14 de julho de 2021

Vostok Komandirskie 020/650: é barato... mas valerá a pena?

 

Vostok Komandirskie


Ando há uns tempos para falar da Vostok, relojoeira russa fundada em 1942 Quando comecei este blog, há quase 10 anos, a Vostok tinha fechado há pouco tempo (faliu em 2010) e apenas a Vostok Europe, que é uma empresa totalmente diferente, embora com uma história que se cruza com a da Vostok, subsistia.

Entretanto, muito mudou, e a Vostok voltou a operar, produzindo não apenas movimentos mas também relógios completos, que têm em comum sobretudo duas coisas: desenhos clássicos e preços muito baixos.

A Vostok é das poucas marcas que se pode vangloriar de produzir os seus próprios movimentos mecânicos, ainda que estes sejam algo rústicos e com acabamentos tipicamente muito básicos. O modelo que vos trago hoje pertence à lendária família Komandirskie da marca e é um relógio de mergulho automático que custa menos de 150 euros.

Há vários vídeos no YouTube que demonstram que estes são relógios com um nível de acabamento muito básico mas, pelo menos, são originais, mesmo que este modelo em particular nos dê uma "vibes" de Fifty Fathoms, especialmente no bisel unidirecional.  

A caixa, com 41mm de diâmetro, oferece a resistência à água de 200 metros que esperamos de um relógio de mergulho digno desse nome. O desenho agrada-me imenso, e o mesmo é verdade relativamente ao mostrador azul (existe uma variante, ao mesmo preço, com mostrador verde).

Aparentemente, índices, numerais e ponteiros são luminescentes, embora não tenha encontrado nenhuma foto do relógio no escuro que me permita confirmar isso. Mas, pelo menos, o mostrador é bem desenhado e com um equilíbrio que me agrada bastante: numerais nas posições horárias pares, à exceção das 12h00, com janela de data às 3h00. Gosto também bastante do formato dos ponteiros, que por vezes são um deal breaker para mim. 

O movimento usado é um Vostok automático referência 2415.01 com apenas 31 horas de reserva de marcha, o qual contribui para o baixo preço do conjunto. Outra coisa que ajuda a manter o preço baixo é o "vidro" que protege o mostrador e que, neste caso concreto, é na realidade acrílico. Como já comentei noutros posts, o material acrílico é ótimo em termos de resistência à quebra (daí ser ser usado no Omega Speedmaster que foi à Lua), mas é terrível em termos de se riscar muito facilmente. Pode ser polido, é verdade, mas um risco mais profundo nunca irá desaparecer.

O que ainda não consegui descobrir é se existe uma loja oficial da marca. Uma que surge frequentemente nas buscas via Google é a Meranom, mas os relógios são enviados a partir da Rússia, pelo que o modelo que voz trago hoje é vendido via Amazon Espanha, que pelo menos nos dá a garantia de que podemos reaver o nosso dinheiro caso alguma coisa corra mal.

Aqui, o relógio custa 132 euros, aos que o vendedor acrescenta 10 euros para envio para Portugal. É barato, sim. E eu mesmo ando a pensar se não o irei comprar. Mas, pelo mesmo preço, podemos ter um Orient. É menos original, é verdade, mas o nível de execução e qualidade do movimento são claramente superiores. 

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