26 de maio de 2021

Tissot Seastar 1000 POWERMATIC 80: um "diver" suíço B3

 

Os relógios de mergulho são uma das categorias mais populares entre os microbrands. Contudo, relógios como este Tissot Seastar 1000 tornam algumas propostas de valor difíceis de engolir.

Este é um relógio de uma marca suíça com grande tradição, fabricado na Suíça, com movimento suíço ETA Powermatic 80, vidro de safira e caixa em aço com elevada resistência à água... que custa menos de 700 euros (na Amazono PVP de referência é de 760€).

Depois, é também um relógio com uma estética própria, em vez de enveredar pelo caminho habitual das cópias mais ou menos conformes ao clássico Rolex Submariner. Na verdade, para o meu gosto, até prefiro este Tissot, não apenas nas proporções globais mas em detalhes como a janela de data às 6h00 (em vez de não ter data ou esta surgir às 3h00) que contribui para a simetria do mostrador mesmo oferecendo uma complicação útil para o dia-a-dia.

A caixa tem uma dimensão que está no limite para mim (43mm), mas tem uma espessura razoável para um relógio deste tipo (12,7mm) com resistência à água de 300m. O vidro que protege o mostrador é de safira e, no fundo, encontramos novamente vidro de safira para observação do movimento. A coroa, como sucede em relógios deste tipo, é naturalmente de rosca. O bisel, unidirecional, é em material cerâmico.

O já referido movimento Powermatic 80 é baseado no ETA 2824-2 e é usado pela marca também em dress watches. O número 80 refere-se às horas da reserva de marcha, conseguidas através da utilização de um tambor de corda melhorado e, infelizmente, pela redução da frequência de funcionamento de 4Hz para 3Hz.

Como disse no início, este é um relógio que se consegue comprar na Amazon Espanha por menos de 700€. Para o que nos é aqui oferecido e tendo em conta o habitual nível de execução da marca, é difícil não olhar para ele como uma excelente proposta B3.

19 de maio de 2021

Citizen Super Titanium NJ2180: um automático a preço de quartzo!

 

A Citizen é uma marca com lugar cativo aqui no blog, dada a sua enorme gama de relógios B3. Acontece que, ao contrário da Seiko, por exemplo, o que encontramos habitualmente na gama Citizen são modelos de quartzo, nomeadamente os que utilizam movimentos Eco Drive, ou seja, alimentados pela luz.

Contudo, na nova gama Super Titanium da marca (efetivamente composta, como é habitual, por modelos com movimentos de quarto) encontramos um dupla proposta com calibre mecânico automático: os modelos NJ2180 declinados nas variantes 89L, com mostrador azul (o da foto) e 89A, com mostrador em branco.

Em qualquer dos casos, estamos na presença de dois belíssimos dress watches, com dimensões corretas (caixa com 40mm de diâmetro) e vidro de safira. Ambos usam o movimento automático Citizen 8210 com data às 3h00, o qual é designação da marca para o popular Miyota 8215 que a Citizen vende para outras marcas.

Esta nova gama, como nome indica, consiste inteiramente em relógios com caixas e braceletes em titânio (em toda a gama, só existe um modelo com bracelete em pele). A Citizen explica também a razão pela qual chama à liga metálica que utiliza "super titânio": graças a uma tecnologia de produção própria, o titânio usado nestes relógios é 5 vezes mais resistente ao desgaste e, por isso, menos propenso a ficar facilmente riscado, mantendo o seu peso reduzido — cerca de 40% mais leve do que o seu equivalente em aço. Neste caso, o peso total deste relógio, com a bracelete em titânio, é de apenas 94 gramas.

O relógio, em si, é bastante simples, pese embora o resultado final seja bastante do meu agrado. A sua característica mais saliente consiste no mostrador com índice aplicados e cujo fundo, quer na versão em branco quer na azul, apresenta uma interessante textura raiada.

A caixa, com uma mera resistência à água de 3 atmosferas, oferece contudo fundo transparente para observação do movimento.

Resta-nos o preço. O valor de referência para este modelo é de 298€, um preço justo para o que aqui é oferecido e que é pouco superior ao de outras propostas similares na mesma coleção, mas que utilizam movimentos de quartzo. À data deste post, encontra-se à venda na Amazon Espanha por cerca de 280€.

12 de maio de 2021

Elysee Vintage Chrono: o charme discreto de um cronógrafo clássico

 


A Elysee Watches é uma marca alemã que começo por respeitar pela honestidade que demonstra ao contar a sua história

Ao contrário de muitas marcas que desapareceram durante décadas e foram recentemente compradas por grupos que pouco têm a ver com a relojoaria (e que pretendem apenas capitalizar no nome para fazer uns dinheiros rapidamente) a Elysee até podia fazer render peixe e salientar que foi fundada em 1920 por um relojoeiro suíço – o que é factualmente verdadeiro!

