17 abril, 2023

Deep Star 1000 Vintage Swiss Automatic: suíço, mas B3

 


A Deep Blue é um microbrand fundado nos EUA em 2007. A empresa focou-se desde o início em tools watches de mergulho, e é sobretudo esse o tipo de relógios que encontramos ainda hoje nas suas diferentes gamas de produto.

Agora que o tempo está mais quente e convida a mergulhar, nada melhor do que sugerir o Deep Star 1000 Vintage Swiss Automatic. Esta gama inclui diversos relógios, com diferentes cores de mostrador, e todos com um preço-canhão de apenas 436€.

Poderão dizer-me que isso não é propriamente um preço interessante, dadas as opções em marcas como a Seiko ou a Orient. Mas é preciso ver melhor a folha de especificações: movimento suíço Sellita SW-200, um clone high-beat do lendário ETA 2824, 300 metros de resistência à água e mostrador protegido por vidro de safira.

O PVP indicado é o do relógio com bracelete em borracha de silicone, e inclui já portes para Portugal; o da imagem, com bracelete em malha milanesa, fica por mais 50€.

Este é um relógio um pouco grande de mais para o meu pulso (44mm de diâmetro e 15mm de espessura), mas que está em linha com muitos relógios de mergulho com especificações semelhantes. O desenho do mostrador não é propriamente original, mas também não ofende... O único aspeto que me agrada menos foi a decisão de colocar a janela de data na posição das 4h30.

Caso queiram encomendar, atenção: é preciso usar o website europeu, para evitar problemas com portes, impostos e alfândega.


10 abril, 2023

Seiko 5 SRPD79: barato, ou nem por isso?

 


Ao longo dos anos, este blog falou de imensos Seiko 5 – provavelmente a mais popular linha do fabricante japonês.

Venho hoje novamente falar num deste modelos, não por ser particularmente interessante, mas como pretexto de uma reflexão sobre o que tem estado a acontecer com a Seiko. 

E o que é que tem estado a acontecer com a Seiko? Bem, anda cada vez menos interessante em termos de preços. Veja-se este Seiko 5, com a referência SRPD79. O relógio é bonito (há inúmeras variantes, mas escolhi esta toda em preto, não por me agradar particularmente, mas porque é um pouco mais original), mas segue de perto as principais características da gama.

Entre estas encontramos o movimento automático 4R36, que oferece paragem de segundos (“hacking”) e possibilidade de corda manual, com dia e data às 3h00. O resto da execução é semelhante a dezenas de variantes da gama Seiko 5, designadamente caixa em aço com resistência à água de 100 metros, 42,5mm de diâmetro e coroa colocada às 4h00 – uma decisão estética, mas do que funcional. O fundo é de vidro, permitindo desta forma a visualização do movimento.

Neste caso concreto, a bracelete é de nylon, tipo NATO, mas há inúmeras variantes com diversos tipos de braceletes, incluindo aço, e mostradores de outras cores. O vidro do mostrador é mineral endurecido e o bisel para controlo do tempo de mergulho é unidirecional.

Nada tenho contra este relógio em particular… exceto o preço. O preço de referência (que é o que encontramos na maior parte das ourivesarias) é de 390€, o que me parece francamente alto.

A Amazon Espanha vende este modelo por 255 euros, mas é um preço ainda assim excessivo, face ao que podemos encontrar noutras marcas – desde a Orient (que é do grupo Seiko) à Citizen. Além disso, para quem olhe pare este relógio como um diver, é bom lembrar que a resistência à água é de 100 metros, quando por preço idêntico ou até inferior, conseguimos comprar relógios de mergulho com uns mais substanciais 200 metros de resistência à água.

O problema com os preços é relativamente recente. Falei aqui sobre um relógio desta gama há pouco tempo e, nessa altura, era um relógio à venda na Amazon por 205€, ainda por cima numa variante com bracelete em aço. Mas hoje, o mesmo modelo custa mais 50 euros – um aumento significativo num relógio com este preço.

