda a copiar toda a gente, de uma maneira ou de outra.

Este Casio da gama Edifice que hoje vos trago tem a referência EFR-S108D-1AVUEF e é um desenho original que, no entanto, claramente pisca e olho a um verdadeiro ícone da alta relojoaria, o Audemars Piguet Royal Oak que, em 1972, trouxe consigo uma lufada de ar fresco ao mercado.

A originalidade do Royal Oak consiste na caixa – com exterior octogonal e interior circular – bem como na decoração com parafusos visíveis. E são precisamente estes dois aspetos que a Casio aqui retomou de forma que eu considero particularmente feliz neste modelo. 

Claro que as semelhanças entre ambos os modelos começam e terminam aqui, até porque o AP Royal Oak com o qual este Caso é mais parecido, a referência 15500ST.OO.1220ST.03, custa a módica quantia de... 21.000 francos suíços, ou seja, algo como 19.000€!

Escusado será dizer que não acho que este Casio, que tem um PVP de referência de 119€ mas pode ser comprado por cerca de 100€, seja 190 vezes pior do que o Royal Oak que o inspirou. Pelo contrário, além de ser um excelente negócio é muito bonito, com as suas linhas elegantes, caixa com 40mm de diâmetro de reduzida espessura (apenas 7,8mm) e resistência à água até 100 metros.

Como seria de esperar por este preço, o movimento é de quartzo, mas a execução inclui vidro de safira. Ah, e já vos disse que custa cerca de 100 euros, certo? ;-)

17 de março de 2021

Laco Aachen 39

 

Falei pela primeira vez da Laco em 2013, a propósito do modelo Aachen na sua versão de 42mm. A Laco é uma das cinco empresas que foram contratadas pelo governo alemão para produzirem relógios para os pilotos e navegadores da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial. Destas cinco, hoje apenas a Stowa e a Laco produzem relógios de piloto com mostradores Tipo B, em que os algarismos principais são os dos minutos e não o das horas.

Isto significa que a Laco está para este tipo de relógios um pouco como a Hamilton está para os relógios tipo field. Daí que acho que valha a pena revisitar a gama Aachen da marca. A Laco tem também fliegers com mostrador convencional (que eram mais usados pelos pilotos, com os navegadores a preferirem os mostradores Tipo B) bem como uma gama mais cara, que usa movimentos suíços e com preços acima dos 1000 euros. Pelo contrário, a gama Aachen é muito mais acessível e utiliza movimentos japoneses Miyota.

A novidade é que, agora, a Laco passou a usar movimentos mais recentes, como é o caso do que chama movimento Laco 31, que corresponde na realidade ao Miyota 8315, o qual oferece uma reserva de marcha de 60 horas, ou seja, dois dias e meio.

Esta é uma opção (selecionável no site da empresa) que custa mais 55 euros, o que eleva o preço total do relógio para 395€ -- mesmo assim um valor que me parece perfeitamente razoável para o que aqui é oferecido. Uma opção que é também possível escolher através do website da Laco é a de que o vidro de safira seja tratado com revestimento antirreflexo, o que encarece a peça em mais 50 euros.

Resta-me dizer que o modelo de que falo hoje é o Aachen 39, a versão de 39mm (duh...) do relógio de que falei anteriormente. O resto da execução mantém-se semelhante ao modelo Aachen 42, nomeadamente no que diz respeito aos materiais usados, como é o caso do aço da caixa, do vidro de safira e até da resistência à água. Neste caso, a caixa de 39mm de diâmetro e uma espessura de 11,55mm. Existem também uma variante com o mostrador azul e bracelete NATO.

10 de março de 2021

Certina DS-1 Big Date

 

Não é a primeira vez que falo de relógios com complicação de Big Date, que é muito do meu agrado. Mas é efetivamente a primeira vez que vos trago uma máquina destas que conjuga Big Date com um movimento mecânico. Não é barata (o preço de referência é de 795 Francos Suíços, ou seja, 725 euros) mas como está abaixo dos 1000 euros, ainda a podemos, no contexto deste blog, considerá-la B3.