Contudo, a marca prefere salientar a data do seu "reboot" alemão, em 1960, e que deu efetivamente origem à empresa que hoje se apresenta ao mercado.

A gama da Elysee não é nada de especial, mas tem o condão de me parecer honesta: os seus desenhos são clássicos, os movimentos são de boa qualidade, quer os suíços, quer os japoneses. E os preços são... como gostamos aqui no blog! :-)

As máquinas mais caras oferecidas pela marca são cronógrafos baseados no movimento ETA Valjoux 7750, em torno dos 1.500€, mas o modelo que vos trago é outro e, sendo igualmente um cronógrafo, é bem mais acessível. Trata-se do Vintage Chrono com a referência 80550 e cujo preço de referência, vendido a partir do site da empresa, é de 295€, com portes grátis para Portugal.

Como se pode ver pela imagem, o relógio é muito bonito, com um estilo clássico que a Elysee define como sendo "ao estilo dos anos 30". Na prática, é muito parecido com os cronógrafos da Longines, muito embora eu até me atreva a dizer que este é mais bonito!

Claro que, por este preço, e ainda por cima um cronógrafo, o movimento usado é de quartzo. No entanto, a escolha caiu sobre o TMI VK76 da Seiko, um mecha quartzassociado ao movimento de quartzo que nos dá as horas, minutos, segundos e data, a Seiko introduziu alguns elementos mecânicos que dão um feel analógico à parte do cronógrafo, nomeadamente no movimento suave do ponteiro dos segundos central, bem como ao reset instantâneo.

As proporções são as de um dress watch, com caixa em aço de 40mm de diâmetro, infelizmente quase sem resistência à água (3 ATM), mas com vidro de safira a proteger o mostrador. A implementação da janela de data às 3h00 contribui para o desenho clássico, o mesmo acontecendo com a utilização de numerais em todas as restantes posições horárias, os quais são aplicados e não pintados.

A versão 8055S, com bracelete em aço é proposta por 335€, e existe ainda a variante 80552, com o mostrador azul e caixa em aço com plaqué em ouro, por 315€.

5 de maio de 2021

Torgoen T9 Bluebird GMT: dois fusos horários pelo preço de um

 


Os relógios com complicação GMT, isto é, a de um segundo fuso horário, desde há muito que deixaram de ser uma espécie rara e dispendiosa. Sobretudo a partir do momento em que os principais fabricantes que vendem para terceiros, passaram este tipo de movimentos nas suas gamas, quer no caso de máquinas automáticas, quer nas de quartzo.

Claro que é possível implementar esta complicação sem sequer um movimento específico, bastando para tal tirar partido de funcionalidades como lunetas rotativas com uma segunda escala. Mas, neste caso concreto, refiro-me aos "verdadeiros" relógios com segundo fuso horário através de um ponteiro das horas dedicado.

O relógio que voz trago hoje é de uma micromarca americana sobre a qual não falava desde 2015, a Torgoen, mas que continua a existir e a oferecer uma gama interessante e, sobretudo, acessível: este é o T9 Bluebird GMT, com mostrador azul escuro e bracelete em pele castanha, o qual é baseado no movimento suíço Ronda 515.24H, que permite o acerto independente do segundo fuso horário.

Tal como acontece com outras criações da Torgoen, também esta é uma peça muito bem desenhada e com mostrador de elevada legibilidade. A caixa, em aço, tem 42mm de diâmetro e resistência à água até 100m – estanquidade ajudada por uma coroa de rosca. Apesar do posicionamento da janela de data às 4h30 não costumar ser do meu agrado, aqui percebe-se a opção tomada: não interromper nem os numerais nas quatro posições horárias principais, nem os índices nas restantes.

Uma escala adicional no extremo da circunferência do mostrador permite fazer a leitura do segundo fuso horário com um ponteiro que demora 24 a percorrer uma volta completa. É que, na verdade, este movimento da Ronda oferece uma espécie de dois-em-um: não só temos a função de segundo fuso horário, como a sua leitura através de uma segunda complicação, a das 24 horas.

Com venda direta a partir do website da empresa por apenas 167,95€ (portes grátis para a Europa – mas, vindo dos EUA, é possível que haja taxas de alfândega a pagar), podemos adicionar vidro de safira à encomenda para um preço total ainda assim inferior aos 200€ – 190,95€.

A gama T9 inclui diversas variantes, com diferentes cores de mostrador, caixa (incluindo revestimento PVD) e braceletes (pele, metal), mas todas com preços semelhantes.