Não sou o primeiro a apontar a escalada de preços nas gamas Seiko 5. Mas não deixo por isso de salientar esse facto, e lembrar que nem todas as marcas enveredaram por este caminho, pelo que é possível encontrar modelos B3 noutros pastagens.


03 abril, 2023

Ocean One GMT Titan premium Ceramic: O regresso do filho pródigo

 


Já por várias vezes aqui se escreveu que a Steinhart é uma das nossas marcas favoritas. Mas não há bela sem senão: nos últimos anos, a empresa alemã tem deixado de lado desenhos originais para se dedicar a hommages de Rolexes e Tudors... O que, quanto a mim, é algo que será lucrativo a curto prazo mas ruinoso a longo prazo. Mas cada um sabe de si, claro.

Uma das coisas que mais me chateou nos últimos tempos foi a marca descontinuar o Ocean One GMT, que deixou de aparecer no seu catálogo para ser substituído por... uma "homenagem", da qual de resto também já aqui se falou. E reconheço de que, desde que escrevi esse post, em 2020, até agora, a minha tolerância para estas hommages se reduziu substancialmente.

Foi por isso que, com grande surpresa e alegria, descobri que a Steinhart voltou a produzir o Ocean One GMT Titan premium Ceramic! No fundo, uma versão GMT do seu também original Ocean One Titanium 500. Sem saber mais do que qualquer um dos meus leitores, tenho a suspeição de que este volte-face se deve à súbita inundação do mercado com relógios GMT automáticos baseados em máquinas Seiko e Citizen.

Este Ocean One GMT Titan premium Ceramic é uma máquina com uma tremenda relação preço/qualidade, uma vez que oferece, por 740€, algo pelo qual muitos microbrands cobram mais de 1000€... mas, neste caso, usando um movimento GMT suíço!

Comecemos então por aí. O movimento escolhido pelos alemães da Steinhart foi o Sellita SW330-2, um clone melhorado do ETA 2893-2, e aqui alterado de forma a termos a janela de data às 6h00 em vez das 3h00 do calibre original. Mas a Steinhart não se ficou por aí, e selecionou a versão de topo deste movimento suíço, no acabamento Élaboré Premium e com o já tradicional rotor Steinhart dourado.

Este é um movimento high-beat que funciona a 4 Hz, ou seja, 28.800 alternâncias por hora, e que tem uma reserva de marcha igualmente melhorada, de 56 horas (a versão 330-1 oferecia apenas 42 horas). Este movimento tem também uma particularidade, que é a de ser relativamente fino, o que permite que este relógio tenha uma caixa com uns razoáveis 13 mm de espessura.

E por falar em caixa, o Ocean One GMT Titan premium Ceramic, como aliás o nome sugere, é produzido em titânio. O diâmetro é de 42 mm e a execução inclui – claro! – vidro de safira que, neste caso, recebeu um tratamento antirreflexo duplo do lado interior. A resistência à água, tal como no seu irmão sem GMT, é de 500 metros.

A luneta (bezel) inclui a escala de 24 horas para o quarto ponteiro e é produzida em material cerâmico, o que, em princípio, garantirá uma menor propensão para "atrair" riscos, como acontece em muitos casos, em que esta funcionalidade é fabricada em alumínio, muito menos resistente.    

Note-se que, em rigor, o novo movimento Myiota 9075 se pode considerar funcionalmente superior a este GMT suíço, uma vez que permite o acerto direto e independente do ponteiro das horas, enquanto que este apenas permite o acerto do quarto ponteiro com o segundo fuso horário. Mas... No mundo snob da relojoaria, "suíço" baterá (quase) sempre "japonês" num confronto direto. 

E, além disso, voltando ao que escrevi mais acima, este é um GMT que está a ser vendido por uns muito razoáveis 740€, quando encontramos micromarcas a esticarem-se de forma pouco razoável com movimentos japoneses GMT, como é o caso da Boldr e da já referida Gavox.

