06 abril, 2015

Torgoen Harrier T33402

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A Torgoen tornou-se uma das minhas marcas favoritas depois de nela ter tropeçado no ano passado. A marca produz relógios com uma boa relação qualidade/preço baseados em movimentos de quartzo suíços Ronda. Um dos aspetos que mais me agrada nos relógios da Torgoen é o facto de a marca criar desenhos onde tenta afastar-se de tudo aquilo que os seus concorrentes fazem, propondo alternativas esteticamente interessantes.

É claramente o caso deste Harrier T33402 baseado num movimento cronógrafo Ronda 3520.D. A marca partiu do tradicional mostrador “B Type” dos relógios de piloto alemães da Segunda Guerra Mundial (em rigor, dos relógios usados pelos navegadores), em que a escala principal é a dos minutos, para oferecer um relógio que é decididamente original.

A partir de um mostrador de grande visibilidade e fundo creme, a Torgoen integrou de forma harmoniosa os sub-mostradores do cronógrafo: às 12h00 temos um duplo contador de 30 minutos/12 horas e às 6h00 o mostrador de pequenos segundos. O aspeto militar à reforçado pela utilização, nesta variante, de uma bracelete têxtil (nylon).

A caixa, relativamente grande (45mm), é em aço 316L, com fundo roscado, e apresenta uma resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). Os índices e ponteiros têm tratamento luminescente para visibilidade no escuro e o vidro do mostrador é mineral endurecido (K1).

O preço de referência, diretamente a partir do website da marca, é de 468 dólares – cerca de 450 euros ao câmbio atual. A gama Harrier possui várias outras variantes com diferentes braceletes, fundos de mostrador e caixas.

03 abril, 2015

Steinhart Ocean One Vintage Military


Agora que o calor parece ter regressado, vale a pena voltarmos a falar de uma categoria que tem um lugar no coração de qualquer entusiasta: o relógio de mergulho. Apesar dos milhares de modelos disponíveis - e alguns deles realmente originais - temos de admitir que uma parte substancial dos "diver watches" que vemos nas montras têm uma estética que oscila entre a cópia descarada e o tributo (a chamada homage) ao pioneiro Rolex Submariner.

O facto não é mau em si mesmo, uma vez que encontramos no mercado muitos modelos que, mesmo piscando o olho ao Rolex, oferecem uma estética suficientemente diferente para terem um valor intrínseco e não desprestigiarem o pulso de que o usa (sendo que é também possível encontrar relógios de mergulho que seguiram uma via estética completamente diferente).

A alemã Steinhart é uma das marcas que aprecio e que, sendo original em muitas das suas criações, possui imensos modelos que são claramente tributos aos relógios pioneiros de grandes marcas, tão emblemáticos que criaram por si só um novo estilo e/ou categoria.

O Steinhart Ocean One Vintage Military pertence à categoria dos relógios homage, neste caso ao já referido Submariner da Rolex. Ao contrário das réplicas ou contrafações, os relógios que pretendem homenagear os modelos de referência que lhes servem de base trilham uma linha nem sempre fácil: incorporam no seu desenho os elementos mais emblemáticos do produto de referência mas, em vez de tentarem fazer passar gato por lebre, assumem uma (re)interpretação própria capaz de resultar numa peça que tenha valor por si mesma.

Salvo melhor opinião, penso que é claramente o que a Steinhart tentou - e conseguiu - fazer aqui. Na sua reinterpretação, a marca alemã alterou ligeiramente as proporções do relógio. A relação entre o tamanho do mostrador e a largura da luneta (bisel) rotativa é claramente diferente aqui, com uma luneta mais estreita e uma caixa um pouco maior do que a do Submariner atual (42mm, contra 40mm); o movimento ETA 2824-2 é usado neste modelo sem a funcionalidade de data; e os ponteiros têm um formato mais convencional e dispensam o formato emblemático usado pela Rolex.

O resto da execução é excelente, com a caixa a resistir às mesmas 30 atmosferas (300 metros) do Rolex, coroa de rosca e um mostrador protegido por vidro de safira com tratamento anti-reflexo. O resultado, aos meus olhos, é um relógio particularmente bonito e equilibrado.

Reconheço que sou um pouco snob em termos de relógios (não usaria uma contrafação no pulso...) mas gosto ainda mais de bons negócios, pelo que se me dessem a escolher entre o Rolex Submariner e este Steinhart, teria poucas dúvidas em optar pelo relógio alemão... especialmente porque custa apenas €320 + IVA!

