13 abril, 2015

Nomos Glashütte Metro


Ando já há uns tempos para escrever sobre os relógios da Nomos Glashütte, uma jovem empresa alemã que utiliza desenhos elegantes e originais e que é uma das poucas a ter criado movimentos in-house, como é o caso do calibre mecânico de corda manual que equipa este modelo que vos trago hoje: o Metro.

Trata-se de um elegante dress watch com uma caixa em aço relativamente pequena (37mm) mas com uma execução soberba que utiliza vidro de safira não apenas no mostrador mas também no fundo da caixa, para observação do movimento.

Além da simplicidade geral do desenho, a Nomos optou por criar uma escala horária cujos índices são apenas pontos e usar numerais árabes para a escala secundária de minutos/segundos. A data e os segundos descentradas surgem às 6H00 e, na posição da 1H30, surge uma pequena janela para indicar a reserva de marcha – especialmente útil tendo em consideração que este é um relógio de carga manual.

Como já referi, o calibre mecânico foi criado pela própria empresa (encontra aqui uma história mais completa) e incorpora um sistema de balanço original e patenteado.

O único problema é o preço. A Nomos não é uma marca de relógios B3 – entre o seu catálogo não encontramos modelos a menos de €1.000 – e, embora os valores pedidos não sejam estratosféricos, são efetivamente elevados. Este modelo em particular custa uns substanciais €2.680 a partir do website do fabricante

10 abril, 2015

Junkers 6218-2 Tante Ju Series


Teria uns 8 ou 9 anos quando o meu pai me ofereceu o meu primeiro relógio – um Timex mecânico. Andava com ele para todo o lado e acabei por o destruir quando o levei para a praia e, acidentalmente (a sério), levei com uma onda em cima e o pobre do relógio começou a ganhar humidade por dentro do vidro do mostrador, até que deixou de funcionar.

O segundo e último relógio que recebi era igualmente mecânico, mas já não me deixou uma impressão tão duradoura. Nem me lembro da marca. Mas sei que era pouco preciso, do género de adiantar (ou seria atrasar?) vários minutos por dia.

Lembro-me também de quando vi o primeiro relógio de quartzo. Foi em meados dos anos 70, no pulso de um amigo meu. Estávamos nos primórdios da tecnologia e os ecrãs LCD ainda não tinham chegado – nem aos relógios, nem às calculadoras. Os ecrãs funcionavam com LEDs e consumiam bastante energia (as pilhas da altura também não seriam grande coisa...), pelo que a solução passava por estarem sempre apagados; para vermos as horas, pressionávamos um botão que, durante breves momentos, exibia a hora.

Na verdade, sempre gostei de relógios desde que me lembro, mas a maioria dos que adquiri enquanto adulto foram sempre de quartzo – digitais e analógicos. Foi só muito recentemente que voltei a adquirir o gosto pela relojoaria mecânica mas, quando isso aconteceu, descobri que tinha gostos caros: de forma recorrente, passei a cobiçar máquinas que tinham uma coisa em comum: o movimento cronógrafo automático ETA 7750, a.k.a. "Valjoux", com dia e data às 3h00.

Uma enorme percentagem dos cronógrafos mecânicos do mercado são efetivamente baseados neste movimento (ou no seu clone suíço, o Sellita SW400), mas não é fácil encontrar modelos abaixo dos 1.000 euros. E, quando isso acontece, é porque estamos na presença de marcas de menor prestígio e/ou de execuções de menor qualidade.

Ora dar um milhar de euros por um relógio de pulso não é propriamente algo que alguém como eu faça com ligeireza... Afinal, por alguma razão criei um blog cujo tema são "relógios Bons, Bonitos e Baratos"! No entanto, um conjunto irrepetível de circunstâncias permitiu-me, no final do ano passado, adquirir um Junkers 6218-2 (na foto).

Trata-se de um relógio que é ainda possível comprar online por valores entre €900 e €1.200 mas que já foi entretanto substituído por um outro modelo da marca, o Junkers 6818-2, muito semelhante à primeira vista mas com algumas diferenças subtis.

