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30 maio, 2025

Timex Deepwater Reef 200 GMT

 

Timex Deepwater Reef 200 GMT

Escrever sobre a Timex em 2025 é muito complicado porque... quase toda a sua coleção de relógios é excelente. Desde há um par de anos que a marca foi buscar inspiração às suas criações clássicas, sobretudo dos anos 70, apresentando-nos um conjunto de criações de excelente execução.

Já em tempos aqui confessei que o meu primeiro relógio, nos anos 70, foi um Timex que o meu pai me ofereceu, razão pelo qual a marca tem um cantinho garantido no meu coração.

Este irá ser o primeiro de muitos Timex que irei aqui referenciar porque, como já disse, há muito na atual gama da marca por onde nos "perdermos". O relógio de mergulho Deepwater reef 200 GMT é um excelente exemplo daquilo que a Timex anda a fazer, nomeadamente desenhos icónicos e uma subida em termos de qualidade de construção... com a previsível e proporcional subida de preço.

Este é um relógio de mergulho de proporções corretas (41mm de diâmetro) numa caixa de aço com resistência à água de 200 metros e vidro de safira (um material raro até há bem pouco num Timex). O movimento é de quartzo com complicações GMT e de data (às 3h00, com lente 'cyclops'); a bracelete é em borracha sintética preta.

A luneta é totalmente preta, tendo as cores "Pepsi" (vermelho e azul) ficado num anel interior com a escala de 24 horas, uma opção de que gosto particularmente. Outra coisa de que gosto é o desenho limpo, com ponteiros que não tentam imitar os suspeitos do costume, o que resulta num relógio que, não sendo totalmente original, não passa por imitação de coisa alguma.

Existem duas variantes desta referência, sendo a segunda um "Batman" (preto e azul) com bracelete em azul. Uma terceira, conjuga as cores Pepsi com uma bracelete em aço.

Os mais cínicos poderão dizer que, por pouco mais, se compra um relógio de mergulho com movimento mecânico. E não estão errados. Mas provavelmente não um GMT. E, certamente, não um Timex.

Os preços de referência são de 279€ para os modelos com pulseira em borracha sintética e de 299€ para o equipado com bracelete em aço. É possível comprar estes relógios a partir do website europeu da Timex, ou via Amazon, sendo que os preços aqui são pouco inferiores aos de referência.

25 agosto, 2024

Timex x The James Brand Automatic GMT

 

Timex x The James Brand Automatic GMT 

Não sabemos o que aconteceu na Timex, mas foi certamente algo de positivo. Desde os designers, aos responsáveis de marketing, tudo parece confluir num bom momento para a marca. E este novo modelo é disso um excelente exemplo.

Timex x The James Brand Automatic GMT, como o nome sugere, é um novo GMT. Mas, ao mesmo tempo, não se limita apenas a ser "mais um". A forma da caixa, em "barril", é em titânio, com bracelete integrada igualmente em titânio, vai buscar inspiração às criações da Timex dos anos 70.

O resto das especificações estão igualmente muito acima do que a Timex nos habituou ao longo dos anos: resistência à água até 200 metros, movimento automático Miyota 9075 "true GMT", vidro de safira com tratamento antirreflexo...

As proporções são igualmente corretas, com 41mm de diâmetro e 11mm de espessura. O desenho do mostrador, não sendo propriamente original, também não nos dá qualquer impressão de plágio e/ou hommage. Nos tempos que correm, já nem peço mais do que isso!

O preço, tendo em atenção os valores (nalguns casos excessivos) que os microbrands cobram, também me parece perfeitamente razoável, embora não propriamente barato: 750€. O problema? Trata-se de uma edição limitada, esgotada quer no website da marca, quer no TheJamesBrand, que colaborou com a Timex neste projeto.

A minha sugestão: se encontrarem algum à venda pelo preço de referência, é aproveitar! Este modelo é vendido numa caixa que inclui uma segunda bracelete, em resina.

15 maio, 2024

Followay FM1 Groundbreaking: português e com alma

 

Followay FM1 Groundbreaking

O tempo não tem abundado e estou em falta para com o João Dias, o criador da marca portuguesa Followay, que tão simpaticamente chegou até ao Relógios B3 e me disponibilizou durante algumas semanas uma unidade do seu FM1 Groundbreaking para análise.

Antes de falarmos do FM1, vale a pena falarmos primeiro da Followay. Esta não é a primeira nem será certamente a única marca "portuguesa". Mas creio que é a primeira marca portuguesa... sem aspas! A distinção é importante, porque nos tempos que correm, basicamente qualquer pessoa pode criar uma marca de relógios, registá-la em Portugal e dizer que tem uma "marca de relógios portuguesa"... ainda que, depois use movimentos japoneses (o que é aceitável) e mande fazer as caixas na China (o que já é menos aceitável).

Admito que não sou suficientemente conhecedor para garantir que assim é com todas as marcas que se apresentam ao mercado como sendo "portuguesas", mas posso afirmar que o contrário é verdade no caso da Followay: à exceção do movimento, o popular SII (Seiko) NH35A, tudo o resto é feito em Portugal.

João Dias, o jovem de 22 anos responsável pela Followay, explica que a paixão pelos relógios surgiu bem cedo na sua vida, quando a sua tia lhe ofereceu um Casio, tinha ele 7 anos. Assume uma "alma de artesão e de empresário" e, quando decidiu avançar para este projeto, fez questão que tudo (ou tanto quanto possível) fosse produzido em Portugal.

Um relógio diferente

Pode ou não gostar-se deste primeiro modelo da Followay, mas uma coisa é certa: nunca vimos algo parecido! O que mais chama a atenção é efetivamente a caixa, um monobloco em aço maquinado, acabado e polido manualmente e no qual há uma integração total das asas que prendem a bracelete.

As dimensões também não são usuais. Não pelos 40 mm de diâmetro, mas pelas proporções entre o mostrador e a luneta. Outra particularidade é o facto de o fundo da caixa ser perfeitamente plano – incluindo as asas. Este foi um aspeto que me preocupou ao ver as fotos, porque achei que não ia ser muito confortável em termos de utilização diária. Além disso, as asas têm um espaçamento pouco usual para um relógio destas dimensões, de apenas 16mm, o que me fez ainda mais soar os alarmes.