Trata-se do Certina DS-1 Big Date Automatic com a referência C029.426.16.041.00, que pertence à coleção Urban da marca suíça. O movimento usado é uma variante do nosso conhecido Powermatic 80, com 80 horas de reserva de marcha. É um bonito dress watch cuja característica mais saliente é a tal complicação de Big Date, implementada às 6h00 através de uma janela dupla e dois algarismos.

Normalmente, gosto mais de ver esta implementação às 12h00, mas o desenho deste Certina agrada-me bastante tal como está. A caixa, em aço, tem um diâmetro de 41mm, que está no sweet spot para relógios deste género, e resistência à água de 100 metros. O vidro é de safira com tratamento antirreflexo.

No total existem cinco variantes deste modelo, mas apenas duas cores de mostrador; além deste em azul, está disponível também em preto. O resto das variantes usa braceletes em aço.  

3 de março de 2021

A única coisa que interessa numa coleção de relógios

 


Gostava de falar hoje convosco do conceito de "coleção de relógios". Há quem defenda ser possível ter uma "coleção de um só relógio" (uma contradição em si mesmo, na minha opinião); e quem diga que, para que possamos chamar "coleção", temos de ter, pelo menos, três relógios. E, depois, há imensas teorias sobre quais devem ser os relógios ideais para uma coleção.

O que mais por aí há são "conselhos" que nos dizem que temos de ter este ou aquele relógio na nossa coleção. Ou que uma coleção sem o modelo (ou tipo de relógio, ou marca) "x" nunca será uma coleção completa. 

Na verdade, nunca liguei muito a isso até que, nos últimos meses, comecei a ver bastantes vídeos no Youtube, sobretudo dos youtubers dedicados à relojoaria mais acessível, e que tenho linkados na barra lateral da home page deste blog. Todos eles, ou quase todos, têm as suas próprias ideias sobre o que deve ser a "coleção" ideal, especialmente na gama de preços mais baixa, à qual este blog se dedica.

A minha opinião é que... não devemos seguir a opinião dos outros (não, nem a minha!). Existem, literalmente milhões de modelos diferentes: caros, baratos, bons, péssimos, bonitos, horríveis... Contudo, à exceção da qualidade (e, mesmo assim, também podemos discutir isso), praticamente tudo o resto é subjetivo. Preço? O que é caro para mim, pode não ser para si, e vice-versa. Bonito? Todos temos gostos muito particulares e, uma vez mais, o que é bonito para mim, pode não ser para si. Ou podemos estar de acordo, mas haver um qualquer deal breaker que nos impede de comprar determinada peça. 

Claro que, precisamente porque existem milhões de modelos por onde onde escolher, muitos deles com variantes na cor do mostrador, tipo de bracelete, tamanho da caixa, tipo de movimento, etc., etc., convém termos um critério. E é precisamente nos critério que as opiniões se dividem. No entanto, acho que faz mais sentido definirmos um critério (mesmo que seja apenas, e tão só, o nosso critério) do que nos levarmos por declarações perentórias do tipo "toda a coleção de relógios tem de inclui um Casio G-Shock" – um bom exemplo para mim, que até gosto de Casios (tenho um) mas não acho piada nenhuma aos G-Shock.

Penso que é também porque muitos colecionadores seguirem determinados critérios arbitrários que depois vemos, todos os anos, um vídeo sobre o chamado "estado da coleção", onde mostram os relógios que venderam e compraram no último ano. Compreendo que uma coleção seja dinâmica e que determinadas peças possam ser entretanto vendidas (ainda há pouco tempo fiz precisamente isso), mas a quantidade de relógios vendidos e comprados anualmente por estes colecionadores deixam-me na dúvida (sobretudo no que diz respeito às vendas) se não haverá aí, precisamente, um problema de critério. 

