3 de março de 2021

A única coisa que interessa numa coleção de relógios

 


Gostava de falar hoje convosco do conceito de "coleção de relógios". Há quem defenda ser possível ter uma "coleção de um só relógio" (uma contradição em si mesmo, na minha opinião); e quem diga que, para que possamos chamar "coleção", temos de ter, pelo menos, três relógios. E, depois, há imensas teorias sobre quais devem ser os relógios ideais para uma coleção.

O que mais por aí há são "conselhos" que nos dizem que temos de ter este ou aquele relógio na nossa coleção. Ou que uma coleção sem o modelo (ou tipo de relógio, ou marca) "x" nunca será uma coleção completa. 

Na verdade, nunca liguei muito a isso até que, nos últimos meses, comecei a ver bastantes vídeos no Youtube, sobretudo dos youtubers dedicados à relojoaria mais acessível, e que tenho linkados na barra lateral da home page deste blog. Todos eles, ou quase todos, têm as suas próprias ideias sobre o que deve ser a "coleção" ideal, especialmente na gama de preços mais baixa, à qual este blog se dedica.

A minha opinião é que... não devemos seguir a opinião dos outros (não, nem a minha!). Existem, literalmente milhões de modelos diferentes: caros, baratos, bons, péssimos, bonitos, horríveis... Contudo, à exceção da qualidade (e, mesmo assim, também podemos discutir isso), praticamente tudo o resto é subjetivo. Preço? O que é caro para mim, pode não ser para si, e vice-versa. Bonito? Todos temos gostos muito particulares e, uma vez mais, o que é bonito para mim, pode não ser para si. Ou podemos estar de acordo, mas haver um qualquer deal breaker que nos impede de comprar determinada peça. 

Claro que, precisamente porque existem milhões de modelos por onde onde escolher, muitos deles com variantes na cor do mostrador, tipo de bracelete, tamanho da caixa, tipo de movimento, etc., etc., convém termos um critério. E é precisamente nos critério que as opiniões se dividem. No entanto, acho que faz mais sentido definirmos um critério (mesmo que seja apenas, e tão só, o nosso critério) do que nos levarmos por declarações perentórias do tipo "toda a coleção de relógios tem de inclui um Casio G-Shock" – um bom exemplo para mim, que até gosto de Casios (tenho um) mas não acho piada nenhuma aos G-Shock.

Penso que é também porque muitos colecionadores seguirem determinados critérios arbitrários que depois vemos, todos os anos, um vídeo sobre o chamado "estado da coleção", onde mostram os relógios que venderam e compraram no último ano. Compreendo que uma coleção seja dinâmica e que determinadas peças possam ser entretanto vendidas (ainda há pouco tempo fiz precisamente isso), mas a quantidade de relógios vendidos e comprados anualmente por estes colecionadores deixam-me na dúvida (sobretudo no que diz respeito às vendas) se não haverá aí, precisamente, um problema de critério. 

Qual o critério, então, que devemos seguir? Quanto a mim, é este: comprarmos os relógios que gostamos e, igualmente importante, que tencionamos usar. Parece-vos óbvio? Mas não é assim tão óbvio quando ouvimos/lemos coisas como "você tem de ter este [introduzir marca/modelo/tipo] relógio na sua coleção!"

No final do ano passado, pensei seriamente comprar um relógio com mostrador (e movimento) de 24 horas. Isto é, um relógio cujo ponteiro das horas demora um dia inteiro a dar uma volta completa e cujo mostrador está graduado com 12 e não 24 índices. Achei que faria sentido para "completar" a coleção, o que quer que isso signifique. Mas fiquei a pensar: será que eu usaria este relógio...? Afinal, não é propriamente um relógio prático e requer alguma habituação até conseguirmos ler as horas num relance fugaz. E acabei por não comprar (embora admita que o possa vir a fazer no futuro).

O mesmo se pode dizer de relógios com um só ponteiro (o das horas). Farão parte obrigatória de uma coleção? A minha resposta é: se gostarmos e se o formos usar, claramente que sim! Pelo menos para mim, se a resposta for não a ambas as perguntas, então é algo que considero não fazer sentido.

Outro aspeto a considerar: o nosso gosto evolui à medida a que a nossa coleção também evolui. Por exemplo, no início deste blog referi por diversas vezes que não tinha grande interesse em relógios "de mergulho". Mas, entretanto, é exatamente esse o tipo de relógio que tenho "na calha" para adquirir brevemente.

Resumindo e concluindo: a vossa coleção deve ser constituída pelos relógios de que mais gostam e que pretendem usar regularmente (ainda que de forma esporádica). Comprar algo "só porque é suposto" para compor a coleção, não me parece uma boa estratégia.

Mas, lá está: isto é o que eu acho! Fico curioso: qual é a estratégia que seguem para a vossa coleção, se é que seguem alguma? Respostas nos comentários!

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P.S.: A imagem que ilustra este post não é a da minha coleção; é apenas uma foto que encontrei online. 

 

 

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