Contudo, a verdade é que nada disto tem impacto na utilização do relógio no dia a dia, tal como confirmei durante o tempo que convivi com ele. Pelo contrário, achei a utilização diária do relógio bastante confortável!

Na prática, é outra particularidade do relógio que mais senti que poderá ter impacto no conforto de utilização (embora não no meu caso): a coroa. Uma vez mais, é uma coroa que foi desenhada pelo João Dias especialmente para este relógio, mas acho que é demasiado grande (não em diâmetro, mas em comprimento) para o relógio. Confrontei o criador do FM1 como este detalhe mas ele confessou-me que era uma das coisas que mais gostava no relógio, pelo que não será certamente algo que irá mudar.

Especificações

A Followay gosta mesmo de fazer as coisas à sua maneira e outra particularidade que não se vê normalmente noutros projetos é o mostrador. João Dias escolheu o alumínio e, para a cor (cinza escuro) deu-lhe um tratamento anodizado; a aplicação dos índices é feita de forma a deixar surgir o alumínio brilhante por baixo. O resultado é uma textura interessante e que seria difícil de obter de outra forma.

O vidro, totalmente plano, é de safira. E, como já foi referido acima, a bracelete é de pele, com uma fivela convencional.

As especificações podem ser consultadas no website da marca, aqui. Confirmei o diâmetro da caixa e a largura da bracelete indicadas (40mm / 16mm) mas registei também outras: espessura de 12,4mm e peso de 86,76 gramas, bracelete incluída. A caixa tem uma resistência à água de 50 m.

Conclusão

Pessoalmente, o resultado (estético) do Followay não é algo que me agrade. Há detalhes que sinto que podiam (e, uma vez que estão previstas apenas 200 unidades do relógio, as quais serão produzidas à medida das encomendas, ainda podem) ser alteradas. O aspeto mais flagrante é a posição e dimensões do logótipo da marca: penso que podia ser menor e estar colocado às 12h00 e não às 6h00, onde já encontramos a janela da data. 

Contudo, tal não desvirtua o resultado final. Consigo entender as virtudes do projeto e creio que ele tem lugar no mercado. A originalidade deste modelo e o facto de quase tudo ser produzido em Portugal – especialmente a caixa – tem um apelo que muitos acharão irresistível.

Resta o preço. Tudo isto custa dinheiro, claro. E é aqui que julgo que o Followay FM1 Groundbreaking tropeça um pouco. O relógio custa 576€. Mas eu sei que o FM1 vale o que custa, porque esse é o preço da manufatura em pequena escala e em Portugal, mas também o preço de sabermos que temos no pulso algo único e original.
 
Podia ser mais barato? Podia, se fosse todo feito na China. Mas, nesse caso, tínhamos que voltar a colocar as aspas nesta marca 100% portuguesa.
 
O Followay FM1 Groundbreaking está á venda em Lisboa, na ourivesaria Camanga, e em Gaia, na Watch Garage.

Galeria

Followay FM1 Groundbreaking
Followay FM1 Groundbreaking

Followay FM1 Groundbreaking

Followay FM1 Groundbreaking



Followay FM1 Groundbreaking

Followay FM1 Groundbreaking
Followay FM1 Groundbreaking


08 janeiro, 2024

Bulova Precisionist JET STAR: o charme dos anos 70

 


OK, OK... "Charme" e "Anos 70" na mesma frase é um bocado puxado. Mas desde o final de 2022 que as principais marcas (re)descobriram que vasculhar entre o seu catálogo de modelos criados na era das calças à boca de sino e do disco sound para encontrar inspiração era mesmo boa ideia.

E, no que diz respeito a relógios, admito que é bem possível que tenham razão. Desde o Tissot PRX às reedições da Timex, os Anos 70 vieram para ficar... ainda que as modas sejam passageiras e que esta tendência possa não durar muito mais.

Contudo, se tudo isto nos trouxer mais modelos como este Bulova Jet Star, então acho que não há problema! Este dress watch clássico tem uma caixa original e bracelete em aço integrada que é reminiscente de um relógio homónimo dos anos 70. Existem três variantes no website português da Bulova (incluindo alguns, mais baratos, com bracelete em pele), mas este, com mostrador vermelho, é o que mais me agrada.

Uma das características mais interessantes deste modelo é a utilização do mecanismo de quarto de alta frequência (e elevada precisão) da Bulova, que funciona a 262 kHz e que permite um movimento suave do ponteiro dos segundos  mais suave até do que um mecânico high beat  usado nos modelos Precisionist da marca, a par de uma versão cronógrafo, que é a que conhecemos já do Lunar Pilot.

A caixa de 40mm tem uma resistência à água de apenas 5 atmosferas, mas acho que é algo que podemos perdoar num dress watch. A execução inclui vidro de safira, o que torna o preço de referência de 429€ mais fácil de engolir. Ainda mais fácil de engolir é o facto de que este é um relógio que pode ser encontrado na Amazon por bastante menos.

27 novembro, 2023

Citizen Tsuyosa: elegante e automático


Sinceramente, acho que a Citizen é uma das marcas mais sub-apreciadas da indústria relojoeira, especialmente quando a comparamos com a sua rival japonesa Seiko. Julgo que isso se deve ao facto de que esta se concentrou em criar relógios mecânicos baratos e, desta forma, conquistou o coração dos entusiastas, enquanto a aquela sempre apostou mais em movimentos de quartzo, nomeadamente o lendário EcoDrive, no qual a pilha é recarregável e alimentada pela luz.

Contudo, a Citizen nunca deixou de apostar nos movimentos mecânicos, muito embora seja mais conhecida pelas máquinas que fornece a milhares de marcas independentes em todo o mundo, através da sua subsidiária Myiota, que tem criado movimentos fantásticos, quer de quartzo quer automáticos, em diferentes gamas de qualidade e preço.

Mas desde 2022 que temos assistido a um esforço por parte da marca em criar relógios automáticos de qualidade a baixo preço, utilizando os seus próprios movimentos. É um destes esforços que hoje aqui vos trago, sob a forma do Tsuyosa, um elegante dress watch automático de excelente design e com um preço também ele muito bom.