01 abril, 2015

Roamer Searock Automatic


Tal como acontece com uma boa parte das marcas tradicionais suíças, também a Roamer tem uma história longa e atribulada. Nascida em 1888, a marca foi evoluindo ao longo do século XX até que, em 1972, lança o seu primeiro relógio de quartzo... A cronologia da própria empresa mostra que houve um hiato entre essa data e 2003, quando a Roamer retoma a produção de relógios baseados em movimentos mecânicos.

Para sabermos o que aconteceu durante esse período temos de recorrer a websites externos (nem a página na Wikipedia nos dá pistas...) onde descobrimos que a marca não resistiu ao embate do quartzo: a produção cessou em 1975 e, em 1985, a empresa seria vendida e integrada no grupo chinês Chung Nang.

No entanto, ao contrário do que sucedeu com muitas marcas helvéticas, a Roamer parece nunca ter pedido a sua independência e manteve-se sempre em funcionamento na Suíça.
Em 2003 dá-se o reboot definitivo da marca, com o lançamento de novos relógios mecânicos.

Este modelo que vos trago hoje chama-se Searock Automatic e trata-se de um elegante relógio automático com data. O relógio é "Swiss Made" e utiliza um movimento designado STP-11, que é a versão da marca do ETA 2824-2.

O resto da execução é de alto nível: caixa e bracelete em aço inoxidável, mostrador de 42 mm de diâmetro, vidro de safira com revestimento anti-reflexo, fundo igualmente em vidro e coroa de rosca que garante uma efetiva estanquidade de 10 atmosferas (100 metros).

O preço, para um relógio suíço automático com este nível de execução não me parece excessivo:  €600 a partir do site da empresa. Como sempre, na Amazon cncontra-se mais barato.

30 março, 2015

Junkers 6152-20KH

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O relógio Junkers 8152-20KH é uma série especial que assinala os 20 anos e as 20.000 horas de voo da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha Portuguesa.
Criado pela Junkers e pela SRI, empresa que representa a marca alemã em Portugal, o relógio foi produzido numa série numerada e limitada a 50 peças, das quais estão disponíveis apenas 15 unidades para venda ao público. Os restantes relógios foram já entregues aos militares da Esquadrilha de Helicópteros numa cerimónia realizada recentemente na base aérea do Montijo.
A SRI diz que a Junkers foi uma escolha natural para estes relógios, uma vez que é uma marca associada a um dos grandes pioneiros da história da aviação, o engenheiro e inventor Hugo Junkers, responsável pela criação de algumas das mais emblemáticas aeronaves de sempre.
Para esta série limitada foi montada uma coroa específica e produzida uma decoração especial do mostrador, alusiva aos 20 anos e 20.000 horas de voo da esquadrilha de helicópteros, e para o movimento foi selecionado o calibre suíço ETA 2824-2, lendário pela sua precisão e fiabilidade – valores que também associamos à Esquadrilha de Helicópteros. Trata-se de um movimento de alta precisão, com 25 rubis e que funciona a 28.800 alternâncias/hora (4 Hz), montado numa caixa de titânio de acabamento acetinado com 42 mm de diâmetro e vidro de safira.
O mostrador foi personalizado e inclui inscrições alusivas à Esquadrilha de Helicópteros e às 20.000 horas de voo, nas posições das 12, 9 e 6 horas, em branco e com as cores da bandeira portuguesa.
O Junkers 8152-20KH está disponível desde já na rede de agentes da SRI e no Museu do Relógio, por um preço sugerido de 515 euros.

27 março, 2015

Seiko 5 SRP5xxK1

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Os Seiko 5 são, desde há mais de 50 anos, uma das melhores formas de aceder a um relógio automático de qualidade por muito pouco dinheiro.

Criado em 1963, o conceito Seiko 5 integra cinco principais características (daí o seu nome) provenientes do movimento e da caixa: corda automática, dia e data exibida numa só janela, resistência à água, coroa na posição das 4 horas (posição que entretanto passou para as mais convencionais 3H00 na maioria dos modelos) e uma caixa e pulseira/bracelete duradouras.

Desde então que os Seiko 5 se tornaram extremamente populares na gama da marca japonesa, tendo dado origem, ao longo dos anos, a centenas de diferentes modelos – ainda hoje é possível encontrar dezenas de variantes, entre os modelos desportivos, militares, de mergulho ou simples dress watches.