Qual o critério, então, que devemos seguir? Quanto a mim, é este: comprarmos os relógios que gostamos e, igualmente importante, que tencionamos usar. Parece-vos óbvio? Mas não é assim tão óbvio quando ouvimos/lemos coisas como "você tem de ter este [introduzir marca/modelo/tipo] relógio na sua coleção!"

No final do ano passado, pensei seriamente comprar um relógio com mostrador (e movimento) de 24 horas. Isto é, um relógio cujo ponteiro das horas demora um dia inteiro a dar uma volta completa e cujo mostrador está graduado com 12 e não 24 índices. Achei que faria sentido para "completar" a coleção, o que quer que isso signifique. Mas fiquei a pensar: será que eu usaria este relógio...? Afinal, não é propriamente um relógio prático e requer alguma habituação até conseguirmos ler as horas num relance fugaz. E acabei por não comprar (embora admita que o possa vir a fazer no futuro).

O mesmo se pode dizer de relógios com um só ponteiro (o das horas). Farão parte obrigatória de uma coleção? A minha resposta é: se gostarmos e se o formos usar, claramente que sim! Pelo menos para mim, se a resposta for não a ambas as perguntas, então é algo que considero não fazer sentido.

Outro aspeto a considerar: o nosso gosto evolui à medida a que a nossa coleção também evolui. Por exemplo, no início deste blog referi por diversas vezes que não tinha grande interesse em relógios "de mergulho". Mas, entretanto, é exatamente esse o tipo de relógio que tenho "na calha" para adquirir brevemente.

Resumindo e concluindo: a vossa coleção deve ser constituída pelos relógios de que mais gostam e que pretendem usar regularmente (ainda que de forma esporádica). Comprar algo "só porque é suposto" para compor a coleção, não me parece uma boa estratégia.

Mas, lá está: isto é o que eu acho! Fico curioso: qual é a estratégia que seguem para a vossa coleção, se é que seguem alguma? Respostas nos comentários!

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P.S.: A imagem que ilustra este post não é a da minha coleção; é apenas uma foto que encontrei online. 

 

 

24 de fevereiro de 2021

Boldr Expedition Eiger


Falei pela primeira vez na Boldr em outubro do ano passado, a propósito do modelo Venture Carbon e terminei o post dizendo que o melhor elogio que podia fazer ao relógio é que planeava comprar um em breve.

E é verdade. O que não expliquei na altura é que o modelo que pretendo adquirir não é, na verdade, aquele, mas sim um da gama Expedition, que tanto pode ser este Eiger como praticamente qualquer outro, uma vez que todas as variantes me agradam bastante! O Expedition foi um dos primeiros best sellers desta marca, mas foi recentemente (no final de 2019, penso) redesenhado e, quanto a mim, para melhor [há uma análise à versão anterior aqui, onde é possível ver as diferenças, sobretudos nos ponteiros e bisel interior].

Quando falei do Venture na página do Facebook, um dos leitores referiu-se ao tamanho da caixa como sendo "pequena". Bem, aqui as dimensões são um pouco maiores e penso que os 41mm de diâmetro serão já bastante interessantes para quem achou a de 38mm do Venture pequena.

Este continua a ser um field watch, mas retoma algumas das características dos chamados super compressors, nomeadamente com a utilização de duas coroas, às 2h00 e 4h00, ambas de rosca, sendo a superior usada para mover de forma bidirecional o bisel interior com escala de minutos/segundos.

Este é um relógio mais caro do que o referido Venture, mas também aqui a Boldr subiu a parada em termos de especificações. A caixa é em aço 316L em vez do titânio usado no Venture, mas continuamos a ter direito a vidro de safira com tratamento antirreflexo e resistência à água até 200 metros. Mas neste modelo, e em toda a restante família Expedition, a Boldr usa movimentos suíços Sellita SW200-1 em vez dos mecanismos de origem Seiko.