Quero começar pelo nome que, parecendo que não, é importante. Julgo que a marca fez uma boa opção ao baptizar este relógio em vez de usar um conjunto genérico de números e letras. É assim que se criam marcas e se cultiva a lealdade dos clientes. Além disso, o nome não só é bonito como significa, em japonês, "força" e "poder/energia").

O relógio tem proporções muito boas, com caixa de 40mm e espessura de 11,7mm (resistência à água de 50m). A coroa surge às 4h00, que é o detalhe que menos me agrada; trata-se de algo que faz sentido em relógios de dimensões maiores, para ser mais prático de usar, mas não tanto aqui, além de quebrar um pouco a simetria do conjunto.

Contudo, não será um deal breaker para a maioria dos potenciais interessados. Até porque o resto do conjunto tem tudo para agradar, incluindo mostrador com vidro de safira e fundo roscado com vidro para observação do movimento. Todas as variantes têm bracelete em aço que se integra perfeitamente com a caixa, de clara inspiração "anos 70".

O mostrador é simples e bem desenhado, com índices nas posições horárias e janela de data, com lente, às 3h00. Em todas as variantes, índices e ponteiros têm tratamento luminescente para brilho no escuro. O movimento usado é o calibre Citizen 8210

Existem diferentes opções de cor. Esta da foto, em azul, é a referência NJ0150-81L. Mas há outras cores, nomeadamente preto, verde, amarelo, azul turquesa e azul "sun burst". O preço de referência de todas estas variantes é de uns super-razoáveis 289€. Por mais dez euros, há uma versão com mostrador cinza e caixa e bracelete em aço/dourado. Por 310€, a marca propõe uma variante com caixa e bracelete totalmente em dourado e mostrador vermelho "sun burst".


12 novembro, 2023

Timex Expedition North® Titanium Automatic: no bom caminho

 

Não faço ideia de que tipo de substâncias anda o pessoal da Timex a consumir, mas parecem ser de boa qualidade! O novo Expedition North da marca é apenas um de vários novos modelos que indicam uma viragem da marca no sentido de produzir relógios com (bastante) mais qualidade do que até agora. 

Vale a pena começar pelas especificações: caixa em titânio com acabamento beadblasted, vidro de safira, resistência à água até 200 metros, movimento mecânico automático e fundo de observação em vidro. A bracelete é têxtil, produzida a partir de plástico oceânico reciclado. Tudo isto por um PVP (a partir do site europeu da marca) de 349€, que pode ainda receber um desconto de 15%, se o visitante do site se inscrever para receber a newsletter da marca.

Nada disto significaria coisa alguma caso o resultado fosse um desastre. Mas não é. O mostrador é extremamente bem desenhado, com numerais arábicos bem legíveis (e luminescentes no escuro) em todas as posições exceto às 12 e às 3 horas, onde encontramos uma janela de data.

O equilíbrio do conjunto é complementado pela excelente escolha das dimensões. O diâmetro da caixa é de 41mm e a espessura é de 12,5. O resultado é um field watch onde nada parece ter sido deixado ao acaso.

Já aqui no blogue critiquei, no passado, a Timex por apresentar relógios com movimento automático a preços que me pareceram excessivos, mas nada neste modelo me impede de considerar que estamos na presença de um produto com uma excelente relação qualidade/preço.

Em breve, trarei ao blogue outros Timex recentemente lançados e que confirmam a seriedade com que a marca está a encarar a sua posição no mercado.  


24 junho, 2023

Orient Mako RA-AA0818L19B: à terceira é de vez

 


A nomenclatura inescrutável da Orient tem levado a comunidade de entusiastas, ao longo dos anos, a criar os seus próprios nomes memoráveis para cada uma das gamas da marca japonesa, independente mas parte do grupo Seiko desde 2008.

É assim com a gama Kamasu, de que falei há relativamente pouco tempo, do Bambino (idem), do Ray e, claro, do lendário Mako.

O modelo que voz trago hoje tem a referência RA-AA0818L19B (!) mas ficará certamente conhecido pelo nome de Mako III, visto tratar-se da terceira geração deste modelo. O Mako distingue-se facilmente dos outros relógios de mergulho da Orient pelo facto de usar numerais nas posições 12, 6 e 9, com janela de dia e data às 3h00.

Esta última iteração do Mako traz consigo melhorias significativas face aos anteriores modelos, sendo a mais óbvia a utilização de vidro de safira no mostrador. É algo que a Orient parece estar a fazer em cada nova geração das suas coleções, o que se saúda, claro, tanto mais que a casa-mãe (Seiko) continua a insistir no vidro mineral endurecido (hardlex) até mesmo em relógios que custam o dobro de modelos Orient equivalentes.

Outra alteração é o bisel unidirecional rotativo, cujo movimento foi melhorado, sendo agora de 120 cliques, ou seja, dois por cada minuto no mostrador. As proporções mantêm-se praticamente inalteradas, com caixa de 40,5 mm. O movimento é o automático Orient F6992, usado desde a segunda geração Mako, e que permite paragem de segundos ("hacking") e corda manual. Ao contrário do que acontecia na primeira geração Mako, com um poussoir às 2h00 para a data, todo o movimento é controlado por uma única coroa às 3h00.

Este modelo ainda não se encontra nem no website oficial da marca, nem sequer para venda na Amazon, mas não há-de faltar muito. Outras lojas online, como a Tuswatches, estão a vendê-lo por cerca de 250€, quando o preço de referência da marca parece ser de 400€. Ou seja, como sempre quando falamos da Orient, um excelente negócio.

Há ainda variantes de cor, nomeadamente branco/champanhe, bordeaux e preto.

   

03 junho, 2023

Bulova Lunar Pilot 43.5mm: mais perto da Lua

 

Ao longo dos anos, na minha jornada de descoberta, tenho falado de relógios que acabei mais tarde por comprar. Um destes dias hei-de falar deles, mas hoje não é esse dia. Hoje é o dia em que vos trago um relógio de que gosto muito, do qual já falei anteriormente mas... que não contemplei comprar porque era demasiado grande para o meu pulso: 45mm, e uma distância entre "asas" demasiado grande para mim.

Como já viram pelo título e pela imagem, esse relógio é o lendário Bulova Lunar Pilot, Mas porquê revisitá-lo? Porque a marca (que desde 2008 faz parte do grupo Citizen) acaba de lançar dois novos modelos, com uma caixa de menores dimensões e mais próximos do modelo original que foi usado na Lua pelo astronauta David Scott, comandante da missão Apollo 15... depois do seu Omega Speedmaster se ter avariado (consta que o vidro saltou da caixa).

