18 março, 2015

MTM Special Ops Silver Air Stryk

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A esmagadora maioria dos relógio de que aqui falo são claramente concebidos para um público masculino. Isto tem a ver com o facto de es crever sobretudo sobre relógios de que gosto e que me imagino a comprar e/ou usar, mas também porque é para os homens que se destina a maior parte das criações da indústria relojoeira – os relógios destinados às mulheres tendem a cair nos grupos da joalharia (relógios com metais preciosos e/ou ornamentação elaborada) e dos “fashion watches” produzidos por empresas ligadas ao mundo da moda. Há exceções, mas são poucas e servem sobretudo para confirmar a regra.

Vem isto a propósito deste modelo da MTM Special Ops, uma empresa que, como tantas outras, desenha relógios exclusivamente a pensar nos homens e que fez dessa sua abordagem toda uma filosofia de relógios machos com sugestões militares e aventuras extremas (a história da marca sugere que foi criada por ex-militares e que os seus primeiros relógios tinham as forças armadas como principal cliente-alvo)

O resultado são relógios/instrumentos em que a função se sobrepõe à forma, muito embora o desenho final seja suficientemente interessante para apelar a um mercado bem maior do que o mundo castrense.

Os produtos da MTM não são muito baratos, mas considero que alguns modelos ainda caem sob a alçada do conceito B3, sobretudo os que não excedem os 3 dígitos de preço. É o caso deste Silver Air Stryk. Por menos de €900 (o PVP de referência é de 900 dólares) temos um relógio com um movimento suíço ana-digi (que conjuga funcionalidade analógicas e digitais) de proveniência desconhecida num caixa em aço de 43mm de diâmetro e resistência à água “a sério”: 200 metros (20 atmosferas) e coroa de rosca.

As funcionalidades são as que se esperam num movimento deste tipo e incluem cronógrafo, duplo fuso horário e alarme. Os índices e ponteiros têm tratamento com Superluminova e os ecrãs LCD são retro-iluminados.

A execução inclui vidro de safira com tratamento anti-reflexo, caixa em aço com acabamento mate escovado e bracelete em borracha. O relógio é vendido numa “dry box” e a marca oferece uma garantia de 3 anos.

16 março, 2015

Timex Intelligent Quartz 3GMT

Timex 3GMT

Não é preciso ser um perito de relojoaria para sabermos que um Timex não é propriamente um relógio para toda a vida. Contudo, modelos como este Inteligent Quartz 3-GMT fazem-me esquecer a prudência e pensar seriamente em alargar os cordões à bolsa.

O modelo da foto é uma variante com bracelete em pele e caixa em aço com revestimento PVD negro (referência T2P427ZA) que custa €169. A variante com caixa e bracelete em aço (referência T2P424ZA) custa apenas mais €10. E uma variante com caixa em aço sem acabamento especial e bracelete em pele tem o preço de referência no website alemão da marca de €159.

As informações sobre o relógio não abundam, nem sequer no website da Timex, mas depois de muito esgravatar lá consegui confirmar o diâmetro da caixa, que é de 47mm. A estanquidade, interessante para um relógio deste preço, é de 10 atmosferas (100 metros). O relógio possui também tecnologia “Indiglo”, a qual ilumina todo o mostrador para visibilidade noturna.

O nome “3-GMT” vem da funcionalidade do relógio em oferecer três fusos horários diferentes. O primeiro fuso horário é indicado pelo habitual ponteiro de horas adicional (que na foto surge na posição das 5H00). O movimento por si só não permite mais do que isto, mas a Timex dotou a caixa de um bisel rotativo com uma escala de 24 horas, através da qual podemos assim definir um terceiro fuso horário. Na posição das 3H00 temos ainda uma janela de data.

O resultado, quer em termos estéticos quer de funcionalidade, é muito do meu agrado e os preços indicados pela marca, não sendo particularmente baratos para um Timex, parecem-me ajustados em função do que aqui é oferecido.