Note-se também que, ao contrário do que acontece no Venture, onde o movimento de base possui data mas esta não é usada, de forma a criar um mostrador mais "limpo", aqui temos direito a uma janela de data às 4h00.

A legibilidade no escuro de todas as variantes é excelente. Contudo, nesta variante Eiger em particular, temos um mostrador full lume, em que todo o mostrador é luminescente e a visibilidade no escuro é dada através do contraste com os índices e ponteiros, como se pode ver no GIF animado que ilustra este post.

Resta então o preço. Acho que os 514€ pedidos mostram que a Boldr se está a "esticar" um pouco. É verdade que não tem as economias de escala de uma "grande" marca, mas também não tem que se preocupar com margens de comercialização, uma vez que vende os seus relógios diretamente ao público através de um website próprio. Continua a ser um bom preço, mas é um pouco mais elevado do que eu gostaria.


17 de fevereiro de 2021

Defakto Dialog Standard


Falei da Defakto, pela primeira vez, já há muitos anos. Na altura, referi-me à marca alemã a propósito dos seus relógios de um só ponteiro. A marca manteve a sua linha de relógios ultra-minimalistas mas, agora, tem já máquinas com dois, três ponteiros e, até, pequenos segundos.

Redescobri a Defakto quando, no final do ano passado, meti na cabeça de que precisava de um dress watch de dois ponteiros e... descobri que não havia (e não há) assim tantos!, sobretudo modelos discretos e mesmo só com dois ponteiros e sem data

Sim, eu disse "sem data". E também já disse por diversas vezes que, para mim, a data é uma complicação essencial. Mas é essencial para um relógio de utilização quotidiana e, para mim, um dress watch de dois ponteiros é uma peça para usar à noite e/ou durante uma ocasião mais formal. E, neste contexto, não ter data é algo que não me faz diferença, bem pelo contrário.

Na minha busca, acabei por encontrar, e comprar, um relógio muito B3, do qual falarei em breve, mas considerei seriamente optar por este Defakto Dialog Standard. E só não o fiz porque não queria uma peça tão monocromática (este modelo existe também com mostrador preto).

Para quem procura um relógio minimalista, é difícil encontrar melhor. O desenho do mostrador inclui apenas os índices a preto sobre fundo branco, o nome da marca às 12h00 e dois ponteiros igualmente simples, também em preto. Este modelo não oferece sequer qualquer luminescência para visibilidade no escuro, embora tal seja proposto nos modelos em preto, cujos ponteiros (mas não os índices) receberam tratamento com superluminova.

A caixa tem a dimensão perfeita para este tipo de relógio, com 40mm de diâmetro, e oferece resistência à água de 5 atmosferas. A utilização de um movimento de quartzo (Ronda 712, suíço) permitiu também manter as dimensões reduzidas em termos de espessura, que é de apenas 6,6mm – excelente para uma peça que se quer discreta e dressy.

A execução inclui ainda vidro de safira e bracelete em pele genuína. O conjunto, garante-nos a Defakto, é Made in Germany. O preço para tudo isto? Uns muito razoáveis 235 euros, a partir do site do fabricante.

10 de fevereiro de 2021

Tissot Gentleman Powermatic 80 Silicium

 

Quem acompanha este blog há algum tempo já percebeu a minha predileção por relógios simples (apesar disto), e não necessariamente no que diz respeito apenas a dress watches. Não há grandes variações possíveis num "três ponteiros" com data às 3h00, mas a verdade é que, neste como em qualquer outro relógio, o diabo está nos detalhes e são precisamente os detalhes que conseguem fazer uma diferença substancial entre diferentes modelos.

Este Tissot representa bem o que acabo de escrever, com detalhes (quer estéticos, quer técnicos) que não só resultam numa peça lindíssima (para mim, claro), como apresenta fatores diferenciadores suficientes para criar um relógio único.