Foi esse relógio, esquecido até 2015, quando foi leiloado por 1,65 milhões de dólares, que a Bulova decidiu recriar para o público em geral. Contudo, a primeira iteração tinha dois aspetos (além da utilização de um movimento totalmente diferente) que o distinguia do original: uma caixa de 45mm, quando o original tinha 43,5mm, e janela de data às 4h30, simplesmente inexistente no original.

A complicação de data foi removida para uma edição especial limitada comemorativa do Lunar Pilot lançada em 2021, mas mantendo a caixa de 45mm. Agora, a Bulova lançou dois novos modelos sem data e com uma caixa de 43,5mm, semelhante à original que esteve realmente no solo lunar.

Um dos modelos é o tradicional com caixa em aço e mostrador preto, mas temos agora também uma nova, com mostrador branco e sub-mostradores azuis, que o pessoal gosta de comparar ao Speedmaster "Snoopy".

Além das dimensões e da data, estes relógios retêm todas as características dos modelos anteriores, incluindo um preço semelhante, de 579€. Ambos são apenas vendidos com bracelete em aço, mas numa caixa que inclui uma bracelete NATO adicional; pelo menos para já, não existe variante apenas com bracelete em pele, como ainda sucede com o modelo de 45mm, e que custa menos 50€.

Apesar dos preços de referência serem muito razoáveis, é possível adquirir estes relógios a um preço ainda mais baixo, na Amazon Espanha. A versão com mostrador preto pode ser comprada por 488€; a variante "Snoopy" custa 549€.

 

28 maio, 2023

Nodus Sector GMT Pacific: dos EUA, com amor

 


A Nodus é uma micromarca baseada em Los Angeles, EUA, que acho que vale a pena explorarmos. É verdade que só vende a partir do seu website norte-americano, o que significa que iremos ter de pagar impostos à chegada a Portugal. Mas, com os preços que pratica, acho que mesmo assim pode bem valer a pena!

O modelo que vos trago hoje é um GMT que está temporariamente esgotado, mas prevê-se que volte a estar disponível a partir de julho (de 2023). E não admira: por apenas 450 dólares (!) temos aqui uma peça que transpira qualidade e com um desenho original e muito bem conseguido.

Este é um relógio baseado no menos sofisticado dos novos movimentos japoneses GMT para OEMs, o TMI (Seiko) NH34. Basicamente, trata-se de um NH35 ao qual foi adicionada a complicação de segundo fuso horário através de um quarto ponteiro que pode ser acertado separadamente.

No entanto, o movimento é conjugado com uma execução de nível elevado, incluindo caixa em aço de 38 mm de diâmetro com resistência à água até 100 metros e vidro de safira com revestimento antirreflexo interior. O desenho do mostrador é particularmente feliz, com numerais arábicos em todas a posições horárias, exceto às 6h00, onde foi colocada a janela da data (que no movimento original está às 3h00). Uma escala concêntrica de 24 horas serve o ponteiro que indica o segundo fuso horário. 

O resultado é um relógio deportivo e, ao mesmo tempo, dressy, que pode ser utilizado numa variedade de ocasiões. 

O modelo da foto é o GMT Pacific, com mostrador azul de excelente efeito. Existe também uma variante com mostrador cinza escuro, designada Metro, que está igualmente esgotada.

Como disse no início, parece-me uma excelente proposta em termos de relação preço/qualidade/funcionalidade dados os 450 dólares pedidos... e mesmo que chegue até nós mais caro. Porquê? Porque é mais original e oferece mais qualidade do que a implementação da própria Seiko.  

25 setembro, 2022

Studio Underd0g Go0fy Panda: imaginação ao poder!

 



Não é todos os dias que vos apresento um relógio de uma marca nova. A Studio Underd0g é uma jovem microbrand cuja abordagem e originalidade lhe permite ter desde já toda a sua coleção vendida. Por isso, este é um artigo agridoce: por um lado, ficam a conhecer um relógio apetecível; por outro, ficam também a saber que, pelo menos até haver uma nova produção, o que aqui vos apresento não está ao vosso alcance, por muito dinheiro que tenham a arder no bolso.

Os primeiros relógios da Underd0g são todos cronógrafos baseados no nosso conhecido movimento mecânico chinês Seagull ST-1901, o mesmo que equipa o popular Seagull 1963 e muitos outros. Mas o que os distingue é o seu desenho original (e, a julgar pelas inúmeras reviews que tenho visto e lido, a qualidade da execução) que, apenas com algumas alterações face ao que estamos habituados a ver, resulta numa peça extremamente original.

As dimensões da peça são relativamente modestas, com uma caixa cujo diâmetro é de apenas 38,5 mm, o que lhe permite um posicionamento que tanto pode ser desportivo (devido à funcionalidade do cronógrafo, bem como à presença de uma escala taquimétrica) como mais dressy

O principal twist do desenho do mostrador consiste nas diferentes dimensões dos dois sub-mostradores bem como, no caso desta reinterpretação do que é um crono "panda", na opção por apenas um dele ter uma cor contrastante com a do mostrador. O resultado, sendo ainda assim imediatamente reconhecível como o de um "panda", é algo absolutamente original e esteticamente apelativo.

O jogo com o tamanho dos sub-mostradores é depois acentuado com outra originalidade: a colocação assimétrica da marca, às 12h30 em vez da posição habitual às 12h00, e do modelo. No caso específico desta variante, designada Go0fy Panda, há ainda um piscar de olho bem humorado ao bambu que é a refeição preferida do urso preto e branco, com o extremo do ponteiro dos segundos em verde.

A Studio Underd0g poderia ter ficado por aqui e tinha já um êxito entre mãos. Mas foi mais longe e criou variantes com cores inspiradas na natureza, todas elas igualmente esgotadas, o que demonstra bem a aceitação destas propostas por parte dos entusiastas: Watermel0n, Mint Ch0c Chip e Desert Sky.

O preço para toda esta loucura é de uns super-razoáveis 540€, que incluem a versão do movimento ST-1901 com regulador pescoço-de-cisne, vidro de safira com revestimento antirreflexo e bracelete em pele feita à mão pela empresa britânica Strap Taylor. O conjunto é montado no Reino Unido.

