Já aqui falei anteriormente da Junkers, marca alemã de aviões que deu o seu nome a uma gama de relógios produzida pela PointTEC, tendo nesse artigo feito uma referência a uma outra marca desta mesma empresa, a Zeppelin.
Em ambos os casos foi procurada a inspiração aeronáutica para criar peças evocativas dos céus e de imaginadas batalhas áreas. E se a Junkers nos leva para os meados do século XX, a Zeppelin utiliza uma estética claramente evocativa de tempos ainda anteriores a esse.
É o caso deste belíssimo exemplar da série Nordstern da marca, o modelo 7546-1. Trata-se de um relógio com complicação de segundo fuso horário e data, que utiliza um movimento de quartzo de origem suíça, o Ronda 505.24D.
A caixa em aço polido tem um diâmetro de 41mm e a bracelete é em pele castanha, que contrasta da melhor forma com o fundo branco do mostrador. Uma variação deste modelo utiliza mostrador com fundo azul e bracelete em pele preta.
O relógio, apesar da origem suíça do seu movimento, é bastante acessível, podendo ser adquirido online por menos de €200.
Edit: A marca tem representação em Portugal, através da SRI.
09 janeiro, 2013
08 janeiro, 2013
Citizen Royal Marines Commandos
A par da Seiko, a Citizen é um dos grandes fabricantes japoneses de relógios. E, tal como a sua rival nipónica, também fabrica sobretudo relógios com movimentos de quartzo, embora possua produção própria de movimentos automáticos.
Enquanto a Seiko utiliza o seu sistema eletro-mecânico Kinetic para os modelos de quartzo sem pilha, a Citizen usa uma tecnologia que cumpre o mesmo objetivo utilizando a luz, designada Eco-Drive. Em qualquer dos casos, o objetivo é o mesmo: eliminar a pilha nos relógios de quartzo, substituindo-a por um acumulador de energia (condensador).
O Citizen Royal Marines Commandos, modelo BN0110-06E é um destes Eco-Drive, mas possui uma série de características que o tornam muito interessante, sobretudo perante um preço de referência de apenas £299. É um relógio de mergulho relativamente grande (42mm) e com resistência à água até 30 atm (300 metros).
De acordo com a Citizen, este modelo possui uma caixa em titânio construída por uma única peça, o que a torna excecionalmente forte ao mesmo tempo que é cerca de 40% mais leve do que o aço. As características de resistência foram alargadas à bracelete, a qual é tecida a partir de fibras de Kevlar. O mostrador tem vidro de safira.
Gosto sobretudo do design "limpo", da presença da complicação de data e da conjugação de marcações às 3, 6 e 9 horas com numerais árabes nas restantes posições. Note-se o triângulo invertido (ponta para baixo) nas 12 horas, típico dos relógios de mergulho – por oposição ao triângulo com a ponta para cima dos relógios de aviação.
Para quem prefere relógios com bracelete em metal, existe uma versão deste relógio com bracelete igualmente em titânio, com um preço de referência de £369.
Enquanto a Seiko utiliza o seu sistema eletro-mecânico Kinetic para os modelos de quartzo sem pilha, a Citizen usa uma tecnologia que cumpre o mesmo objetivo utilizando a luz, designada Eco-Drive. Em qualquer dos casos, o objetivo é o mesmo: eliminar a pilha nos relógios de quartzo, substituindo-a por um acumulador de energia (condensador).
O Citizen Royal Marines Commandos, modelo BN0110-06E é um destes Eco-Drive, mas possui uma série de características que o tornam muito interessante, sobretudo perante um preço de referência de apenas £299. É um relógio de mergulho relativamente grande (42mm) e com resistência à água até 30 atm (300 metros).
De acordo com a Citizen, este modelo possui uma caixa em titânio construída por uma única peça, o que a torna excecionalmente forte ao mesmo tempo que é cerca de 40% mais leve do que o aço. As características de resistência foram alargadas à bracelete, a qual é tecida a partir de fibras de Kevlar. O mostrador tem vidro de safira.
Gosto sobretudo do design "limpo", da presença da complicação de data e da conjugação de marcações às 3, 6 e 9 horas com numerais árabes nas restantes posições. Note-se o triângulo invertido (ponta para baixo) nas 12 horas, típico dos relógios de mergulho – por oposição ao triângulo com a ponta para cima dos relógios de aviação.
Edit 22/12/2020: Este modelo já não se fabrica, embora ainda possa ser encontrado à venda online
07 janeiro, 2013
Mondaine Automatic A135.30348.11SBB
O Mondaine Automatic A135.30348.11SBB é-lhe certamente familiar. Não admira. O desenho do seu mostrador é o mesmo dos emblemáticos relógios das estações de comboio suíças. E mesmo que nunca tenha ido à Suíça (ou, tendo ido, nunca andou por lá de comboio...), há provavelmente outra razão por sentir que já viu este mostrador em algum lado: foi o desenho que a Apple decidiu copiar sem autorização para usar no iPhone 5.A história deste relógio remonta a 1986, quando a Mondaine decidiu comprar os direitos de utilização do desenho patenteado dos Caminhos de Ferro Suíços.