[Edit] está também disponível, pelo mesmo preço, uma versão deste relógio com caixa de 39mm.

26 março, 2023

Orient Bambino v4: refinamento asiático

 




A última vez que falámos aqui do Orient Bambino foi em 2016. Este elegante dress watch mantém-se ainda hoje em catálogo na gama da Orient (que faz parte do grupo Seiko desde o final de 2008) e vai agora na sua quarta geração –  mas mantendo todas as características que o tornaram popular, nomeadamente o movimento mecânico automático "in house" (ou seja, produzido pela própria marca) com três ponteiros e data às 3h00 e um mostrador simples com índices em todas as posições horárias.

A nova geração é ligeiramente mais pequena do que a anterior, com caixas de 38,4mm de diâmetro contra as anteriores de 40,5 mm, que vai ao encontro de uma tendência da indústria de propor caixas um pouco menores do que tem sido hábito nos últimos anos, sobretudo no setor dos dress watches.
A marca mantém ainda estes relógios com caixa de 40,5mm, mas apenas em variantes com bracelete em aço, e não em pele.

O movimento usado é o Orient F6724, que oferece paragem de segundos ("hacking") e corda manual, o que nem sempre aconteceu no passado com os movimentos da marca usados em modelos mais acessíveis.

Face à geração anterior, os ponteiros são também mais bonitos e os índices, agora, surgem aplicados no mostrador, e não apenas desenhados. A execução inclui caixa em aço com apenas 3 atmosferas de resistência à água (salpicos e poucos mais) e fundo em vidro para observação do movimento de 22 rubis.

No momento em que escrevo estas linhas surgem apenas quatro variantes no website oficial da marca: esta, com mostrador beige e bracelete em pele castanha, que é o meu preferido (ref.ª  RA-AC0M04); mostrador branco e bracelete preta (ref.ª RA-AC0M03S); mostrador preto (ref.ª RA-AC0M02B); e a que é menos do meu agrado, com caixa em plaqué dourado (ref.ª RA-AC0M01S).

O melhor de tudo é que a Orient continua com os preços como sempre teve, isto é, muito competitivos face à concorrência e, até, a modelos comparáveis da casa-mãe Seiko. Na Amazon Espanha encontrei variantes desta gama a 179 euros, o que me parece um valor francamente muito bom.

17 dezembro, 2022

Cauny Siza: uma oportunidade perdida

 



Nas última semanas, a minha timeline do Facebook tem estado a ser bombardeada com anúncios deste relógio: um Cauny desenhado pelo arquiteto Álvaro Siza. É a primeira vez que Siza desenha um relógio (para qualquer marca) e devo admitir que ele fez um bom trabalho. Porque é que titulei então que este relógio é uma "oportunidade perdida"? Bem, esse ónus recai sobre a Cauny... e já lá iremos.

Mas, como sempre se deve fazer na vida, comecemos por salientar as coisas boas deste projeto antes de lhe "cascar". Como escrevi acima, o Cauny Siza é realmente muito bem desenhado. Aliás, se esta é efetivamente a primeira vez que o arquiteto português desenha um relógio, ninguém diria! Do mostrador ao desenho da caixa, há aqui elementos muito bons que contribuem para um relógio (para mim) muito bonito.

No caso dos dress watches gosto muito de desenhos com dois ponteiros, como o Armogan que referi recentemente. Neste caso, Siza optou por um desenho com um misto de índices e numerais arábicos nas quatro posições principais. Temos também a originalidade dos ponteiros, que surgem com uma ponta em "seta invertida", na versão White, e com eixos duplos cruzados, na versão Mirror, que resultam muito bem em qualquer dos casos. E, finalmente, a tampa da caixa, ela também original. 

A execução também é boa, com caixa em aço e vidro de safira. As únicas opções de bracelete são as da imagem: pele castanha para o White e preta para o Mirror.

Vamos então às partes más. Eu provavelmente deixaria passar se não fosse a publicidade da Cauny que caracteriza este modelo como uma "obra-prima" e algo que será "eterno". Pois... Não. Mas vamos por partes.