Caso pretendam ser avisados quando novos modelos estiverem prontos para venda, poderão subscrever a newsletter aqui.

17 agosto, 2022

Steinhart Ocean One Titanium 500: o último dos moicanos?

 


O Steinhart Ocean One Titanium 500 é quase uma singularidade na gama atual da marca alemã: um relógio de mergulho realmente original e que não é baseado em qualquer outro modelo da Rolex ou da Tudor.

Admito que, no passado, dei mais desconto à Steinhart, nomeadamente no que diz respeito à criação de hommages, ou seja, relógios que seguem de perto o desenho de outros modelos de marcas consagradas, sem no entanto tentarem vender gato por lebre. Uma "homenagem"... Certo... Pois... A verdade é que já dei para esse peditório e hoje tenho uma tolerância muito menor para estas... *tosse*... homenagens.

A Steinhart, no entanto, deve vender esses relógios (90% da sua gama é baseada em modelos da Rolex e Tudor) como pãezinhos quentes mesmo que isso (na minha modestíssima opinião) constitua algo que leva a uma erosão do prestígio da marca. Ou seja, está a trocar proveitos de curto prazo pela sua sobrevivência a longo prazo. Mas imagino que cada uma sabe de si, claro... (em sentido contrário, veja-se o que britânica Christopher Ward, fundada cinco anos depois da Steinhart, conseguiu, trilhando o seu próprio caminho, com desenhos originais). 

E assim vos trago este relógio de mergulho que não é baseado em nenhum outro relógio. O Steinhart Ocean One Titanium 500 é um relógio, como o nome indica, com uma caixa e bracelete em titânio de elevado nível de execução. A caixa (42mm de diâmetro e 13mm de espessura) tem uma resistência à água acima do normal (500m!) e o vidro que protege o mostrador é, claro, de safira. Já o bisel unidirecional, que controla o tempo de mergulho, é de material cerâmico em vez do alumínio que encontramos frequentemente (e que é mais facilmente riscável).

O movimento escolhido para ser o coração desta máquina é de origem suíça, podendo (consoante a disponibilidade no mercado) ser um ETA 2892 ou o seu clone, igualmente suíço, Sellita SW300. Em qualquer dos casos, é usada a versão de topo destes movimentos (elaboré premium), que oferece não apenas um melhor acabamento e decoração, como também maior precisão.

É uma opção que distingue a Steinhart de outros microbrands, que normalmente optam por movimentos mais baratos de origem japonesa (Seiko/SII ou Citizen/Miyota), e que permite também à marca exibir orgulhosamente "Swiss Made" no mostrador, sob a janela de data às 6h00.

Voltando ao desenho deste relógio, apesar de encontrarmos aqui elementos que nos podem lembrar outros modelos, desde a Rolex à Seiko, o conjunto é efetivamente original. Cada um de nós gostará de uns elementos face a outros mas, para mim, o que mais me agrada são dois detalhes: o formato (simples) dos ponteiros e a janela de data às 6h00 em vez das 3h00, como é mais habitual (até porque é essa a posição normal no movimento-base; tudo indica que a Steinhart modificou o movimento para poder ter a janela de data às 6h00).

De todos os membros da família Steinhart, este é o único relógio que, neste momento, me imaginaria comprar, pelas razões já indicadas. Mas faltou-me outra excelente razão: o preço. O valor de 660€ (mais portes) que a marca pede por este modelo é francamente muito bom, estando ao mesmo nível de microbrands que usam movimentos japoneses e caixas (em aço) com resistência à água muito inferiores... e é cerca de metade do que a já referida Christopher Ward cobra pelos seus divers.

Resta uma dica: se estão interessados, comprem este relógio rapidamente, porque não me parece que a Steinhart vá continuar a apostar durante muito mais tempo nos seus desenhos originais. De resto, uma versão deste modelo com complicação GMT foi descontinuada e... substituída por uma hommage a um Tudor... :-(

27 julho, 2022

Longines Conquest V.H.P.: o apelo do quartzo

 

A Longines é uma marca pouco citada aqui por estes lados porque os seus relógios não são propriamente B3. O critério do blog é restringir as propostas sempre com modelos abaixo dos 1000€ (exceto nas exceções que recaem na categoria BBC, isto é, Bons, Bonitos mas Caros...) e a marca suíça não possui uma grande oferta nessa gama de preços.

Em rigor, esse é também o caso deste Longines Conquest V.H.P. (Very High Precision), cujo preço de referência é de 1080€. No entanto, é possível encontrá-lo online por valores abaixo disso, razão pela qual decidi trazê-lo aqui.

No momento em que escrevo este artigo, existem três variantes deste modelo em particular: este, com mostrador preto, e dois outros, um com mostrador azul e outro branco.

A estética deste relógio permite-lhe a sua utilização como daily beater mas também como dress watch. E só não digo que também poderia cumprir a função de relógio desportivo não fosse a sua modesta resistência à água de 50m.

A caixa, em aço, tem 41mm de diâmetro (há modelos desta gama também com um diâmetro de 43mm) e é protegida por vidro de safira, como aliás acontece em toda a restante gama Longines. A bracelete, em aço complementa o conjunto da melhor forma. O desenho do mostrador tem elementos de que habitualmente gosto muito, caso da utilização de numerais aplicados nas posições das 12 e 6 horas com índices nas restantes. A janela de data às 3h00 oferece uma complicação pouco habitual: um calendário perpétuo.

O aspeto mais interessante (mas, potencialmente, também mais polémico) deste relógio é o seu movimento de quartzo de alta precisão. Trata-se do movimento Longines L288.2, por sua vez baseado no ETA E56.111. Este é um movimento de quartzo especialmente concebido para oferecer uma precisão extremamente elevada; enquanto um movimento "normal" tem um precisão da ordem dos +/- 5 segundos por mês, este modelo oferece uma precisão com a mesma variação de +/- 5 segundos, mas por ano!

A coroa também possui diferentes modos de operação. Por exemplo, uma rápida rotação na posição de acerto, faz com que o ponteiro da horas avance uma hora de cada vez; o acionamento lento permite acertar o relógio com o ponteiro dos minutos. Em qualquer dos casos. Há um vídeo explicativo aqui.