Esta é a versão mais cara, de movimento automático ETA 2836 com dia e data e 40mm de diâmetro. Custa cerca de £430 na Amazon.uk. Mas a marca possui variações mais simples e acessíveis, baseadas em movimentos de quartzo, com e sem data, com o mesmo desenho clássico e caixas de dimensões mais reduzidas.
Para os amantes dos relógios XXL, a Mondaine propõe modelos de 42mm com movimentos de quartzo (Giant – A660.30328.11SBB) e mecânicos (Retro Automatic – A135.30345.11SBB). O modelo de 42mm em quartzo não inclui quaisquer complicações, mas a versão mecânica (£399 na Amazon.uk) apresenta igualmente dia e data, com base no mesmo movimento ETA 2878 do modelo de 40mm. Os modelos de quartzo são bastante acessíveis, com preços a partir das £115.
06 janeiro, 2013
Tissot Automatics III
Gosto muito de dress watches. O termo designa os relógios analógicos, simples e elegantes que devem complementar a indumentária – de um homem ou de uma mulher – num evento formal. Dito isto, nada impede que usemos um dress watch todos os dias, como é evidente. Até porque há pessoas que, devido à sua profissão, têm de se vestir diariamente de forma mais ou menos formal.
Os meus preferidos são os relógios automáticos com dia e data, como já deve ser aparente pelos meus anteriores posts.
Como os dress watches devem complementar sempre a indumentária, é essencial olharmos para todos os detalhes. Se vai usar sapatos e cinto castanhos, a pulseira do seu relógio deve ser da mesma cor. As pulseiras de aço ou outro metal são menos dressy, mas podem também ser usadas, tendo a vantagem de serem mais neutras em termos de conjugação com outros elementos do vestuário.
Sobre o que deve ou não deve ser um dress watch, as opiniões divergem (mas não muito), como se pode ver aqui, aqui e aqui. Mas não concordo com a ideia, defendida por alguns, que um dress watch tem de ser construído num metal precioso.
O equilíbrio certo entre o formato, o tamanho e material da caixa, o tipo e forma dos numerais, a presença ou não de complicações, resulta numa série de propostas que deverão ir ao encontro de todos os gostos. Por exemplo, de uma maneira geral, não gosto de relógios que não tenham caixa redonda; e não gosto de numerais romanos. O que não significa que um destes dias não "tropece" num relógio de caixa quadrada com numerais romanos que me deixe de queixo caído!
A Tissot é uma das marcas que produz diversos modelos automáticos com preços relativamente acessíveis e que se encaixam nesta categoria de dress watch. O modelo que trago hoje é um excelente exemplo, o Tissot Automatics III, com bracelete em pele e um preço médio da ordem dos €395. A gama inclui diversos modelos com mostradores e caixas de várias cores, e braceletes de diferentes cores e materiais.
Em Portugal, este modelo não está disponível, pois a marca apostou comercialmente no Visodate, mais caro (€495 na Boutique dos Relógios). Apesar de também gostar bastante do Visodate, este Automatics III em nada fica atrás, até porque é baseado no mesmo movimento ETA 2836-2 e possui uma construção semelhante, incluindo vidro de safira, um diâmetro idêntico (39,7mm contra 40mm do Visodate) e a mesma (baixa) resistência à água de 3 atmosferas.
Os meus preferidos são os relógios automáticos com dia e data, como já deve ser aparente pelos meus anteriores posts.
Como os dress watches devem complementar sempre a indumentária, é essencial olharmos para todos os detalhes. Se vai usar sapatos e cinto castanhos, a pulseira do seu relógio deve ser da mesma cor. As pulseiras de aço ou outro metal são menos dressy, mas podem também ser usadas, tendo a vantagem de serem mais neutras em termos de conjugação com outros elementos do vestuário.
Sobre o que deve ou não deve ser um dress watch, as opiniões divergem (mas não muito), como se pode ver aqui, aqui e aqui. Mas não concordo com a ideia, defendida por alguns, que um dress watch tem de ser construído num metal precioso.
O equilíbrio certo entre o formato, o tamanho e material da caixa, o tipo e forma dos numerais, a presença ou não de complicações, resulta numa série de propostas que deverão ir ao encontro de todos os gostos. Por exemplo, de uma maneira geral, não gosto de relógios que não tenham caixa redonda; e não gosto de numerais romanos. O que não significa que um destes dias não "tropece" num relógio de caixa quadrada com numerais romanos que me deixe de queixo caído!
A Tissot é uma das marcas que produz diversos modelos automáticos com preços relativamente acessíveis e que se encaixam nesta categoria de dress watch. O modelo que trago hoje é um excelente exemplo, o Tissot Automatics III, com bracelete em pele e um preço médio da ordem dos €395. A gama inclui diversos modelos com mostradores e caixas de várias cores, e braceletes de diferentes cores e materiais.