13 março, 2015

Panzera F47-01D Arado

Panzera-F47-01D-Arado

Panzera é uma marca que vem da Austrália – provavelmente um dos últimos países que associamos à relojoaria… – e que nos oferece alguns modelos bem interessantes e, mais do que isso, que são puros B3.

É o caso deste F47-01D Arado, que a empresa apresenta sem pudor como “um clássico relógio alemão de piloto com 47mm” e que é baseado no clássico design "Baumuster A" utilizado nos modelos produzidos na Alemanha para os seus pilotos entre 1940 e 1941.

O desenho do mostrador é especialmente bem conseguido, com numerais e índices de grande legibilidade, dois sub-mostradores às 12H00 e 6H00 para visualização da reserva de marcha e dos pequenos segundos, respetivamente, e data às 3H00.

A caixa em aço que, como já vimos, tem 47 mm de diâmetro, possui fundo em vidro para observação do movimento mecânico automático. Este é de origem chinesa, um Hangzhou PZ-2BA0, o que justifica o preço incrivelmente baixo do relógio (apenas €325 + IVA). Para compensar a eventual desconfiança na fiabilidade da máquina, a marca compensa com a paz de espírito de uma garantia de dois anos – pouco habitual fora da Europa, onde a norma é de um ano.

A Panzera propõe um total de seis variantes da série Flieger 47 que inclui o F47-02D Wulf, com caixa em PDV negro e um preço apenas um pouco mais elevado (€350), bem como o F47-07D Dornier, com plaqué em ouro rosa, ao mesmo preço.

Esta interpretação dos modelos flieger da Segunda Guerra Mundial parece-me particularmente feliz e o preço pedido pela Panzera, possibilitado pela utilização do movimento oriental, é especialmente atrativo. Vou ficar atento…

06 março, 2015

Vostok Europe Mriya Multifunctional


A Vostok-Europe entrou em 2015 com o pé direito, com uma nova coleção, designada Mriya – em rigor, "Mriya-2", uma vez que a marca teve, há muito tempo, uma coleção completamente diferente mas com o mesmo nome.
Apesar de a marca colocar a ênfase sobretudo nas variantes equipadas com o movimento cronógrafo automático Seiko NE88, é a variante baseada no movimento ISASwiss 9515 "synchronized anadigit" que considero ter sido esteticamente mais bem conseguida.
O problema é que a caixa de 50 mm de diâmetro criada pela Vostok Europe para as três variantes desta série (a terceira é um "três ponteiros" com data baseada no movimento Seiko NH35A) não parece ter sido ideal para a distância entre os sub-mostradores do movimento cronógrafo e o resultado final é tudo menos harmonioso.
Pelo contrário, adoro estes "ana-digi"... Os designers da marca lituana estiveram particularmente felizes no desenho do mostrador, onde tudo está equilibrado, desde os grandes numerais às 3H00 e 9H00, ponteiros bem dimensionados e legíveis, o equilíbrio perfeito entre os pequenos segundos às 12h00 e o ecrã LCD multifunções as 6H00.
O modelo da foto tem a referência 9516-5554250 e é, para o meu gosto, a que faz mais sentido. Os dois outros modelos que utilizam este movimento têm esquemas de cores um pouco mais "folclóricos", com destaques em verde e azul.
À semelhança de várias outras gamas de elevada estanquidade (a caixa do Mriya resiste a pressões até 200 metros, ou 20 atmosferas), também aqui o relógio é vendido numa "dry box" na qual encontramos uma bracelete adicional em silicone e ferramentas para a sua substituição.
A Vostok Europe incluiu uma vistosa bracelete de silicone vermelha a par da sóbria bracelete em pele preta da foto, mas o distribuidor em Portugal, a SRI, irá comercializar o relógio com uma bracelete adicional em silicone preto, o que me parece uma muito melhor ideia.
Este modelo em particular, com caixa em aço revestida a PVD negro, custa €539, um valor interessante para um relógio tão invulgar. O modelo 9516-5554249, com caixa em aço escovado, custa ainda menos: €489.