Quase mil euros por um relógio de quartzo não é, realmente, algo fácil de engolir. Mas o prestígio da Longines conjugado com um movimento especificamente criado para oferecer a maior precisão possível (e a inclusão de um calendário perpétuo) são motivos que poderão justificar o investimento.

 

13 julho, 2022

Tissot Chemin des Tourelles GMT: estilo em viagem

 



Os relógios mecânicos com complicação GMT (duplo fuso horário) não são propriamente baratos. Mas através deste vídeo do canal Just One More Watch, descobri uma proposta fantástica, que pode ser vossa por pouco mais de 400 euros (detalhes no último parágrafo).

Trata-se do Tissot Chemin des Tourelles GMT. Há muito para gostar neste modelo que, a julgar pelo website de Singapura da marca, tem um preço de referência de cerca de 900€. Existem diversas variantes mas esta, como o mostrador preto e bracelete em pele da mesma cor, é a que me agrada mais.

Ao contrário do relógio que continua a ser a referência no mundo GMT, esta proposta com leitura de segundo fuso horário tem uma abordagem dressy e não desportiva e/ou de mergulho, com uma caixa muito mais simples e sem qualquer bisel rotativo. A leitura do segundo fuso horário é feita através da escala de 24 horas inscrita internamente na periferia do mostrador, para a qual aponta o tradicional terceiro ponteiro em forma de seta.

O desenho do mostrador inclui elementos que habitualmente não me agradam, como é o caso dos numerais romanos, mas o facto de aqui surgirem aplicados apenas nas quatro principais posições horárias, dá-lhe uma elegância mais consensual. O movimento usado é o suíço e automático Powermatic 80.661 com data, uma variante GMT do nosso conhecido Powermatic 80

Apesar de poder parecer maior, devido ao desenho da caixa e do mostrador, este é um relógio com uma caixa de apenas 42mm. Como acontece com toda a gama Tissot, a execução inclui vidro de safira. Como se vê pelas fotos, o fundo da caixa é igualmente em vidro, para observação do movimento.

Vamos então ao preço. Como disse, a referência Tissot é de cerca de 900€, mais coisa menos coisa. Contudo, à data em que escrevo isto, está ser vendido pela popular Jomashop por... 323 dólares! Acrescente-se o código BDFW10 ao carrinho, e ainda se tem um pequeno desconto de mais 5 dólares. Contudo, há que acrescentar 89 dólares de portes para Portugal (porque vem dos EUA) e, mais do que certo, custos de desalfandegamento. Ainda assim, estou em crer que ficará por bastante menos do que o PVP de referência.

Uma alternativa (mais cara) é optar por uma variante com mostrador e caixa prateados e bracelete em aço que, não sendo do meu agrado, poderá ser do vosso. Esse modelo está na Amazon Espanha (portes grátis e sem problemas de alfândega) por 816€.

12 janeiro, 2022

Tissot Everytime Medium NATO: o poder da simplicidade

 


A julgar pelas estatísticas, os visitantes deste blog demonstram uma clara preferência por cronógrafos, pelo que, sempre que possível, trago aqui modelos com essa complicação. Contudo, os relógios simples continuam a ser os que mais me interessam.  

No passado, já aqui falei de relógios da coleção Everytime, da Tissot (aqui e aqui). Este, com a referência T109.410.17.077.00 é um pouco mais do mesmo, reconheço, mas traz consigo um sabor a field watch, patente na escolha dos numerais, com o zero a anteceder todas as posições com um só algarismo, mas também na escolha de uma bracelete tipo NATO.

É engraçado como, no site oficial da marca, este modelo aparece como sendo de senhora, porque não estou a ver nenhuma mulher a encontrar apelo neste relógio. Mas posso estar enganado... O que interessa é que as restantes características deste modelo estão de acordo com o que normalmente esperamos da marca suíça: caixa em aço (com 42mm e resistência à água de 50 metros), vidro de safira e movimento de quartzo de boa qualidade, neste caso um ETA 902.101.

Ao contrário do que sucede com todos os movimentos de quartzo de origem chinesa mas também com muitos japoneses, este é um movimento suíço que utiliza latão e não plástico na sua estrutura, oferecendo garantias de precisão e fiabilidade que não encontramos em movimentos mais baratos de origem asiática.

O preço de referência é de cerca de 250€, mas podemos encontrá-lo mais barato na Amazon Espanha.


06 junho, 2021

Deep Blue Master 1000 Chronograph: pau para toda a obra


Normalmente, gosto de falar de relógios que eu mesmo compraria; no entanto, este Deep Blue não é para mim, devido à sua caixa com um diâmetro um pouco fora do que considero razoável para o meu pulso: 45mm. Mas, como ainda assim o considero interessante, vale bem uma referência, até porque estamos a chegar ao Verão... 

Deep Blue Master 1000 Chronograph é um modelo desportivo particularmente polivalente, uma vez que conjuga a funcionalidade de um relógio de mergulho com um cronógrafo e ainda oferece a complicação de dia e data, o que o torna num prático daily driver.  

O movimento usado é o Miyota 0S10, uma evolução do 0S00 de que já aqui falámos anteriormente, que tem agora a funcionalidade de quick reset do cronógrafo, como acontece nos cronos mecânicos. Além disso, o layout de três sub-mostradores às 12, 6 e 9 horas com dia e data às 3h00 remete-nos de imediato para os cronógrafos automáticos baseados no ETA 7750.

Como disse logo no início, este é um relógio grande, com caixa 45mm de diâmetro, e que oferece resistência á água até 300 metros, ou seja, 1000 pés – o que explica a referência no nome. A coroa às 10h00 é uma válvula de hélio manual, o que significa que pode ser usado em mergulho de saturação. O bisel, unidirecional, é de 120 cliques, em alumínio (menos resistente do que projetos semelhantes, embora mais caros, com biséis em material cerâmico).

O resto da execução não está mesmo nada mal para o preço pedido (333 dólares), uma vez que inclui vidro de safira e bracelete em aço. Apesar de não surgir no website europeu da marca, qualquer modelo presente no site dos EUA pode ser adquirido também a partir da Europa, evitando assim chatices com impostos. Uma versão com bracelete em borracha é ainda mais acessível (249 dólares).