O que provavelmente não sabiam é que os modelos mais recentes já não são tão simplistas como no passado, designadamente os que incluem o movimento com a referência 4R36, que adiciona às funcionalidades de base do calibre (automático com dia e data às 3H00) duas outras cobiçadas funções que tornam a sua utilização mais prática: corda manual e paragem de segundos. A reserva de marcha é de 41 horas.

A vantagem da corda manual é a possibilidade de, se deixarmos o relógio parar (por falta de uso, fazendo com que o rotor do movimento automático não cumpra a sua função), podermos rapidamente criar reserva de marcha sem termos de estar a abanar o relógio para usar lhe dar corda com o rotor. Já a paragem de segundos (“hacking seconds”) facilita o acerto da hora: ao puxarmos a coroa para fora, o ponteiro dos segundos para na posição em que esteja, permitindo acertar a hora livremente, só voltando a mover-se depois de termos empurrado a coroa para a sua posição normal.

Há já imensos modelos diferentes baseados no novo movimento SR46, mas para este artigo escolhi o que tem a referência SRP513K1, o qual pode ser encontrado online por menos de €200 (o preço na Amazon UK ronda as £150).

Trata-se de um relógio da gama Explorer com uma caixa em aço com 42mm de diâmetro e resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). Além deste, existem mais 6 variantes, com diferentes braceletes e cores de caixa e mostrador.

O desenho do mostrador agrada-me particularmente, com a sua tripla escala: 12 horas, 60 minutos/segundos e escala “militar” de 24 horas no bisel exterior. O preço, como já indiquei, é inferior aos €200, o que me parece perfeitamente justo dada a qualidade aparente e a execução do conjunto.

25 março, 2015

Swatch Sistem Black review

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Os meus leitores já perceberam que gosto muito de relógios mas que a maioria dos meus artigos são na verdade apreciações subjetivas de peças que, vistas à distância de uma montra ou de uma página Web, me parecem interessantes.

De vez em quando, faço um teste, mas é raro. Primeiro, porque a minha coleção de relógios e limitada (e quando faço um teste é a partir da experiência de utilização de um dado modelo que possuo) e depois porque o tempo também não abunda – é mais fácil e rápido fazer um dos artigos habituais sempre que tropeço num relógio que me agrada do que um artigo mais aprofundado sobre uma experiência de utilização.

Este caso é uma exceção porque tive acesso a este relógio em particular – a minha filha comprou-o há uns meses – e porque senti, depois de o poder observar mais de perto e mexer efetivamente nele, que este é um daquele casos que vale a pena chamar os bois pelos nomes, evitando que os meus leitores gastem dinheiro em algo que não é o que parece.

Mas primeiro, um pouco de história. Lembro-me do primeiro Swatch mecânico até porque na altura pensei em comprar um: foi em 1992, a propósito da cimeira do Rio de Janeiro. Chamava-se, apropriadamente, Time to Move (referência SAK 102) e vinha equipado com um movimento ETA 2842, criado especificamente para ser barato de produzir, de forma a poder ser integrado em relógios de baixo preço.

O gesto da Swatch foi simbólico e significativo. Uma marca conhecida pelos seus relógios de quartzo – tecnologia que obriga à utilização de uma pilha – aproveitava um importante fórum mundial para juntar a sua voz às dos que pediam mudanças na forma de ver o mundo de uma forma sustentável com um relógio que usava um (ecológico) movimento mecânico automático.

Seria no entanto necessário esperar até 1997 para que a Swatch oferecesse uma gama completa de relógios baseados em movimentos mecânicos automáticos. Até há bem pouco tempo, esta era uma poucas formas de podermos ter um relógio mecânico suíço – com caixa em aço! – por cerca de 150 euros, como de resto salientei num artigo anterior.

O Sistem 51


Mas se o movimento de quartzo criado para os Swatch originais foi pensado de raiz para este relógio (um movimento produzido industrialmente e em massa, na Suíça, com poucas peças móveis, mas barato e fiável), o ETA dentro dos seus modelos automáticos nunca foi mais do que uma simplificação de um movimento já existente no sentido de o embaratecer o suficiente para que pudesse dar origem a modelos com “preços Swatch”.