19 fevereiro, 2015

Cadence Franklin

Cadence

Um leitor chamou-me a atenção para a Cadence, uma marca norte-americana baseada em Filadélfia que em vez de se por a inventar uma “back story” colorida assume de forma frontal as suas origens – algo que aprecio bastante. O que distingue a marca é a conjugação de um design cuidado e elegante conjugado com preços que até agora só encontrei em relógios de plástico (e mesmo assim…). O modelo da foto chama-se Franklin e custa (preparem-se…) apenas 30 (!) dólares.

Sim, leram bem – menos de €30. A marca vende a partir do seu próprio website e mesmo com portes ($8,99 para Portugal) e imaginando que iremos ter de pagar desalfandegamento, IVA e sabe-se lá que mais à entrada da fronteira, o resultado será sempre um relógio muito mais barato do que o seu aspeto sugere.

O que temos então por este preço? A Cadence garante que o movimento, obviamente de quartzo, é um fiável Miyota 2035 e o resto da execução parece-me mais do que correta não só para este preço, mas até para preços muito superiores. A caixa (com 42mm de diâmetro), o fundo e o bisel são em aço inoxidável; a bracelete, em pele, tem também fivela também de aço; e o vidro do mostrador é mesmo mineral e não plástico, como seria de supor numa peça tão barata.

Existem mais variações deste relógio, às quais a Cadence resolveu distinguir com diferentes designações: um modelo com caixa e mostrador dourado, particularmente horrível (para o meu gosto, claro), chama-se Brixton e custa os mesmos 30 dólares; uma variante com mostrador e caixa iguais mas bracelete em aço chama-se Bensen e custa mais 10 dólares; mais 10 dólares, para um total de 50, pagam o modelo Winston, com caixa e bracelete em aço com revestimento a PVD negro.

É óbvio que estamos na presença de um relógio que, se e quando avariar, vai para o lixo (mesmo que esteja na garantia, o custo de o devolver ao fabricante não compensa), mas pelos preços que a marca pede, este é um risco que vale a pena correr.

Sinceramente, se está no mercado à procura de um relógio elegante para usar em ocasiões formais mas não quer gastar muito dinheiro, é difícil pensar em algo que possa bater esta proposta. Se mandar vir um para si, depois conte-nos como foi! :-)

17 fevereiro, 2015

Christopher Ward C65 Trident Classic

CW c65 Trident

Os leitores deste blog já conhecem a minha predileção pelos relógios da Christopher Ward, uma jovem empresa britânica que conseguiu rapidamente conquistar um merecido lugar ao sol no competitivo mundo da relojoaria. Este C65 Trident Classic é um excelente exemplo da filosofia da marca: estética elegante e intemporal, materiais nobres – incluindo mostrador com vidro de safira de 4mm – e movimento suíço, neste caso um Sellita SW-200-1, um dos mais usados clones helvéticos do reputado ETA 2824-2.

No contexto da gama Christopher Ward, este é um dress watch que vai buscar elementos à coleção de mergulho Trident bem como à mais clássica Malvern. O resultado é interessante, até nas características técnicas, pois a marca garante uma estanquidade de 150 metros, um valor que está alguns furos abaixo do que esperamos de um relógio de mergulho mas bastante acima do que encontramos habitualmente num relógio mais elegante e formal.

A caixa em aço inoxidável tem um diâmetro de 42mm e o mostrador exibe um padrão ondulado – o mesmo usado nos relógios da coleção Trident – bem como índices em níquel aplicados e revestidos com Superluminova. Outros motivos marinhos podem ser encontrados na base do ponteiro do segundos e, claro, nos ponteiros sobredimensionados, típicos dos relógios de mergulho.

A marca dotou este modelo do fecho “Bader” que utiliza também nos seus modelos mais caros com bracelete em pele.

O relógio tem um PVP de £499 a partir do website da marca. É um valor que fica perto do que a Tissot pede por relógios semelhantes, o que se justifica perante o nível de execução e demonstra bem o estatuto que a marca britânica conseguiu num tão curto espaço de tempo.