23 dezembro, 2020

Casio Lineage LCW-M170D-1AER

 


São raros que os relógios de que aqui falo tenham mostradores digitais. Mas penso que vale a pena olharmos com algum cuidado para este Casio Lineage, com a referência LCW-M170D-1AER. Existem três modelos além deste, todos com a caixa e bracelete em aço, mas com mostradores de cores diferentes (no link acima, encontram-se todas as variantes no site da Casio).

Ao contrário do que supus quanto vi a foto do relógio pela primeira vez, sem qualquer ponto de referência, pareceu-me que seria um pouco maior do que é na realidade, e ainda bem! A caixa mede 39,6mm de diâmetro, tem resistência à água de 5 atmosferas e o mostrador é muito bem desenhado, com índices aplicados em todas as posições horárias e uma janela horizontal entre as 5 e as 7 horas para a exibição de informações através de carateres alfanuméricos. 

Digno de nota é também o facto de este ser um relógio cujo mostrador é protegido por vidro de safira, o que não é frequente nesta gama de preços. 

O movimento "ana-digi" é, claro, de quartzo, alimentado pela luz solar e com a particularidade de poder ser acertado através de sinais de radiofrequência, muito embora a receção em Portugal do transmissor mais perto de nós, na Alemanha, não seja grande coisa.

A elegância e simplicidade da parte analógica do mostrador é equilibrada pela quantidade enorme de informação a que temos acesso, e que seria virtualmente impossível de exibir através de métodos analógicos tradicionais, sob pena de ficarmos a olhar para imensidade de ponteiros, escalas e sub-mostradores!

As funcionalidades oferecidas por este relógio incluem:

Função de horas mundiais (indica a hora atual nas principais cidades e em áreas específicas do mundo), cronógrafo, temporizador, alarme (até 5 alarmes diários), indicador do nível de carga da pilha, calendário perpétuo, em que o dia da semana pode ser indicado em idiomas diferentes e ainda indicação das horas em formato 12 ou 24 horas.

O preço de referência indicado pela Casio para este modelo é de 249€ e de 299€ para as outras referências. Na Amazon Espanha, podemos comprá-lo por menos de 190€, já com portes.

16 dezembro, 2020

Junkers Cockpit 9.14.01.02.M

 


A Junkers é uma marca de que gosto muito, graças não apenas à sua excelente relação preço-qualidade, como à sua estética, de uma maneira geral muito bem conseguida. De resto, já aqui fiz uma análise detalhada a um cronógrafo automático da marca baseado no movimento ETA 7750 (a.k.a. Valjoux) e que continua a ser um dos preferidos da minha pequeníssima coleção.

Acontece que, em 2019, a marca deixou de ser produzida pela Pointtec, empresa alemã que é também responsável pelas marcas Zeppelin e Iron Annie. A licença de utilização do nome Junkers, que tinha uma duração de 25 anos, expirou e a família Junkers não a renovou, preferindo lançar-se, ela mesmo, no negócio da relojoaria, prescindir de distribuidores na maioria dos países (incluindo Portugal) e vender através do seu website.

Acontece que, pelo que já tive oportunidade de ver "na mão", os novos Junkers não estão ao nível das anteriores produções da Pointtec. A marca continua a incluir a menção "Made in Germany" nos mostradores, mas não se sabe muito bem quem é responsável pela sua montagem.

Dito isto, estes são relógios que continuam a ser bastante baratos para o resultado final. E, além disso, a marca Junkers consegui (graças à Pointtec em geral e, em Portugal, do seu distribuidor português, a SRI, em particular) ganhar algum prestígio ao longo das últimas duas décadas.

Este preâmbulo serve de aviso apenas a quem já comprou um Junkers na "era Pointtec" e agora contempla a opção de comprar um modelo mais recente: a qualidade poderá não ser aquela de que se está à espera.

O que nos traz a este cronógrafo da série Cockpit, o qual é baseada num movimento de quartzo infelizmente pouco usado, o Miyota 6S00, uma evolução do 0S00 de que aqui já falámos por diversas vezes. Trata-se de um movimento interessante uma vez que permite criar mostradores que, à primeira vista, parecem revelar a utilização de um ETA 7750, com os seus três sub-mostradores e a janela de dia e data às 3h00.

Face ao 0S00, este novo 6S00 oferece uma nova funcionalidade interessante: o ponteiro central, que conta os segundos em modo cronógrafo, tem um movimento de 4 "beats" por segundo, o que lhe dá um feel mecânico face ao tradicional movimento de um "beat" por segundo, típico dos movimentos de quartzo.

Quanto a este modelo em particular, a referência 9.14.01.02.M possui uma caixa em aço com acabamento polido de 42mm de diâmetro, vidro de safira e resistência à água de 5 atmosferas. A bracelete, igualmente em aço, complementa o relógio de forma bastante harmoniosa.

O mostrador, de fundo preto, possui um desenho simples, com numerais nas posições horárias, à exceção das 12, 3, 6 e 9 horas, devido à forma como foram implementados os submostradores e a janela de dia/data.

O preço é de 369€, o qual me parece perfeitamente justo face ao nível de execução aparente. Existem variantes com fundo azul e prateado, bem como variantes destes três modelos com braceletes em pele, com um preço de 340 euros.  

28 outubro, 2020

Boldr Venture Carbon Black

 

A Boldr é um jovem microbrand que cria relógios de estilo militar com desenhos, características, funcionalidades e materiais extremamente interessantes a um preço ainda mais interessante. As coleções da marca estão distribuídas de acordo com os diferentes ramos das Forças Armadas, designadamente Air, Field e Sea. O modelo que vos trago hoje é um field watch com a designação Venture Carbon Black.

Embora possamos encontrar este tipo de relógios por aí "a pontapé", é a conjugação do desenho, materiais empregues, movimento e preço que tornam este Boldr numa proposta muito interessante.

Comecemos pela caixa (de 38mm de diâmetro). Ao contrário do que possam pensar, não, esta não é construída em aço mas sim em titânio, material mais resistente do que o aço mas muito mais leve. Além disso, é também mais caro do que o aço... 

Mas a Boldr não se ficou pela escolha do material da caixa: também a produziu de forma a oferecer uma resistência à água até 200 metros, o que torna as coisas bem mais interessantes porque, como já tive a oportunidade de referir aqui no blog por diversas vezes, só com uma resistência à água de 200 metros ou superior é efetivamente seguro levar o relógio para o mar ou para a piscina.