Um 7750 no dia-a-dia


Inicialmente, tinha várias dúvidas sobre a utilização diária do Junkers 6218-2. Isto porque um dos relógios que costumava usar com mais frequência era um cronógrafo de quartzo Tissot PRC200 (igualzinho a este). É um relógio com caixa de 40mm e sempre me habituei a considerar esta dimensão como o máximo que o pulso relativamente pequeno "suportaria". E este Junkers tem 42 mm de diâmetro (dimensão comum entre os relógios com o ETA 7750). Mais dúvidas: a caixa não seria muito alta? E o peso do relógio não seria demasiado grande para uma utilização diária constante?

Felizmente, a resposta a todas estas dúvidas foi a de um rotundo "não"; este é um relógio que me habituei a usar em praticamente qualquer circunstância, mesmo depois das primeiras semanas em que não nos cansamos de olhar para o pulso e admirar a nossa nova aquisição. As dimensões parecem-me perfeitas (42mm passou a ser o novo "máximo" para mim – até que descubra que posso ir mais além, claro!) e o relógio não é demasiado pesado, apesar das minhas reservas em contrário.

Outra coisa que me agrada neste relógio é que não é apenas "mais um" ETA 7750. Esteticamente, é um relógio interessante, a começar logo pelo mostrador. A série Tante Ju vai buscar inspiração diretamente à fuselagem dos aviões Junkers JU52, que usavam chapas em alumínio ondulado: o mostrador dos relógios da série utiliza o mesmo padrão (não é apenas ilusão de ótica, existe efetivamente uma ondulação!), o que lhes dá um "look" muito característico.

O desenho do mostrador é também bastante feliz, com alguns pormenores que, para mim, fazem toda a diferença, como é o caso de terem sido mantidos todos os numerais, mesmo os das posições 12, 3, 6 e 9, que em muitos casos desaparecem para dar lugar à janela de data e aos sub-mostradores.

A execução do relógio é toda de elevado nível. O mostrador está perfeitamente alinhado com os ponteiros (ficarão surpreendidos ao descobrir a quantidade de vezes que isto não sucede, mesmo em relógios muito mais caros) e a escolha da coroa parece-me particularmente boa, tendo a marca optado por dotar este modelo de uma coroa de grande diâmetro e espessura reduzida, que além de bonita é muito confortável de usar (não "morde" o pulso em utilização normal).

Ainda uma nota para o mostrador: a aplicação de material luminescente (Superluminova) nos numerais e ponteiros permitem uma perfeita visibilidade à noite, de tal forma que é ao Junkers que recorro durante a noite para ver as horas, sem ter de acender a luz no quarto.

O vidro, de safira, é montado à face do mostrador, perfeitamente alinhado com o bisel. A marca usou um fundo em vidro para observação do movimento. Este será talvez o aspeto menos feliz da execução e a minha única crítica a todo o relógio: a Junkers limitou-se a gravar o seu nome no rotor, o qual não possui qualquer tipo de decoração. Mas, por este preço, havia que cortar custos nalgum lado...

Este modelo em particular é vendido com uma pulseira de pele com uma fivela simples (outra concessão ao preço), mas existe também a possibilidade de encomendar uma bracelete em aço, algo que provavelmente farei no futuro, até porque transforma totalmente o relógio.

As primeiras semanas de utilização do relógio revelaram que adiantava bastante mas, passado algum tempo, e antes que eu tivesse a oportunidade de pedir a sua regulação, o movimento estabilizou e mantém uma precisão que é o espectável para um relógio mecânico automático.

O único problema que sinto agora é que o Junkers 6218-2 me "estragou" para outros relógios: sempre que lhe dou um pouco de descanso e coloco no pulso outro relógio, fico sempre a achar que falta ali qualquer coisa. Mas é claro que esta não é uma máquina para todas as ocasiões – com uma resistência à água de apenas 5 atmosferas, não é algo que eu levaria para a praia ou acampar e não é certamente a peça certa para um evento social mais formal (não que eu vá a muitos!).

Mas, ao contrário do que sucedeu com uma outra compra que fiz, não só correspondeu em absoluto às expetativas como as ultrapassou. Agora, é começar a pensar na próxima aquisição.