Em Portugal, este modelo não está disponível, pois a marca apostou comercialmente no Visodate, mais caro (€495 na Boutique dos Relógios). Apesar de também gostar bastante do Visodate, este Automatics III em nada fica atrás, até porque é baseado no mesmo movimento ETA 2836-2 e possui uma construção semelhante, incluindo vidro de safira, um diâmetro idêntico (39,7mm contra 40mm do Visodate) e a mesma (baixa) resistência à água de 3 atmosferas.
05 janeiro, 2013
Junkers Hugo 6664-2
A relojoaria tem tanto de tradição como de imagem e quando é preciso encontrar tradição onde ela não existe nada melhor do que recorrer à imagem de uma marca mais antiga – mesmo que esta não tenha necessariamente a ver com relógios.
A ideia por detrás da Junkers, produzida pela empresa alemã PointTEC, é mesmo essa. A Junkers é uma marca que se tornou famosa durante a II Guerra Mundial no fabrico de aviões para a Luftwaffe, mas como a maioria dos relógios produzidos sob o mesmo nome é de inspiração aeronáutica, o casamento acaba por ser feliz: a PointTEC fica com uma marca adequada aos seus relógios, com tradição (embora não na relojoaria) e os aficionados recebem em troca peças belíssimas, a um preço excelente, de uma marca que faz com que os seus relógios façam sentido.
De resto, a PointTEC tem também linhas de relógios produzidas com base numa outra marca de tradição aeronáutica – Zeppelin.
O modelo 6664-2, que mostro aqui, é de uma nova gama, designada Hugo, a partir do nome do fundador da Junkers. Trata-se de uma máquina automática com data, criada a partir de um movimento mecânico Citizen Miyota 821A. A origem menos nobre (ou seja, não-Suíça!) deste mecanismo, permite propor este relógio a um preço extremamente competitivo de apenas €230 (preço médio em lojas online). A marca possui ainda outros modelos, mecânicos e de quartzo, muito interessantes e aos quais voltarei futuramente.
Edit: descobri entretanto (através do Anuário Relógios & Canetas) que esta marca tem representação em Portugal, através da SRI.
A ideia por detrás da Junkers, produzida pela empresa alemã PointTEC, é mesmo essa. A Junkers é uma marca que se tornou famosa durante a II Guerra Mundial no fabrico de aviões para a Luftwaffe, mas como a maioria dos relógios produzidos sob o mesmo nome é de inspiração aeronáutica, o casamento acaba por ser feliz: a PointTEC fica com uma marca adequada aos seus relógios, com tradição (embora não na relojoaria) e os aficionados recebem em troca peças belíssimas, a um preço excelente, de uma marca que faz com que os seus relógios façam sentido.
De resto, a PointTEC tem também linhas de relógios produzidas com base numa outra marca de tradição aeronáutica – Zeppelin.
O modelo 6664-2, que mostro aqui, é de uma nova gama, designada Hugo, a partir do nome do fundador da Junkers. Trata-se de uma máquina automática com data, criada a partir de um movimento mecânico Citizen Miyota 821A. A origem menos nobre (ou seja, não-Suíça!) deste mecanismo, permite propor este relógio a um preço extremamente competitivo de apenas €230 (preço médio em lojas online). A marca possui ainda outros modelos, mecânicos e de quartzo, muito interessantes e aos quais voltarei futuramente.
Edit: descobri entretanto (através do Anuário Relógios & Canetas) que esta marca tem representação em Portugal, através da SRI.
Mecânico ou automático?
Neste blog utilizo de forma indiferenciada os termos "mecânico" e "automático", embora saiba que não estou a ser 100% exato. Melhor dizendo: todos os movimentos automáticos são mecânicos, mas nem todos os movimentos mecânicos são automáticos.
Antes de avançar, devemos estabelecer desde já que a diferença é muito simples: um movimento mecânico automático é aquele em que não é preciso "dar corda" manualmente ao relógio, todos os dias, para que ele funcione; o movimento do pulso é suficiente para manter a corda sob tensão, através de um rotor que faz parte do mecanismo, pelo que o simples facto de colocarmos o relógio no pulso é suficiente para o manter em movimento.
As imagens acima mostram dois movimentos mecânicos suíços, ambos em relógios Steinhart. O da esquerda é um Unitas 6497, mecânico com corda manual; o da direita é um Valjoux 7750, automático, onde é perfeitamente visível o rotor, em dourado.
As coisas complicam-se depois um pouco porque existem relógios automáticos que também permitem "dar corda" manualmente ao relógio, o que é útil quando o relógio não tem qualquer reserva de marcha, enquanto outros só possibilitam mesmo o movimento a partir das oscilações dadas ao próprio relógio. Mas o mais importante é mesmo esta distinção: automático é um relógio com movimento mecânico ao qual não é preciso dar corda manualmente para que funcione.
Neste blog, e como a esmagadora maioria dos modernos movimentos mecânicos é também automática, usamos ambos os termos como sinónimos, por uma questão prática; mas sempre que surja uma ocasião em que o movimento mecânico não seja automático, daremos nota disso mesmo.
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