Ao apresentar na feira de Basileia, em 2013, o Sistem 51, a Swatch desvendou um projeto em tudo similar ao que deu origem aos primeiros relógios da marca: um movimento – desta vez, automático – concebido de raiz a pensar na poupança de custos de produção mas capaz, pelo menos teoricamente, de se bater de igual com movimentos automáticos muito mais caros.

Tal como o movimento de quartzo criado pela Swatch nos anos 80, também este movimento (referência ETA C10111) foi pensado para ser totalmente produzido e montado de forma automática, sem intervenção humana, a única maneira de garantir um baixo preço de venda ao público.

Além disso, a marca conseguiu ainda o bónus de oferecer uma reserva de marcha de 90 horas – cerca do dobro dos movimentos automáticos tradicionais, que andam entre as 40 e as 50 horas e marginalmente superior até ao Tissot Powermatic 80!

O Swatch SUTB400


O Swatch Sistem Black pertence ao grupo de relógios do lançamento do Sistem51 que inclui ainda os modelos RED, BLUE e WHITE. De todos eles, o Black é o que constitui melhor negócio porque, apesar de ser do mesmo preço de todos os outros, é o único que tem bracelete em pele.

Mas na verdade, o preço é o primeiro sinal de alarme para este nova gama: €135 é um valor não muito distante dos relógios da gama Swatch Irony, em aço (incluindo bracelete no mesmo material), com movimento automático e mostrador de vidro. E aqui estamos a falar num relógio totalmente produzido em “plástico verdadeiro”…

Quanto ao resto. Há algumas coisas que me agradam no Sistem Black e que são comuns aos restantes membros da gama. A primeira é o tamanho do relógio: os 42mm da caixa são um pouco maiores do que é habitual na Swatch, mas isso é uma coisa boa.

Outro aspeto interessante é a forma como foi implementado o rotor que permite a manutenção da reserva de marcha, o qual consiste num círculo em material acrílico que é apenas metálico num anel exterior. O resultado é um rotor que parece flutuar como que por magia e que pode ser observado através do fundo da caixa, em plástico transparente. E, claro, temos depois a generosa reserva de marcha de 90 horas, que temos de admitir ser um verdadeiro tour de force num movimento criado para ser barato.

Infelizmente, o que me agrada no relógio fica-se por aqui. Talvez seja uma questão geracional, mas se não teria problemas em usar um Irony ou até mesmo um despretensioso Swatch de quartzo, aqui tudo me parece desproporcionado: preço demasiado elevado, plástico demasiado abundante (com a exceção, neste modelo em particular, da bracelete em pele) e um conjunto demasiado leve – gosto do peso adicional de um relógio mecânico face aos de quartzo.

Eu sei, eu sei… No final do dia é apenas um Swatch. Talvez seja um problema criado pela própria marca, cuja máquina de marketing criou – pelo menos em mim – demasiadas expectativas. Só que, até agora, o “Swiss Made” num Swatch sempre me pareceu perfeitamente adequado face a tudo aquilo que o termo pressupõe: qualidade, precisão, fiabilidade, tradição…Nada disso são valores que consigo associar a estes novos Sistem51, talvez porque uma coisa é criar um movimento de quartzo barato e fiável numa fábrica que os produz aos milhares sem intervenção humana e outra é fazer o mesmo com um movimento mecânico automático.
Especialmente quando descobrimos, pela mãos de quem sabe, que o que nos contaram sobre o supostamente “revolucionário” movimento está nos antípodas da verdade.

Em utilização corrente, a sensação não é melhor. É verdade que temos aqui possibilidade de criar reserva de marcha pela manipulação da coroa, coisa que não conseguimos em movimentos automáticos mais baratos – caso dos populares Seiko 5 – mas desengane-se quem espere paragem de segundos para facilitar o acerto. Pior, ao puxarmos a coroa sentimos que tudo se move um pouco mais do que devia, sentimos onde faz realmente falta ter sido gasto dinheiro, sentimos onde é que foram poupados os Francos Suíços…

O veredicto? Até pode ser que esta seja uma forma de trazer para a relojoaria mecânica uma nova geração de entusiastas mas pessoalmente prefiro gastar 150 euros num relógio como movimento de quartzo suíço de outra marca qualquer do que 135 euros nisto.

Aliás, é pior ainda: por este preço, prefiro um relógio com movimento automático japonês… ou até mesmo chinês: pelo menos sei que é uma imitação de um movimento suíço e que, se for preciso, até é reparável. Que é mais do que podemos dizer deste Sistem51.