Comecemos pela caixa. Com 40mm de diâmetro e 11,5mm de espessura, penso que temos aqui o sweet spot que permite a esta peça ser usada por praticamente toda a gente, independentemente do tamanho do seu pulso. Apesar de ser um pouco irrelevante num dress watch, o facto de ter resistência à água até 100 metros torna-o também mais versátil e passível de ser usado como daily driver, tanto mais que o vidro de safira (usado em todos os Tissot) ajudará a que se mantenha com aspeto de novo durante muito tempo.

Outro aspeto prático é a opção pela utilização do movimento Powermatic, com mais de três dias (80 horas) de reserva de marcha e que, aqui, surge com uma melhoria importante, de resto salientada no próprio mostrador e no nome do modelo em si: o balanço em silício, o qual contribui para uma maior fiabilidade, precisão e resistência a campos magnéticos.

Os detalhes que fazem a diferença podem também ser observados na caixa, com o contraste entre o bisel, polido, e o resto da caixa, escovada; e a bracelete em aço, cujos elos centrais são polidos face aos elos laterais com acabamento escovado.

No final, uma referência incontornável para aquele que é, talvez, o aspeto mais saliente do relógio: o mostrador. Nesta variante em particular – existe também com mostrador preto e branco/prateado  – temos mostrador em azul escuro com índice prateados aplicados e janela de data às 3 horas.

Os ponteiros, ao contrário do que acontece em muitos dress watches, têm visibilidade no escuro através da aplicação de material luminescente. O mesmo não acontece nos índices aplicados, certamente por uma questão estética, mas a Tissot resolveu o problema com pequenos pontos luminescentes na base de cada um dos índices.

Eu gosto tanto desde relógio que sou mesmo capaz de fazer uma declaração radical: este é o tipo de relógio capaz de constituir uma one watch collection, um relógio que faz tudo e que fica bem em praticamente qualquer situação – algo que frequentemente se diz a propósito de relógios como alguns modelos da Rolex

O único problema aqui é mesmo o preço. Este não é um relógio muito barato. O preço de referência é da ordem dos 700 euros, muito embora o possamos encontrar na Internet por um pouco menos. Vale o que custa? Para mim, sim.

3 de fevereiro de 2021

Bauhaus 2162-3

 


A coleção Bauhaus sempre foi um best-seller da Junkers e, mais recentemente, surgiu também como uma das famílias da Iron Annie, anunciada no final de 2020, a propósito da abertura de novas instalações da Pointtec, o fabricante destes relógios, em Ruhla, na região de Thuringia.

Na realidade, o próprio edifício, no qual os relógios Zeppelin e Iron Annie (e, antes destes, os Junkers) são montados, tem também uma ligação direta à escola Bauhaus, uma vez que foi desenhado pelos arquitetos Schreiter & Schlag e construído em 1929. Agora, a Bauhaus será uma nova marca independente da Pointtec e este relógio é um dos primeiros a ostentá-la.

Existem três variantes: esta, com a referência 2162-3, que tem mostrador azul escuro e bracelete em pele castanha; uma variante com mostrador branco; e outra ainda com mostrador preto.

A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro e resistência à água até 5 atmosferas, com o mostrador protegido por vidro mineral endurecido (K1). O mostrador, como não poderia deixar de ser num relógio que se chama Bauhaus, é relativamente despojado de qualquer tipo de ornamentação que não seja estritamente funcional.

No entanto, há duas decisões interessantes a salientar. A primeira é a opção pelo movimento Miyota 8285, com dia/data em que o dia da semana surge por extenso numa janela alargada às 12h00 (o dia do mês está na posição tradicional das 3 horas).  

A outra decisão prende-se com o desenho dos ponteiros: enquanto o habitual é termos ponteiros de horas e minutos numa mesma cor e, eventualmente, o ponteiro de segundos numa cor diferente, aqui alguém decidiu fazer as coisas ao contrário. Assim, temos o ponteiro das horas e o dos segundos em branco e o ponteiro dos minutos em vermelho, uma decisão cromática que foi tomada também nas restantes variantes. 

O preço de referência para este relógio é de 279 euros.