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Nota: a foto que ilustra este post não é do meu relógio, mas sim de um igual, que encontrei aqui, onde também podem ser observadas muitas mais imagens. Há duas diferenças entre o relógio dessas imagens e o meu: a inscrição "Junkers" no rotor e o facto de a data no meu estar em inglês e não em alemão.

08 abril, 2015

Christopher Ward C7 Rapide Chronometer


Quando é que um cronógrafo é também um cronómetro? Quando é um cronógrafo com certificação cronográfica, claro!*, como acontece neste Christopher Ward C7 Rapide Chronometer.

Baseado num movimento suíço de quartzo com 27 rubis ETA 251.264 COSC termo-compensado. A compensação térmica é crucial para aumentar a precisão dos movimentos de quartzo, uma vez que as variações térmicas são o maior responsável pelas alterações na frequência de vibração dos cristais de quartzo. Essa é a razão pela qual os relógios (de quartzo) dos automóveis são tão pouco precisos, por exemplo...

Além da certificação COSC que garante a este relógio a precisão de um cronómetro, a Christopher Ward não deixou créditos por mãos alheias no resto da execução, que é de alto nível, incluindo mostrador com vidro de safira, coroa de rosca e resistência à água de 10 atmosferas (100 metros).

Apostando claramente na faceta desportiva que normalmente atribuímos a um cronógrafo, a marca dotou o mostrador de uma escala de minutos com grandes numerais árabes, a que foi adicionado um bisel com escala taquimétrica.

O relógio é ainda não está disponível – está em fase de pré-encomenda para entrega em Abril. Existem três variantes: C7-42-COSC-390-SKRK (na foto), com bracelete em pele; C7-42-COSC-390-SKSi, com bracelete em borracha (ambas ao mesmo preço, de £599); e C7-42-COSC-390-SKS, com bracelete em aço e um preço um pouco mais elevado, de £650.


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* Confusos? Então nada como recordar a matéria dada, aqui

06 abril, 2015

Torgoen Harrier T33402

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A Torgoen tornou-se uma das minhas marcas favoritas depois de nela ter tropeçado no ano passado. A marca produz relógios com uma boa relação qualidade/preço baseados em movimentos de quartzo suíços Ronda. Um dos aspetos que mais me agrada nos relógios da Torgoen é o facto de a marca criar desenhos onde tenta afastar-se de tudo aquilo que os seus concorrentes fazem, propondo alternativas esteticamente interessantes.

É claramente o caso deste Harrier T33402 baseado num movimento cronógrafo Ronda 3520.D. A marca partiu do tradicional mostrador “B Type” dos relógios de piloto alemães da Segunda Guerra Mundial (em rigor, dos relógios usados pelos navegadores), em que a escala principal é a dos minutos, para oferecer um relógio que é decididamente original.

A partir de um mostrador de grande visibilidade e fundo creme, a Torgoen integrou de forma harmoniosa os sub-mostradores do cronógrafo: às 12h00 temos um duplo contador de 30 minutos/12 horas e às 6h00 o mostrador de pequenos segundos. O aspeto militar à reforçado pela utilização, nesta variante, de uma bracelete têxtil (nylon).

A caixa, relativamente grande (45mm), é em aço 316L, com fundo roscado, e apresenta uma resistência à água de 10 atmosferas (100 metros). Os índices e ponteiros têm tratamento luminescente para visibilidade no escuro e o vidro do mostrador é mineral endurecido (K1).

O preço de referência, diretamente a partir do website da marca, é de 468 dólares – cerca de 450 euros ao câmbio atual. A gama Harrier possui várias outras variantes com diferentes braceletes, fundos de mostrador e caixas.

03 abril, 2015

Steinhart Ocean One Vintage Military


Agora que o calor parece ter regressado, vale a pena voltarmos a falar de uma categoria que tem um lugar no coração de qualquer entusiasta: o relógio de mergulho. Apesar dos milhares de modelos disponíveis - e alguns deles realmente originais - temos de admitir que uma parte substancial dos "diver watches" que vemos nas montras têm uma estética que oscila entre a cópia descarada e o tributo (a chamada homage) ao pioneiro Rolex Submariner.