A caixa é efetivamente bonita mas... é muito pequena, mesmo para um dress watch. Os modelos para homem têm um diâmetro de apenas 35mm, que desce para 30mm no caso dos modelos para senhora. Penso que versões de 40mm e 35mm teria sido uma melhor opção. 

Depois, temos o problema do design. Sim, é tudo muito bonito, mas convém que a forma e a função andem de mãos dadas. E a substituição das habituais asas por um eixo central para fixação da bracelete, apesar de não ser a primeira vez que vejo, não é uma boa ideia, já que impede a substituição por braceletes de terceiros. Pior: a Cauny não mostra no website que tenha (e até é possível que tenha) braceletes de substituição e/ou o seu preço.

E depois chegamos ao que mais me preocupa: o movimento. Álvaro Siza desenhou o relógio, mas obviamente não foi ele a decidir qual o movimento a usar. E aqui eu tenho um problema: qual é a lógica de criar uma peça destas e depois usar um movimento de quartzo de fabricante anónimo? 

Mas... Como é que eu sei isso? Bem, porque o movimento usado, se fosse suíço (como um Ronda), certamente seria caso para a Cauny o apregoar aos quatro ventos. Até dou de barato que não seja um movimento mecânico, já que eventualmente seria complicado encontrar um compatível com a reduzida espessura da caixa, certamente um dos pontos principais deste projeto. Mas um quartzo genérico? Quando um suíço custaria pouco mais?

O meu problema com este Cauny Siza é que é uma excelente ideia que resultou num relógio muito bonito e que, caso a Cauny quisesse, podia também ser um excelente relógio. Mas, tal como nos é apresentado, é difícil de olhar para ele enquanto tal, mesmo tendo em conta os razoáveis 175€ que a marca pede por qualquer destes modelos. 

30 novembro, 2022

Armogan Sopraffino Grande 38: a elegância simples

 

A Armogan é uma marca de que falei já várias vezes no blog, a última vez em 2020. Este microbrand continua a produzir um número relativamente reduzido de coleções e variantes (o que eu acho que é uma estratégia prudente) que me agradam sobretudo pela originalidade – esta é uma marca que não procura o caminho fácil (e lucrativo) das hommages mas, pelo contrário, tem conseguido afirmar-se através de uma estética própria e consistente.

É certamente esse o caso de modelo, o Sopraffino Grande 38. O nome refere-se ao diâmetro da caixa (38mm), sendo que existe também uma variante mais pequena, com apenas 33mm. Este modelo de 38mm existe em nada menos de 11 variantes, com diferentes cores de mostrador, caixa e bracelete.

Gosto muito do desenho simples deste relógio com apenas dois ponteiros, cortesia do movimento de quartzo japonês Miyota 2025. Por incrível que pareça, não é fácil encontrar no mercado relógios com apenas dois ponteiros, sejam eles mecânicos ou de quartzo, e este parece-me uma proposta especialmente interessante.

A execução é correta, com um mostrador muito sóbrio que exibe os numerais arábicos com a fonte que a marca tem usado em praticamente todos os seus relógios até agora. A opção permite-lhe também distinguir-se de propostas mais minimalistas mas também mais genéricas e de qualidade duvidosa, como é o caso de marcas como a Daniel Wellington ou a MVMT

As proporções do relógio são muito bem conseguidas, combinando os 38mm de diâmetro com uma largura da bracelete de 20mm. A espessura da caixa é de 8mm e o vidro que protege o mostrador é de safira. Infelizmente, a resistência à água é basicamente inexistente (30m).

O PVP de 179€ para o que é aqui oferecido parece-me um pouco excessivo, para dizer a verdade (por esse preço já se arranjam relógios mecânicos...), mas à data em que escrevo este artigo a marca tinha uma promoção em que o vendia através do seu website por 143,20€, já com portes. Continua a ser um pouco caro, mas enfim...