Ora criar um caixa em titânio e torná-la resistente a uma pressão de 20 atmosferas, não é barato. Como também não é particularmente barato usar o movimento mecânico automático SII (Seiko) NH35A, aqui implementado sem a sua tradicional complicação de data, desta forma resultando num mostrador muito simples, legível e "limpo". Outra escolha de materiais que se saúda é a do vidro de safira com tratamento antirreflexo para proteção do mostrador.

Como é tradicional em relógios deste tipo, temos aqui uma dupla escala horária com "hora militar" concêntrica aos super-legíveis numerais em todas as posições horárias. E, como podem ver no GIF animado, também muito legível à noite, com a aplicação de super-luminova nos ponteiros (incluindo a ponta do ponteiro dos segundos) e numerais.

O resultado é completado pela coroa (de rosca) de proporções generosas posicionada às 4 horas, para oferecer melhor conforto, e por uma bracelete tipo NATO.

O melhor elogio que posso fazer a este relógio, cujo preço é de apenas 299€ (compra a partir do site da empresa, com portes incluídos para todo o mundo) é que irei certamente comprá-lo em breve.

02 setembro, 2020

Casio MTS-100D-2AVEF

 


Antes de começar, uma pergunta: tendo como base apenas a foto deste post (e ignorando o facto de se tratar de um Casio...), quanto é que acham que este relógio custa? Um relógio cujo mostrador tem índices aplicados (e não apenas pintados) com tratamento luminescente, caixa e bracelete em aço e... vidro de safira?

Uns 150€, 200€? Mais? E se vos disser que este relógio tem um PVP de referência de 79€ e pode ser comprado na Amazon Espanha (portes incluídos) por 64€? Ah, pois é...!

Apresento-vos o Casio MTS-100D-2AVEF, provavelmente o relógio B3 mais B3 disponível no mercado. Não só é bonito, com um desenho entre o desportivo e o dress watch, como oferece funcionalidades e características impensáveis a este preço em qualquer outra marca.

A gama MTS-100x consiste em sete referências: três com bracelete em aço (este, em azul, e com mostrador em preto e em branco/prateado); outros três com caixas e mostradores iguais mas com bracelete em pele; e um, de que não gosto particularmente, com caixa em plaqué dourado e numerais em vez de índices e que só está disponível com bracelete em pele. 

Como disse acima, o preço de referência para todos eles é de 79€, o que é estranho, tendo em consideração que os modelos com bracelete em aço custam sempre um bocadinho mais do que os que têm bracelete em pele. Só o modelo com caixa dourada é que tem um preço mais elevado, mas mesmo assim muito baixo, de 89€.

Além do que já referi, este modelo vem equipado com um movimento de quartzo com data às 3 horas e cuja bateria tem uma duração da ordem dos 10 anos – algo que vem referido no próprio mostrador e que eu preferia que não viesse, mas enfim... Outra característica que bem podia vir apenas indicada na tampa traseira e não no mostrador é a resistência à água de 50 metros.

Mas claro que a piéce de resistence, para o preço, é o vidro de safira que significa, na prática, um relógio cujo mostrador irá manter-se livre de riscos visíveis durante toda a vida do relógio -- a menos, claro, que use um diamante para o riscar propositadamente!

Por este preço, estamos na presença, certamente, de um vidro mineral com revestimento de safira, mas o resultado prático será o mesmo: resistência aos riscos praticamente garantida.

Há uma análise aprofundada a este relógio aqui.

Uma palavra final para o preço. Como disse, o valor de referência no site português da Casio é de 79€, mas encontrei-o por 64€ na Amazon Espanha. O link é para a variante em azul, mas a mesma página permite selecionar as outras variantes.

13 maio, 2015

Gavox Aurora


A referência à Gavox foi-me sugerida por um dos leitores deste blog, que terá recebido informação sobre o modelo Aurora, para o qual me pediu uma opinião.

A empresa é muito jovem. A sua origem é belga e foi criada em 2011 pelo neto de um dos lendários pilotos da esquadrilha Flying Tigers. Segundo a informação prestada pela Gavox, na sua qualidade de engenheiro e piloto, o fundador da empresa procurou um nome "que refletisse a sua paixão pela tecnologia, astronomia e exploração do espaço, bem como peças de relojoaria de qualidade capazes de serem usadas pelos profissionais no decorrer da sua atividade".

O Aurora é um relógio a todos os títulos original, nomeadamente por se basear numa versão costumizada do movimento "mecatrónico" suíço Soprod SOP 716. Esta é a segunda vez que fazemos aqui referência a um relógio baseado num movimento da Soprod – a primeira foi a propósito do Vostok Europe Lunokhod 2 Multifunctional.

E, à semelhança daquele modelo da Vostok Europe, também a Gavox oferece um conjunto alargado de funcionalidades neste Aurora. Diz a marca que este modelo é "o primeiro relógio de quartzo multifunções capaz de lidar com todos os fusos horários geográficos e políticos". Isto porque – uma vez mais, a fazer fé na informação prestada pela Gavox – "cerca de 20% da população mundial vive em fusos não standards com variações face aos fusos horários standards de 15, 30 ou 45 minutos."

Este modelo inclui um "temporizador de missão" flyback e um contador regressivo. Além disso incorpora ainda um calendário perpétuo bem como um indicador de fases da Lua.

A caixa em aço de 43mm de diâmetro tem resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). O mostrador, de elevada legibilidade com numerais às 12, 3, 6 e 9 horas, é protegido com vidro de safira.

Existem três variantes: Gavox Aurora 446.0 Steel, Gavox Aurora 446.1 All Black (ambos na foto) e Gavox Aurora 446.3 rose gold, com caixa em PVD ouro rosa que não me agrada tanto.

O preço para os dois primeiros modelos é de €899 – o que é estranho, uma vez que os acabamento em PVD negro costuma onerar os relógios com valores entre os 50 e os 200 euros... O preço para o modelo com caixa em ouro rosa é de €949. Em qualquer dos casos, a Gavox permite a seleção, no momento da encomenda, de diferentes braceletes (tipos e materiais), embora não surja, infelizmente, a opção por bracelete em aço,