O facto não é mau em si mesmo, uma vez que encontramos no mercado muitos modelos que, mesmo piscando o olho ao Rolex, oferecem uma estética suficientemente diferente para terem um valor intrínseco e não desprestigiarem o pulso de que o usa (sendo que é também possível encontrar relógios de mergulho que seguiram uma via estética completamente diferente).

A alemã Steinhart é uma das marcas que aprecio e que, sendo original em muitas das suas criações, possui imensos modelos que são claramente tributos aos relógios pioneiros de grandes marcas, tão emblemáticos que criaram por si só um novo estilo e/ou categoria.

O Steinhart Ocean One Vintage Military pertence à categoria dos relógios homage, neste caso ao já referido Submariner da Rolex. Ao contrário das réplicas ou contrafações, os relógios que pretendem homenagear os modelos de referência que lhes servem de base trilham uma linha nem sempre fácil: incorporam no seu desenho os elementos mais emblemáticos do produto de referência mas, em vez de tentarem fazer passar gato por lebre, assumem uma (re)interpretação própria capaz de resultar numa peça que tenha valor por si mesma.

Salvo melhor opinião, penso que é claramente o que a Steinhart tentou - e conseguiu - fazer aqui. Na sua reinterpretação, a marca alemã alterou ligeiramente as proporções do relógio. A relação entre o tamanho do mostrador e a largura da luneta (bisel) rotativa é claramente diferente aqui, com uma luneta mais estreita e uma caixa um pouco maior do que a do Submariner atual (42mm, contra 40mm); o movimento ETA 2824-2 é usado neste modelo sem a funcionalidade de data; e os ponteiros têm um formato mais convencional e dispensam o formato emblemático usado pela Rolex.

O resto da execução é excelente, com a caixa a resistir às mesmas 30 atmosferas (300 metros) do Rolex, coroa de rosca e um mostrador protegido por vidro de safira com tratamento anti-reflexo. O resultado, aos meus olhos, é um relógio particularmente bonito e equilibrado.

Reconheço que sou um pouco snob em termos de relógios (não usaria uma contrafação no pulso...) mas gosto ainda mais de bons negócios, pelo que se me dessem a escolher entre o Rolex Submariner e este Steinhart, teria poucas dúvidas em optar pelo relógio alemão... especialmente porque custa apenas €320 + IVA!

01 abril, 2015

Roamer Searock Automatic


Tal como acontece com uma boa parte das marcas tradicionais suíças, também a Roamer tem uma história longa e atribulada. Nascida em 1888, a marca foi evoluindo ao longo do século XX até que, em 1972, lança o seu primeiro relógio de quartzo... A cronologia da própria empresa mostra que houve um hiato entre essa data e 2003, quando a Roamer retoma a produção de relógios baseados em movimentos mecânicos.

Para sabermos o que aconteceu durante esse período temos de recorrer a websites externos (nem a página na Wikipedia nos dá pistas...) onde descobrimos que a marca não resistiu ao embate do quartzo: a produção cessou em 1975 e, em 1985, a empresa seria vendida e integrada no grupo chinês Chung Nang.

No entanto, ao contrário do que sucedeu com muitas marcas helvéticas, a Roamer parece nunca ter pedido a sua independência e manteve-se sempre em funcionamento na Suíça.
Em 2003 dá-se o reboot definitivo da marca, com o lançamento de novos relógios mecânicos.

Este modelo que vos trago hoje chama-se Searock Automatic e trata-se de um elegante relógio automático com data. O relógio é "Swiss Made" e utiliza um movimento designado STP-11, que é a versão da marca do ETA 2824-2.

O resto da execução é de alto nível: caixa e bracelete em aço inoxidável, mostrador de 42 mm de diâmetro, vidro de safira com revestimento anti-reflexo, fundo igualmente em vidro e coroa de rosca que garante uma efetiva estanquidade de 10 atmosferas (100 metros).

O preço, para um relógio suíço automático com este nível de execução não me parece excessivo:  €600 a partir do site da empresa. Como sempre, na Amazon cncontra-se mais barato.